Anvisa autoriza estudo inédito com medicamento brasileiro que pode mudar tratamento de lesão na medula
Pesquisa brasileira vai avaliar segurança de tratamento inovador em pacientes com trauma raquimedular agudo
Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou início de estudo clínico — Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, na última segunda-feira (5), o início de um estudo clínico que vai avaliar a segurança do uso do medicamento polilaminina no tratamento de pacientes com trauma raquimedular agudo, condição caracterizada por lesões na medula espinhal ou na coluna vertebral. A ação representa um avanço significativo para a pesquisa científica nacional na área da saúde. As informações são da Agência Brasil.
Durante o anúncio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a importância da autorização e afirmou que o estudo pode representar um divisor de águas para pessoas que convivem com lesões medulares e para suas famílias. Segundo ele, cada etapa vencida na pesquisa científica renova a esperança de tratamentos mais eficazes no futuro.
Padilha destacou ainda que o medicamento é resultado de uma inovação desenvolvida integralmente no Brasil, com tecnologia nacional. A pesquisa sobre a polilaminina é conduzida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a coordenação da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório farmacêutico Cristália.
“Cada avanço científico é sempre uma nova esperança renovada”, disse Padilha.
Estudos indicam resultados promissores
De acordo com o Ministério da Saúde, os estudos pré-clínicos já indicaram resultados promissores relacionados à recuperação de movimentos em modelos experimentais. Agora, a pesquisa entra em uma nova fase, com a realização do primeiro ensaio clínico em seres humanos. Inicialmente, cinco pacientes voluntários com lesões agudas da medula espinhal torácica, entre as vértebras T2 e T10, participarão do estudo.
Para integrar a pesquisa, os voluntários precisam ter indicação cirúrgica e a intervenção deve ocorrer em até 72 horas após a lesão. Os locais onde o estudo será realizado ainda serão definidos pela empresa responsável pela condução do ensaio clínico. Ao longo do desenvolvimento do projeto, o Ministério da Saúde informou ter investido recursos públicos na etapa de pesquisa básica.
A Anvisa informou que a autorização do estudo foi tratada como prioridade pelo comitê de inovação da agência. Segundo o diretor-presidente do órgão, Leandro Safatle, a decisão teve como objetivo acelerar pesquisas consideradas estratégicas e de grande interesse público.
Safatle destacou que a polilaminina é uma proteína presente em diferentes espécies animais, incluindo os seres humanos, e que o foco inicial da pesquisa é avaliar a segurança do medicamento, além de identificar eventuais riscos associados ao seu uso. A partir desses dados, será possível decidir sobre a continuidade do desenvolvimento clínico do tratamento.
A empresa patrocinadora do estudo será responsável por monitorar e registrar todos os eventos adversos que possam ocorrer durante o ensaio, incluindo aqueles classificados como não graves. O acompanhamento rigoroso faz parte dos protocolos exigidos para garantir a segurança dos participantes envolvidos na pesquisa.
A autorização marca mais um passo no fortalecimento da ciência brasileira e abre caminho para futuras alternativas terapêuticas no tratamento de lesões da medula espinhal, uma condição que ainda impõe grandes desafios à medicina.
Anvisa reforça papel estratégico na atualização de vacinas
Além de autorizar estudos clínicos inovadores, como o ensaio com a polilaminina para tratamento de lesões na medula espinhal, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também atua de forma contínua na atualização de vacinas utilizadas no Brasil. Na última semana, o órgão definiu as cepas que vão compor os imunizantes contra a gripe aplicados no país em 2026, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e levando em conta as mutações do vírus influenza em circulação.
A atualização anual das vacinas é considerada essencial para garantir maior eficácia na proteção da população, já que o vírus sofre alterações frequentes em suas proteínas de superfície, o que permite escapar da imunidade adquirida em campanhas anteriores.
Segundo especialistas da área, as novas formulações previstas para 2026 contemplam cepas atualizadas de influenza A H1N1, H3N2 e influenza B, com versões específicas para os hemisférios Norte e Sul, respeitando diferenças epidemiológicas e sazonais. A atuação da Anvisa, tanto na regulação de pesquisas clínicas quanto na definição de vacinas, reforça o papel da agência no fortalecimento do sistema de saúde e no estímulo à ciência nacional.
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