Lula defende presunção de inocência a Bolsonaro e demais indiciados por golpe de Estado: ‘Se provarem, ficarão livres’
Presidente ressaltou que caberá ao STF decidir o destino dos denunciados
Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta quarta-feira (19), a presunção de inocência para os denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suposta tentativa de golpe de Estado. Caso o Supremo Tribunal Federal (STF) aceite a denúncia, os acusados passarão a responder como réus no processo. As informações são da Agência Brasil.
“A decisão de ontem é uma decisão da PGR. Ele [procurador-geral da República, Paulo Gonet] indiciou as pessoas. Eu não vou comentar um processo que está na Justiça. A única coisa que eu posso dizer é que nesse país, no tempo em que eu governo, todas as pessoas têm direito a presunção de inocência“, afirmou.
O presidente ressaltou que caberá ao STF decidir o destino dos denunciados. “Se eles provarem que não tentaram dar golpe e não tentaram matar o presidente, o vice e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, eles ficarão livres e serão cidadãos que poderão transitar pelo Brasil inteiro. Se na hora que o juiz for julgar e chegar à conclusão que eles são culpados, eles terão que pagar pelo erro que cometeram“, disse.
Processo será avaliado pelo STF
A denúncia, caso aceita, será julgada pela Primeira Turma do STF. Entretanto, há pressões para que o caso seja levado ao plenário da Corte, devido à sua relevância. Lula reforçou que não comentaria o trâmite judicial.
“É apenas o indiciamento. O processo vai ao Supremo, e eles terão todo o direito de se defender. É só isso, não posso comentar mais nada do que isso“, finalizou.
Acusações contra Bolsonaro
A PGR denunciou Bolsonaro por suposta participação em uma trama para permanecer no poder após ser derrotado nas eleições de 2022. A denúncia, apresentada pelo procurador-geral Paulo Gonet, inclui crimes como organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
Segundo a PGR, Bolsonaro “liderou a organização criminosa” responsável pela tentativa de golpe. O ex-presidente nega as acusações.
Bolsonaro diz que denúncia da PGR é ‘truque’
Como mostrado pelo Portal M!, o ex-presidente se pronunciou, na tarde desta quarta-feira (19), sobre a denúncia apresentada pela PGR. Em publicação em seu perfil no X (antigo Twitter), Bolsonaro comparou o processo a “cartilha conhecida” aplicada em regimes autoritários, como os de Venezuela, Cuba e Bolívia.
Em sua defesa, o ex-presidente afirmou que, em regimes autoritários, é necessário fabricar inimigos internos para justificar perseguições, censuras e prisões arbitrárias. Ele também reforçou que as acusões vagas são usadas por regimes para “silenciar vozes dissidentes” e concentrar o poder.
“Fabricam acusações vagas, se dizem preocupados com a democracia ou com a soberania, e perseguem opositores, silenciam vozes dissidentes e concentram poder”, afirmou.
A PGR aponta que Bolsonaro teria analisado e solicitado alterações em uma minuta golpista. O documento incluía a prisão de ministros do STF, como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Investigação aponta tentativa de interferência nas eleições
As investigações indicam que Bolsonaro pediu a retirada dos nomes de Gilmar Mendes e Rodrigo Pacheco do documento. A prisão de autoridades fazia parte de um plano para interferir nas eleições de 2022 e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, segundo Bolsonaro, teria tomado decisões “inconstitucionais” contra ele.
Defesa do ex-presidente critica denúncia
Os advogados de Bolsonaro classificaram a denúncia como “inepta” e baseada em uma única delação. “A inepta denúncia chega ao cúmulo de lhe atribuir participação em planos contraditórios entre si e baseada numa única delação premiada, diversas vezes alteradas, por um delator que questiona a sua própria voluntariedade. Não por acaso ele mudou sua versão por inúmeras vezes para construir uma narrativa fantasiosa“, afirmou a defesa.
Os advogados sustentam que Bolsonaro jamais participou de qualquer movimento contra o Estado Democrático de Direito.
“O [ex-] presidente jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou as instituições que o pavimentam“, declararam.
Segundo a defesa, não há elementos que conectem Bolsonaro às acusações.
“Em quase dois anos de investigações, nenhum elemento que conectasse minimamente o presidente à narrativa construída na denúncia foi encontrado“, alegaram.
A equipe jurídica também contestou a falta de evidências concretas. “Não há qualquer mensagem do então presidente da República que embase a acusação, apesar de uma verdadeira devassa que foi feita em seus telefones pessoais“, afirmaram os advogados.
Por fim, a defesa expressou confiança no desfecho do caso. “Jair Bolsonaro confia na Justiça e, portanto, acredita que essa denúncia não prevalecerá por sua precariedade, incoerência e ausência de fatos verídicos que a sustentem perante o Judiciário“, concluiu.
Mais Lidas
‘O MDB não abre mão da posição da vice’, diz Geddel após almoço com Jerônimo
Política
‘O MDB não abre mão da posição da vice’, diz Geddel após almoço com Jerônimo
Últimas Notícias
Hugo Calderano conquista Copa América e garante vaga no Mundial de Macau
Câmara aprova criação de cargos em ministérios com impacto de até R$ 5,3 bilhões em 2026
Matéria reúne diferentes propostas de iniciativa do Poder Executivo e foi aprovada em votação simbólica, sem o registro individual do posicionamento dos parlamentares
Senado aprova MP do Gás do Povo com impacto de R$ 5,1 bilhões no Orçamento; texto segue para sanção de Lula
Programa amplia alcance do vale-gás e prevê novas regras para revendas
Aleluia aponta ‘omissão’ do PT na segurança pública e diz que crime organizado impõe regras na Bahia
Ex-deputado cita atuação do crime organizado, mortes e aponta suposta falta de prioridade do governo estadual sobre o tema da segurança pública
Ação de Carnaval com Aline Patriarca agita o BBB 26 em dia de definição do paredão
Música, comida e brincadeiras marcam ação carnavalesca às vésperas da eliminação
Carballal diz que decisão sobre candidatura está nas mãos de Jerônimo e minimiza saída de Coronel da base
De acordo com o presidente da CBPM, o próprio governador já sinalizou que uma conversa sobre o cenário político ocorrerá em um 'momento adequado'
‘O MDB não abre mão da posição da vice’, diz Geddel após almoço com Jerônimo
Ao Portal M!, ex-ministro garante que 'tempo de negociar participação em chapa com o MDB passou'
Lídice articula reunião da bancada baiana com o Ministério da Agricultura para enfrentar crise do cacau
Parlamentar aponta falhas na fiscalização fitossanitária e deságio imposto por indústrias importadoras
CPMI do INSS amplia investigação e envolve filho de Lula e entorno de Flávio Bolsonaro
Quebras de sigilo e requerimentos colocam aliados de PT e PL no centro das apurações sobre fraudes em descontos e consignados
Prefeitura entrega nova contenção em Plataforma e amplia proteção contra deslizamentos em Salvador
Com investimento de R$4,5 milhões, a intervenção foi executada para reforçar a segurança de moradores e comerciantes, especialmente durante o período de chuvas
Alex da Piatã nega crise no PSD e reforça liderança de Otto Alencar após saída de Coronel
Deputado destaca coesão da legenda após saída de Angelo Coronel e descarta interferência de Gilberto Kassab sem aval do comando baiano