Queda de popularidade do governo Lula pode ser temporária, mas exige ações, avalia Gilmar Mendes

Ministro destacou que o governo também tem apresentado resultados positivos, como o crescimento econômico de 3% no ano anterior e a redução do desemprego


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 25/02/2025 11:43 • Política
Queda de popularidade do governo Lula pode ser temporária, mas exige ações, avalia Gilmar Mendes - Reprodução / Youtube / Veja+
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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acredita que a recente queda na popularidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode ser superada. Em entrevista à revista Veja, Mendes afirmou que a situação atual é passageira e sugeriu que o governo pode reverter a impopularidade com as ações corretas.

Eu acredito que esse quadro de impopularidade é mais uma fotografia do que um filme. É mais a revelação de um dado momento que exige do governo ações“, declarou.

A aprovação do governo Lula caiu significativamente em fevereiro, atingindo o menor índice de seus três mandatos, passando de 35% para 24%, conforme levantamento do Datafolha. A crise do Pix e o aumento nos preços dos alimentos foram apontados como fatores principais para essa queda. Para Gilmar Mendes, além da inflação e das taxas de juros elevadas, a dificuldade do governo em cortar gastos também tem afetado a avaliação popular.

No entanto, o ministro destacou que o governo também tem apresentado resultados positivos, como o crescimento econômico de 3% no ano anterior e a redução do desemprego. Esses dados indicam que, apesar dos desafios, há indicadores favoráveis à gestão. Mendes acredita que o governo pode reagir e restaurar a confiança da população.

Denúncia contra Bolsonaro e a viabilidade de anistia

Em relação à denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros 33 envolvidos pela tentativa de golpe de Estado, Gilmar Mendes afirmou que, após a acusação formal, a defesa tem o direito de se manifestar. O ministro reforçou que o processo está em andamento e que a defesa deve apresentar seus argumentos em resposta às acusações.

Mendes também abordou a questão da possível anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro, discutida em algumas esferas políticas. O ministro descartou a viabilidade desse projeto, especialmente no caso de Bolsonaro, argumentando que certos crimes cometidos durante os atos são “muito próximos do terrorismo“. Para Mendes, tais ações não devem ser passíveis de perdão, considerando a gravidade dos eventos.

Em entrevista ao Estadão, o ministro reiterou sua posição ao afirmar que não vê condições para que esse debate avance no âmbito jurídico, embora compreenda as discussões políticas em torno do tema.

“Não vejo condições para que esse debate prossiga na vida jurídica, mas entendo a perspectiva política, a ideia de falar-se em exagero judicial, de tentar minimizar os fatos do 8 de Janeiro. Nós não podemos nunca esquecer esses fatos e seus contextos”, afirmou Gilmar Mendes, que destacou a importância de manter a memória dos acontecimentos de 8 de janeiro viva no cenário político e jurídico.

Lula critica pedido de anistia de Bolsonaro

O presidente Lula afirmou, na última quinta-feira (20), que o ex-presidente Jair Bolsonaro demonstra culpa ao defender uma anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Em entrevista à Rádio Tupi FM, Lula destacou que, em vez de tentar provar sua inocência, Bolsonaro busca um perdão antes mesmo de qualquer julgamento.

“Quando o ex-presidente fica pedindo anistia, ele está provando que é culpado, que cometeu crime. Ele devia estar falando que vai provar sua inocência. Não, ele está pedindo anistia. Ele está dizendo: ‘Gente, sou culpado, tentei bolar um plano para matar o Lula, o Alckmin, o Alexandre de Moraes, não deu certo porque tive uma diarreia no dia, fiquei com medo, tive de viajar para os EUA, então me perdoem antes de ser condenado’”, declarou o presidente.

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