Divertidamente 2 levanta debate sobre ansiedade na adolescência
Psicólogos falam sobre introdução de novas emoções nessa fase da vida e como lidar com elas

O filme DivertidaMente 2, que estreou recentemente e já é a terceira bilheteria de uma animação nos Estados Unidos e a maior no Brasil, trata do que se passa na cabeça de Riley, uma menina de 13 anos, que acaba de entrar na conturbada fase da puberdade. Dando prosseguimento ao primeiro filme da franquia – que trazia as emoções Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho -, o segundo longa introduz novos sentimentos: Inveja, Tédio, Vergonha e, capitaneando tudo, Ansiedade.
O tema do filme acendeu o debate em torno da ansiedade na adolescência, seus gatilhos e desdobramentos. O psicólogo clínico e psicoterapeuta, Sérgio Manzione, concedeu entrevista exclusiva ao Portal M! e explicou como o momento de transformação pode ser importante para o desenvolvimento da ansiedade.
“Na adolescência, os jovens acabam apresentando uma grande mudança hormonal e isso pode afetar o humor e também os níveis de ansiedade. É um momento de grande transformação. Outro ponto são as expectativas sociais e esse desejo do jovem de se encaixar e ser aceito. O ser humano necessita de aceitação nos grupos e, enquanto esse processo não ocorre, pode gerar ansiedade”, explicou.
Manzione destacou também o modo com que as redes sociais se inserem na vida dos jovens, tornando-se algo que gera ansiedade. Segundo ele, alguns adolescentes têm predisposição genética a distúrbios de ansiedade e tudo depende do cenário em que cada um está inserido, mas a atual indústria de consumo pode ser fator relevante para ampliar esse quadro.
“As redes sociais, naturalmente, são um elemento muito importante para gerar ansiedade. Porque existe uma constante comparação na rede com padrões definidos, sabe-se lá por quem, e essa exposição excessiva nas telas para os jovens podem contribuir para gerar a ansiedade. Existem pressões que giram na rede e que são muito grandes. Isso, de fato, vai acabar colocando uma ansiedade, padrões de vida, padrões de corpos e muitas coisas que podem influenciar a fase de transição da adolescência”, reforçou.

Sérgio Manzione (Foto: Divulgação)
Introdução de novas emoções
Sobre a introdução de novas emoções em DivertidaMente 2, o psicólogo explicou que o filme desenvolve os personagens de forma ilustrativa. Além disso, ele especificou que nem sempre os seres humanos incorporam novos sentimentos, tudo depende do contexto.
“Não acontece necessariamente dessa forma. O filme acaba colocando as coisas de um jeito assim bem didático, exatamente para que se possa avaliar essas emoções e para a gente saber que elas, de fato, têm uma separação. Mas não necessariamente vai ser dessa forma. A gente acaba não incorporando novos sentimentos, eles podem aparecer. Por exemplo, você pode ter uma depressão na infância e pode não ter na vida adulta, ou vice-versa”, elucidou.
O psicoterapeuta fez uma comparação das emoções em relação ao contexto social que a personagem Reily vive no filme. Sendo assim, a própria ansiedade pode surgir a partir de alguns gatilhos de rejeição, sensação de abandono e o medo de ser deixado para trás. Por outro lado, Manzione pontuou que esses sentimentos são variáveis em cada ser humano.
“Uma determinada situação gera ansiedade e essa mesma situação, para outra pessoa, não acontece nada. Em termos gerais, a ansiedade é exatamente a expectativa da solução de um problema no futuro. Então esse intervalo de tempo até chegar à solução gera essa expectativa e vai gerar ansiedade em torno das possibilidades e das ameaças que você vai encontrar”, relatou.
Importância da psicoterapia no acompanhamento da ansiedade
Sérgio Manzione destacou que a ansiedade pode acontecer como algo natural no cotidiano das pessoas, frisando que “você pode ter ansiedade com o final de uma partida de futebol, isso pode gerar uma ansiedade, mas se acabou a partida, aquela ansiedade some. Essa aí é uma sensação natural, comum”.
Porém, a ansiedade também pode ser determinante para atrapalhar o desempenho da pessoa, seja na vida pessoal ou profissional. Segundo o psicoterapeuta, nessas ocasiões é importante procurar uma avaliação médica.
“Se a ansiedade passa a atrapalhar o desempenho, atividades no trabalho, o convívio familiar, atrapalha para dormir, atrapalha para tudo, então aí precisa de acompanhamento profissional”, declarou.
Nesse cenário, Manzione explicou os meios de ajuda que o acompanhamento médico pode proporcionar aos pacientes. Tudo gira em torno de o ser humano aprender e lidar com a situação que aumenta a ansiedade.
“Um psicólogo entra nessa hora, um psiquiatra entra nessa hora também e principalmente uma avaliação conjunta é muito importante. A medicação vai tirar a pessoa da situação ruim, é como se ela tivesse caído num buraco, e a medicação é um guincho que puxa ela do buraco. Já a psicoterapia vai ensinar essa pessoa a andar por esse caminho esburacado sem cair de novo. Ou seja, a pessoa vai aprender através da terapia a lidar com essas situações que são alarmantes e ameaçadoras”, complementou o psicólogo.
Manzione destaca que as emoções retratadas no filme DivertidaMente 2 compõem a estrutura de todos os seres humanos em qualquer fase da vida. Sobre as mensagens do longa, o psicólogo destaca duas: a importância de lidar com todas as emoções de forma equilibrada e o fato de a alegria exercer uma espécie de liderança sobre as outras.
“A ansiedade, por exemplo, pode desequilibrar tudo. Vai colocar a alegria de lado, puxar a tristeza, pode trazer o medo, que está já na infância, a vergonha. Se houver desequilíbrio das emoções, as outras ficaram presas. Temos que conviver com todas as emoções, não podemos escondê-las e precisamos lidar com elas para que a gente alcançar essa harmonia”, afirma.
Sobre a alegria na liderança, Manzione disse achar o conceito bastante interessante, mas alerta que todo o excesso é perigoso porque pode gerar desequilíbrio. A alegria exagerada, por exemplo, às vezes se relaciona à questão da euforia, que pode estar ligada a um transtorno de humor. Excluídos os excessos, a alegria na liderança é algo positivo, considera o psicólogo.
“Alegria à frente significa que as coisas ficam mais leves, que a gente pode lidar com as coisas com um peso muito menor. A alegria vem na frente, como fiel da balança, para liderar as outras. Quando a alegria some, tem um desequilíbrio. Temos que prestar atenção nesse equilíbrio da gente – e prestar atenção nos outros, não criticar, mas verificar se há comportamentos não usuais e oferecer ajuda. Vamos em frente com equilíbrio das emoções e com a alegria na frente”, completou.
Ansiedade na adolescência está atrelada à busca por novidades
Em entrevista o Portal M!, a psicoterapeuta infanto-juvenil e educadora Parental, Faezeh Shaikhzadeh, da Arvorar Desenvolvimento Humano, explica que a ansiedade é uma emoção similar ao medo e está atrelada diretamente à busca de novidades no período da adolescência.
“Hoje, os estudos mostram as mudanças que ocorrem no cérebro do adolescente e que as mudanças cerebrais, que são mais intensas na idade de 11 a 24 anos, e alguns desses comportamentos dos adolescentes são a busca por novidade. Então a gente vê como o adolescente e essa busca por novidade às vezes faz ele se arriscar mais. Quando ele está buscando coisas novas, a busca da amizade, a importância dos amigos […] Esse senso de pertencimento ou não pertencimento é algo que pode ajudar o desenvolvimento dele ou trazer dificuldades”, destacou.
A busca por identidade, os primeiros relacionamentos amorosos, a influência das amizades, as primeiras conquistas e o aumento de responsabilidades podem ser fatores desencadeantes da ansiedade nos adolescentes.
“Além de fatores como a própria pressão da escola, agendas super lotadas, que a pessoa não tem um tempo pra si, tem as questões que são mais ligadas à adolescência, como a autoimagem. Então, tem uma autocrítica grande. Às vezes, [também influenciam] os padrões que são colocados pela sociedade, padrões de sucesso e padrões de consumo, porque ele tem a necessidade e o desejo de estar em grupo, e muitas vezes ele não se sente pertencente a um grupo, e isso é um grande fator de ansiedade e adoecimento desses adolescentes”, afirmou Faezeh Shaikhzadeh.
Alerta para os pais
Os sintomas físicos da ansiedade são tensão muscular, taquicardia, transpiração em excesso, dor de cabeça e tontura. Se o indivíduo não aprende a lidar com a ansiedade, pode desenvolver síndrome do pânico, fobias específicas ou transtornos alimentares.
A psicoterapeuta infanto-juvenil enfatizou que o afastamento dos pais e amigos, e a recusa de falar sobre as causas de suas aflições são hábitos comuns de adolescentes que estão enfrentando a ansiedade.
Faezeh Shaikhzadeh ressaltou a importância de os pais estarem sempre atentos ao comportamento dos filhos para que possam buscar tratamento psicológico no momento adequado.
“Uma escuta empática e a abertura para ouvir e para acolher ajudam muito. Às vezes, o simples fato de a gente ser escutado por alguém, escutado sem julgamento, é uma forma de ajudar a diminuir a ansiedade e ajudar a pessoa a lidar com a ansiedade. Trazer recursos para eles, como o próprio contato com a natureza, que é algo que a família pode ajudar, levar para um passeio juntos, momentos em família, momentos de alegria juntos, isso tudo também pode ajudar. Então, a família pode ajudar, além de acolher e não minimizar o que o adolescente está sentindo, mas ajudá-lo a se regular”, orienta.
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