Quem é Braga Netto, general preso por obstrução de Justiça
Ex-ministro da Defesa e figura central em atos antidemocráticos tem histórico polêmico na política brasileira

O general da reserva e ex-ministro da Defesa, Walter Souza Braga Netto, foi preso preventivamente, neste sábado (14), sob acusação de obstrução de Justiça. A Polícia Federal o aponta como uma “figura central” em uma tentativa de golpe que incluía o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), e a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
General polêmico e fiel executor
Conhecido por ser um “cumpridor de ordens”, Braga Netto, de 65 anos, construiu uma carreira pautada pela disciplina militar, mas também por atitudes controversas. Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ele ocupou posições estratégicas que o colocaram no centro de polêmicas envolvendo ameaças à democracia e celebrações de momentos obscuros da história brasileira.
Em julho de 2021, como ministro da Defesa, ameaçou condicionar as eleições de 2022 à aprovação do voto impresso. A mensagem, enviada ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), foi revelada pelo jornal Estadão. No mesmo dia, o então presidente Jair Bolsonaro reiterou publicamente a ameaça. “Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”.
Apesar disso, a proposta do voto impresso foi derrubada pelo Congresso.
Defensor do golpe de 1964
Em 31 de março de 2022, Braga Netto, então à frente do Ministério da Defesa, publicou uma ordem do dia que celebrava o golpe militar de 1964 como um “marco histórico da evolução política brasileira”. Segundo ele, os militares agiram para “restabelecer a ordem” e impedir a implantação de um regime totalitário no país — uma visão amplamente contestada por historiadores.
Braga Netto também coordenou a intervenção federal no Rio de Janeiro em 2018, com foco no combate ao crime organizado. Essa experiência o colocou como uma figura de destaque no governo Bolsonaro, onde foi nomeado ministro da Casa Civil em 2020 e, posteriormente, ministro da Defesa em 2021.
Da carreira militar à política
Nascido em Belo Horizonte, Braga Netto ingressou no Exército em 1974. Ele é mestre em Operações Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (1988) e doutor em Estudos Militares pelo Curso de Altos estudos da escola de comando e Estado-Maior do Exército (1994). Sua experiência internacional inclui a atuação como chefe do grupo de observadores militares das Nações Unidas no Timor Leste e como adido militar na Polônia, no Canadá e nos Estados Unidos.
Em 2022, filiou-se ao Partido Liberal (PL) de Bolsonaro e compôs a chapa como candidato a vice-presidente. A filiação foi realizada em um evento fechado, demonstrando a estratégia de manutenção de uma base eleitoral militar e conservadora.
Investigações e prisão de Braga Netto
A prisão de Braga Netto representa um novo desdobramento nas investigações sobre a tentativa de golpe após a eleição de Lula. Segundo a Polícia Federal, ele estaria envolvido na elaboração de planos para desestabilizar a democracia brasileira, incluindo a organização de atos que visavam assassinar líderes políticos e prender opositores.
Uma fonte da PF destacou que a participação do general não se limitou a “cumprir ordens”, mas sim a desempenhar um papel ativo na concepção do plano golpista. Esse fato, aliado à gravidade das ações imputadas, motivou a decretação de sua prisão preventiva.
Repercussão e futuro do general
A prisão de Braga Netto reacendeu o debate sobre a relação entre as Forças Armadas e a democracia no Brasil. Críticos veem o caso como um alerta para o uso político de instituições militares, enquanto aliados ainda evitam comentar publicamente o ocorrido.
Com uma trajetória marcada por lealdade ao Exército e a governos conservadores, Braga Netto se torna agora o centro de um dos maiores escândalos políticos recentes, com impacto direto nas relações institucionais e na percepção pública sobre a influência militar na política brasileira.
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