Lula sanciona Lei da Reciprocidade como resposta ao ‘tarifaço’ de Trump
Norma foi aprovada com rapidez pelo Congresso Nacional, em regime de urgência, como resposta direta ao aumento de tarifas sobre o aço e o alumínio brasileiro
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, sem vetos, a chamada Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil adotar contramedidas diante de barreiras comerciais impostas por outros países. A norma foi aprovada com rapidez pelo Congresso Nacional, em regime de urgência, como resposta direta ao aumento de tarifas sobre o aço e o alumínio brasileiro anunciado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A sanção foi confirmada nesta sexta-feira (11) pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, mas a publicação do texto completo no Diário Oficial da União deve ocorrer apenas na segunda-feira (14).
Contramedidas proporcionais e consultas diplomáticas
A nova lei autoriza o Poder Executivo a suspender concessões comerciais, investimentos e obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual quando essas medidas forem justificadas como resposta a ações de países ou blocos econômicos que prejudiquem a competitividade internacional do Brasil.
As contramedidas deverão ser utilizadas de forma excepcional, apenas quando outras alternativas forem consideradas ineficazes. O texto também prevê que tais ações sejam proporcionais ao impacto econômico causado por barreiras comerciais ou subsídios externos.
Além disso, a legislação exige que sejam promovidas consultas diplomáticas e audiências públicas antes da adoção de qualquer sanção, para permitir a participação de empresas e setores afetados.
Governo sinaliza força, mas prega cautela
Durante entrevista à rádio BandNews, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o presidente Lula adotou “a posição mais sóbria possível” ao sancionar a lei. Segundo Haddad, o objetivo é mostrar aos Estados Unidos que o Brasil não aceitará ser tratado como parceiro de segunda classe. Ele destacou ainda a agilidade com que o Congresso aprovou a proposta como sinal de unidade política diante do tarifaço norte-americano.
Na quarta-feira (10), em Tegucigalpa, Honduras, onde participava da cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), Lula declarou que o Brasil “irá dar reciprocidade”. “Ou nós vamos para a OMC brigar, ou vamos responder com reciprocidade. É o mínimo que se espera de um país com dignidade e soberania”, afirmou.
Apesar do tom firme do presidente, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, defendeu uma abordagem mais diplomática. Segundo ele, o governo não pretende aplicar as medidas de imediato e seguirá insistindo no diálogo.
Troca no Ministério das Comunicações após denúncia da PGR
Além da sanção da Lei da Reciprocidade, a sexta-feira também foi marcada pela confirmação de uma mudança no Ministério das Comunicações. O deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União Brasil-MA) foi nomeado para o cargo em substituição a Juscelino Filho, que deixou o ministério após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suspeita de corrupção envolvendo o uso de emendas parlamentares.
A nomeação foi oficializada após reunião no Palácio da Alvorada com líderes do União Brasil e a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. O movimento visa preservar a base de apoio no Congresso e minimizar desgastes políticos provocados pelo escândalo envolvendo Juscelino.
Nomeação reforça aliança com ala governista do União Brasil
Pedro Lucas lidera a bancada do União Brasil na Câmara e é próximo ao ministro do STF Flávio Dino, além de já ter integrado comitivas internacionais do governo. Seu perfil, considerado mais afinado com o Palácio do Planalto, reforça a tentativa do presidente Lula de manter uma ponte ativa com parte governista do partido, que atualmente vive um racha entre apoiadores e críticos do governo.
Filho do ex-deputado Pedro Fernandes, atual prefeito de Arame (MA), Pedro Lucas é visto como um nome de confiança. De acordo com Gleisi Hoffmann, sua indicação partiu do próprio União Brasil e teve o aval direto de Lula.
A substituição de Juscelino ocorre em meio à tramitação de denúncia no STF, que pode torná-lo réu. O caso, revelado pelo jornal Estadão em 2023, é analisado pela Primeira Turma da Corte, a mesma responsável por julgar os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
Com a saída de Juscelino, o governo busca conter danos políticos e preservar a governabilidade, ao mesmo tempo em que envia sinais de firmeza tanto no cenário interno quanto no plano internacional.
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