Eleições municipais: coligações com a transparência pública
Pesquisa indica que a corrupção de político ou agente público é o comportamento mais reprovado entre a população

Dados de pesquisa recente realizada pelo Instituto Não Aceito Corrupção revelam o grau de reprovabilidade que a sociedade tem diante de atos corruptos. Segundo o resultado, a corrupção realizada por um político ou agente público é a mais reprovada/menos tolerada entre a população. Isso envolve a prática de funcionários fantasma, rachadinha, nepotismo, compra de votos. Por exemplo, 62% dos entrevistados disseram que conhecem alguém que trocou o voto por dinheiro (em alusão à compra de votos). Constata-se, ainda, que a corrupção é o 8º tema de maior preocupação da sociedade brasileira, atrás de outros problemas sociais como saúde, educação, segurança, moradia, custo de vida, desemprego e transporte público.
Recorremos sempre ao tema da transparência pública como forma de enfrentar esse fenômeno corrupto. E em ano de eleições para cargos municipais, de prefeitos e vereadores, chamamos novamente atenção para esse debate.
Este artigo busca levantar a seguinte questão: o tema do enfrentamento da corrupção esteve em pauta nas campanhas eleitorais de 2024? A busca da transparência pública na condução de diversas políticas locais é uma realidade?
O Brasil é uma república federativa, formada pela união indissolúvel dos Estados, Municípios e do Distrito Federal (Art. 1º, CF). Assim, o primeiro ponto nesta reflexão é entender a responsabilidade de cada um desses entes federados.
É na realidade municipal que nós cidadãos sentimos e “recebemos” a política pública de forma mais direta. E o que fazem os municípios?
Pela atuação de prefeitos e de vereadores, atores políticos do Poder Executivo municipal (prefeitura) e do Poder Legislativo municipal (Câmara de Vereadores), cabe a eles verificar as necessidades locais da cidade e criar medidas e programas que as atendam.
A eles compete: legislar sobre assuntos de interesse local, suplementar legislação federal e estadual no que for necessário, arrecadar tributos municipais, organizar e prestar serviços públicos locais, manter cooperação com União e Estados para programas de ensino infantil e fundamental, de saúde, promover proteção de patrimônio cultural local (Art. 30, CF). As prefeituras e Câmaras de vereadores também podem buscar repasse de verbas perante o governo estadual e federal para justamente atender os assuntos de interesse local: construção de escolas, creches, hospitais ou unidades básicas de saúde, recapeamentos asfálticos, aquisição de ambulâncias e maquinários, medicamentos, construção de centros de lazer, dentre outros, para melhor oferecer os serviços públicos para o desenvolvimento socioeconômico da população local.
Trata-se da atuação local dessas autoridades que envolve as receitas advindas dos tributos pagos pelos próprios munícipes e também as verbas advindas de outras esferas federativas, já que o orçamento local por vezes não é suficiente para tais outras atividades.
Essas verbas que são repassadas possuem mecanismos de fiscalização por programas da Controladoria-Geral da União (CGU), Tribunal de Contas da União (TCU) e Tribunal de Constas dos Estados (TCEs).
Temos também legislações que obrigam esses atores a publicarem a quantidade de dinheiro investido em tempo real na internet, e divulgarem as ações e informações do que está sendo decidido.
Ocorre que o Brasil é diverso. Enquanto há cidades de porte grande, com milhões de habitantes, há outras de porte pequeno em termos populacionais (cinco mil, dez mil habitantes), e os instrumentos para efetivarem essa divulgação de ações e informações, ou seja, para efetivar a transparência pública, nem sempre são disponíveis como nas de grande porte.
Como exemplo, pesquisas revelam que regulamentações de como realizar pedidos de acesso à informação na esfera municipal são recentes, especialmente de 2019 a 2024. Vale lembrar que a legislação que solicitava essa regulamentação data de 2011. Há cidades em que essas normas ainda não existem, ou não portais que sejam intuitivos para encontrar esses dados.
Como verificado na pesquisa citada anteriormente, a corrupção é um tema que vem após diversas outras preocupações sociais como saúde, educação, segurança, moradia, emprego. Sabe-se que a maneira como tais temas são tratados geram muito impacto social. Diante disso, reitera-se: há responsabilidade e compromisso com essas agendas?
Prover um efetivo serviço de saúde com atendimento em unidades básicas, passa pelo comprometimento e transparência na gestão de recursos destinados a essa finalidade; criar vagas em escola de ensino infantil ou fundamental passa pela transparência e eficiência na alocação de recursos, buscar verbas para aquisição de maquinários, ambulância, ou remédios passa pelo dever de divulgação dessas ações e informações.
Diversos temas sociais chamam a transparência pública consigo, tal qual em uma coligação. Então o ponto-chave é: haveria essa mesma coligação nas campanhas que aconteceram? Transparência, transporte, políticas de desenvolvimento, ensino de qualidade, saúde, meio ambiente, estariam coligados nas propostas e na atuação dos candidatos?
Murilo Borsio Bataglia
Doutor em Direito pela UnB (PPGD/UnB)
Pró-Reitor de Pesquisa, Extensão e Internacionalização do Centro Universitário Estácio de Brasília
Mais Lidas
Nenhuma postagem encontrada.
>
Artigos
Últimas Notícias

Partiu Estágio: Bahia abre 5,5 mil vagas com bolsa de R$ 607; veja como se inscrever
Programa destina 1.627 vagas para Salvador e 3.877 para municípios do interior e da Região Metropolitana

Jerônimo envia projeto à AL-BA que prevê pagamento por serviços ambientais e recebe ‘Selo Amigo Catador’
Proposta estabelece diretrizes para valorização de iniciativas ligadas à sustentabilidade e à proteção ambiental no estado

Governo anuncia antecipação do 13º do INSS; confira calendário e valores
Antecipação do pagamento foi solicitada pelo ministro da Previdência Social, Carlos Lupi

Felipe Neto diz ser candidato à Presidência da República: ‘esse não é um gesto de vaidade’
Influenciador declarou que pretende disputar cargo por possuir um 'enorme anseio de ser um guardião da verdade'

Prefeitura de Salvador entrega praça requalificada em Cajazeiras V com novos quiosques e área de lazer
Reforma inclui quiosques, academias, áreas infantis e iluminação em LED, trazendo mais segurança e lazer à comunidade

Sidônio diz que ministros também são responsáveis por queda de popularidade do governo Lula
Ministro destacou que nova campanha publicitária busca melhorar percepção do governo e que função é garantir que população tenha acesso às informações

Supremo cobra parecer da PGR sobre prisão de Jair Bolsonaro após ato no Rio
Despacho foi enviado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet

Andrezza Santos, Marisa Monte, Aila Menezes, Gerônimo, Alexandre Leão, Osba e mais; confira agenda do Portal M!
Confira principais eventos do fim de semana em Salvador e aproveite experiências imperdíveis de lazer

BBB 25: Deborah Secco surpreende brothers, comanda dinâmicas e Renata vira alvo no ‘Queridômetro’
Participação da atriz ocorreu em celebração aos 60 anos da TV Globo

Presidente da Coelba rebate críticas e reforça investimentos bilionários na Bahia: ‘Temos prestado contas’
Thiago Guth afirmou que empresa mantém diálogo constante com as autoridades baianas