‘Todos para a vala’: Bolsonaro reage a fala de Jerônimo, oposição se revolta, pede impeachment e faz denúncia ao STF
Governador também recebeu duras críticas de aliados do ex-presidente nas redes sociais e no Congresso Nacional
Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A declaração do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), de que os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) poderiam ir “todos para a vala” provocou forte reação de parlamentares da oposição na Bahia e no Brasil. O episódio gerou um pedido de impeachment na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), uma representação no Supremo Tribunal Federal (STF) e duras críticas de aliados do ex-presidente nas redes sociais e no Congresso Nacional.
Jerônimo critica Bolsonaro e eleitores
O governador causou polêmica, na última sexta-feira (2), ao afirmar que os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “poderiam ir todos para a vala”. A declaração foi feita pelo petista durante a inauguração da Escola Estadual Nancy da Rocha Cardoso, em América Dourada, no Centro-Norte do Estado
Durante o discurso, Jerônimo Rodrigues criticava a condução do ex-presidente durante a pandemia da Covid-19. “Tivemos um presidente que sorria daqueles que estavam na pandemia, sentindo falta de ar. Ele vai pagar essa conta dele, e quem votou nele podia pagar também a conta”, disse o governador.
“Bota uma enchedeira. Sabe o que é? Uma retroescavadeira. Bota e leva tudo para a vala”, bradou Jerônimo.
A fala foi interpretada por diversos parlamentares como incitação à violência política, desencadeando reações contundentes da base bolsonarista na Bahia e no Brasil.
Bolsonaro classifica fala como ‘discurso de ódio’
Em publicação no X (antigo Twitter) nesta segunda-feira (5), Bolsonaro classificou a declaração como discurso de ódio. “Um discurso carregado de ódio, que em qualquer cenário civilizado deveria gerar repúdio imediato e ações institucionais firmes. Mas nada aconteceu”, iniciou.
“Esse tipo de discurso, vindo de uma autoridade de Estado, não apenas normaliza o ódio como incentiva o pior: a violência política, o assassinato moral e até físico de quem pensa diferente. É a institucionalização da barbárie com o verniz de ‘liberdade de expressão progressista'”, complementou.
De acordo com o ex-presidente, a verdadeira ameaça à democracia “está no alto da cadeia de poder, onde os que gritam por ‘tolerância’ e ‘combate às fake news’ são os mesmos que, na prática, incitam o ódio, mentem descaradamente e permanecem blindados por um sistema que escolheu lado”.
“O padrão é claro: só há crime quando convém ao sistema, só há repressão quando o alvo é a oposição”, finalizou Bolsonaro.
Diego Castro denuncia Jerônimo Rodrigues ao STF
O deputado estadual Diego Castro (PL) protocolou uma representação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Jerônimo Rodrigues. Segundo ele, a fala do governador ultrapassa os limites da liberdade de expressão. “Repudiamos com veemência qualquer declaração que incite ódio, violência ou desrespeito à vida de quem pensa diferente”.
“O governador da Bahia sugerir ‘mandar para vala com enchedeira os eleitores de Bolsonaro’ é gravíssimo e inadmissível”, lamentou.
Castro acusou o governador de fazer uso da estrutura pública para atacar adversários. “Jerônimo Rodrigues tem ultrapassado os limites do debate democrático ao atacar o presidente Jair Bolsonaro com falas carregadas de ódio e inverdades. Em vez de governar com responsabilidade, opta por usar a máquina pública para alimentar uma narrativa de perseguição contra seus opositores.”
Leandro de Jesus protocola pedido de impeachment
Também aliado de Bolsonaro, o deputado estadual Leandro de Jesus (PL) apresentou, na manhã desta segunda-feira (5), um pedido de impeachment de Jerônimo Rodrigues na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). No documento, ele afirma que a declaração do governador representa uma ameaça direta à integridade física dos opositores.
“Tal manifestação do governador, revestida de nítido conteúdo simbólico e literal de incitação à violência, extrapola os limites da liberdade de expressão, configurando potencial estímulo à eliminação física de opositores políticos”.
Leandro apontou ainda que a fala do governador fere dispositivos constitucionais. “A frase representa incitação à violência política contra os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, configurando discurso de ódio e grave ameaça ao exercício dos direitos políticos e individuais dos cidadãos”.
Além do pedido de impeachment, o parlamentar protocolou uma Notícia de Fato junto ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), solicitando apuração cível, administrativa e, se aplicável, penal da fala do governador petista.
Capitão Alden protocola moção de repúdio
O deputado federal Capitão Alden (PL-BA) também reagiu. Ele afirmou que Jerônimo Rodrigues tem promovido o que chamou de “ódio do bem” e que sua gestão está marcada pela violência crescente no Estado. O parlamentar também anunciou que apresentou uma moção de repúdio na Câmara dos Deputados pela fala do governador.
“Essa é a galera do amor, que prega o ‘ódio do bem’! Jerônimo Rodrigues durante pronunciamento em América Dourada fez discurso de ódio contra bolsonaristas. A Bahia está banhada em sangue por conta de sua incompetência e ainda fica pregando o ódio e a violência”.
João Roma critica ‘fala desastrosa’
O ex-ministro e presidente estadual do PL, João Roma, também se manifestou de forma incisiva. Em entrevista à rádio CBN Salvador, classificou a fala do governador como “desastrosa”.
“O governador Jerônimo externou, nessa sua fala desastrosa, um atentado. É uma decepção que foge à civilidade. Ele deveria respeitar as pessoas e tratar de governar a Bahia, coisa que ele não tem feito.”
Roma reforçou que o governo petista tem recorrido ao “escapismo” para evitar discutir seus próprios fracassos administrativos. “Só tem um engano na fala de Jerônimo: é que o prazo de validade do PT já passou. Ele é uma marionete que fica passeando e distribuindo sorrisos, enquanto o Estado afunda em violência e falhas na educação”, concluiu.
Nikolas Ferreira diz que Jerônimo propaga ‘ideologia genocida’
Outras lideranças do PL no Brasil também criticaram a fala do governador petista. Entre eles está o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que classificou a declaração de Jerônimo como expressão de uma ideologia violenta. “Quando eu digo que, se pudesse, esse pessoal matava a gente, duvidam. São movidos por uma ideologia genocida”, ressaltou em sua conta oficial do X.
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