Ex-presidente do Banco Central, Meirelles aconselha Galípolo a manter ‘distância técnica’ de Lula: ‘É necessário’
Segundo Meirelles, a proximidade entre Galípolo e Lula gera preocupações no mercado
Antonio Cruz / Agência Brasil
O ex-presidente do Banco Central (BC) durante os dois primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Henrique Meirelles, recomendou que o atual presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, mantenha uma “distância técnica” do atual presidente da República. Em participação no painel da Latin America Investment Conference (LAIC), evento promovido pelo UBS BB, Meirelles afirmou perceber que a proximidade entre Galípolo e Lula gera preocupações no mercado, alimentando dúvidas sobre o compromisso do BC com a meta de inflação de 3%.
“Acho que é importante uma distância técnica… É necessário manter uma distância respeitosa e técnica da presidência da República”, declarou.
Meirelles também sugeriu que Galípolo evite frequentar muitas reuniões com ministros do governo, já que isso contribui para a percepção no mercado de uma maior proximidade com o Executivo, o que pode influenciar as expectativas econômicas. O ex-presidente do BC defendeu que a Selic continue sua trajetória de alta até que o BC consiga consolidar sua credibilidade.
“Se não for suficiente, sobe mais, mesmo que depois tenha que cortar”, afirmou. Segundo ele, a autoridade monetária tem capacidade técnica para alcançar a meta de 3% para a inflação.
Para o ex-ministro, o sucesso do BC depende da percepção do mercado sobre a eficácia de suas ações. “O BC tem que se impor com medidas concretas e técnicas”, afirmou Meirelles, destacando que é essencial demonstrar que o esforço para controlar a inflação não é apenas retórico. Ao conquistar esse respaldo, disse ele, a autarquia “ganha a guerra das expectativas”.
Economia e desafios fiscais até 2026
Meirelles também fez uma análise do cenário econômico brasileiro para os próximos anos, apontando que, embora a elevação da dívida pública crie dificuldades, não há sinais de uma recessão grave como a de 2015 e 2016.
“Ainda não vemos sinais de um processo recessivo grave, como foi em 2015 e 2016. Não vejo sinal de recessão grave, mas não há dúvida que será um período difícil”, comentou o ex-ministro. Ele ressaltou, no entanto, que as discussões sobre a sustentabilidade da dívida e a dominância fiscal continuarão a ser um tema importante para a economia nos próximos anos.
Questionado sobre quais reformas deveriam ser prioritárias para o Brasil, Meirelles defendeu a atualização da reforma da Previdência, dado o aumento da expectativa de vida da população. “O fato de a expectativa de vida média estar subindo aumenta a necessidade de a reforma da Previdência ser atualizada”, explicou.
O ex-ministro foi um dos responsáveis pela reabertura do debate sobre a reforma da Previdência durante o governo Michel Temer, que resultou na aprovação da reforma no início do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Meirelles também destacou a reforma administrativa como essencial para o Brasil. “A reforma administrativa é a reforma mais importante para o Brasil”, afirmou, argumentando que essa reforma é necessária para reduzir o custo da máquina pública e evitar desequilíbrios fiscais com medidas de ajuste pontuais. Segundo ele, sem a reforma administrativa, o país continuará enfrentando dificuldades fiscais e terá de adotar ajustes pontuais que não resolvem a questão estrutural.
Arrecadação federal bate recorde em 2024
A arrecadação de tributos do governo federal alcançou R$ 2,709 trilhões em 2024, o maior valor registrado nos últimos 30 anos, segundo dados da Receita Federal divulgados na terça-feira (28). O montante representa um crescimento real de 9,5% em relação a 2023, já descontada a inflação do período. O desempenho foi impulsionado pelo crescimento econômico, estimado em 3,5% no ano, e por medidas aprovadas no Congresso Nacional, como a taxação de fundos exclusivos, que gerou R$ 13 bilhões, e de offshores, responsáveis por R$ 7,6 bilhões.
Entre os principais fatores que contribuíram para o aumento da arrecadação estão a expansão da produção industrial, o crescimento das vendas de bens e serviços, o avanço da massa salarial e o aumento das importações. A retomada da tributação sobre combustíveis e receitas extraordinárias, como os R$ 4 bilhões arrecadados com IRPJ e CSLL, também ajudaram a elevar os números a patamares inéditos desde 1995.
Arrecadação de dezembro também atinge recorde
Em dezembro, a arrecadação federal somou R$ 261,2 bilhões, um aumento real de 9,62% em relação ao mesmo mês de 2023. A Receita Federal atribui o resultado ao desempenho da economia e ao impacto da volta da tributação sobre combustíveis e fundos exclusivos. O crescimento de 14,84% no recolhimento do IRPJ e da CSLL, impulsionado pelo aumento de 14,93% na arrecadação da estimativa mensal, também contribuiu para o recorde mensal.
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