Lula questiona clima nas Forças Armadas após prisão de Braga Netto, diz ministro da Defesa
Presidente se reuniu com José Múcio para discutir impacto do caso entre militares e planejar retorno à Brasília nesta semana
Paulo Pinto/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou preocupação com o ambiente nas Forças Armadas após a prisão do general da reserva Walter Braga Netto, ocorrida no sábado (14). Durante reunião nesta terça-feira (17), na residência do presidente em São Paulo, o ministro da Defesa, José Múcio, relatou que Lula quis entender o impacto do caso entre os militares.
“Lula quis saber como estava o ambiente nas Forças Armadas. Evidentemente que isso era uma coisa que já se esperava. Todo mundo esperava. Há um constrangimento ao espírito de corpo de cada Força, mas já se esperava”, disse Múcio aos jornalistas após o encontro, que durou cerca de 2 horas, no bairro Alto dos Pinheiros, na zona Oeste de São Paulo.
O desconforto citado pelo ministro está relacionado ao fato de Braga Netto ser o primeiro general quatro estrelas a ser preso em tempos de democracia. Ele destacou que, embora o general tenha sido preso por ações individuais, sua proximidade com colegas da ativa e da reserva gera um incômodo compreensível dentro das corporações.
Prisão de Braga Netto e operação da PF
Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa no governo de Jair Bolsonaro, foi preso pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de envolvimento em articulações antidemocráticas. A operação da PF, deflagrada na manhã de sábado, incluiu buscas em residências de dois militares, mas os nomes só foram divulgados após a ação.
José Múcio explicou que foi informado sobre a operação na sexta-feira (13), mas desconhecia os alvos específicos. Ele também enfatizou que as Forças Armadas não participaram institucionalmente de quaisquer planos golpistas investigados pela Polícia Federal.
“Nem o Exército, nem a Marinha, nem a Aeronáutica têm informação de quais são as pessoas que vão sofrer esse tipo de operação. Eu digo muito que cada um entrou nisso com seus CPFs, e a gente tem que preservar o CNPJ das três Forças”, ressaltou o ministro.
Clima entre militares e papel das Forças Armadas
A prisão de Braga Netto trouxe à tona discussões sobre a relação das Forças Armadas com integrantes que, mesmo na reserva, mantêm vínculos estreitos com as instituições. Múcio comparou o caso a ter um amigo próximo respondendo a um processo judicial. “VÉ como você ter um amigo que está respondendo a um processo. Você quer que ele pague diante da lei, mas você fica constrangido porque é um amigo. Ele, Braga Netto, tem muitos colegas da reserva, colegas de turno … Mas não foi uma surpresa para absolutamente ninguém ”, comentou.
O episódio ocorre em um contexto de tentativas de afastar as Forças Armadas de conotações políticas e reforçar seu papel institucional. Desde o início do governo Lula, o Executivo tem buscado manter diálogo aberto com os militares para garantir a estabilidade e a confiança entre as partes.
Lula planeja retorno à Brasília e mantém agenda ativa
Durante a reunião, José Múcio também confirmou que Lula planeja retornar a Brasília nesta quinta-feira (19) para participar de uma reunião com ministros na sexta-feira (20). Segundo o ministro, o presidente está “ótimo”, se recuperando bem dos procedimentos médicos realizados na última semana.
“Eu acho até que está se movimentando mais do que devia”, afirmou Múcio. O presidente foi submetido a uma craniotomia para drenar um hematoma subdural e a um procedimento para conter um novo sangramento. Desde então, ele se encontra em sua residência no bairro Alto de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, de onde tem conduzido sua agenda política.
Impacto político e institucional
A prisão de um general de alta patente em tempos democráticos levanta questões sensíveis sobre os limites entre responsabilidade individual e coletiva dentro das Forças Armadas. O governo busca reforçar que as ações investigadas são atribuídas a indivíduos e não às instituições militares como um todo.
Além disso, o episódio pode ser um marco na relação entre o Executivo e os militares, exigindo um equilíbrio entre firmeza no combate a ações antidemocráticas e diálogo respeitoso com as Forças Armadas.
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