EUA cancelam vistos da mulher e da filha de Alexandre Padilha em nova ofensiva contra o Mais Médicos

Ministro da Saúde não foi afetado, pois seu visto já estava vencido


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 15/08/2025 19:28 • Política
EUA cancelam vistos da mulher e da filha de Alexandre Padilha em nova ofensiva contra o Mais Médicos - Walterson Rosa/MS
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O consulado dos Estados Unidos em São Paulo comunicou ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o cancelamento dos vistos de sua mulher e de sua filha. A medida segue ação do Departamento de Estado americano que, na última quarta-feira (13), revogou vistos de funcionários ligados ao programa Mais Médicos. Padilha não foi afetado, pois seu visto já estava vencido.

Os comunicados enviados informam que “surgiram informações de que o senhor pode estar inelegível para o visto”. O texto detalha as condições da revogação:

“Caso esteja atualmente fora dos Estados Unidos, a revogação do visto tem efeito imediato e o (a) senhor (a) não poderá viajar com o seu visto americano atual. Se estiver fisicamente presente nos Estados Unidos, a revogação do visto entrará em vigor imediatamente após a sua partida. Caso tenha intenção de viajar para os Estados Unidos, o (a) senhor (a) deverá solicitar um novo visto”.

Revogação de vistos por Washington

Na quarta-feira (13), o Departamento de Estado anunciou que revogaria vistos de autoridades brasileiras e ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) envolvidos na contratação de médicos cubanos para o Mais Médicos. A medida atingiu, entre outros, Mozart Júlio Tabosa Sales e Alberto Kleiman. O governo dos EUA afirmou que ambos “trabalharam no Ministério da Saúde do Brasil durante o programa Mais Médicos e desempenharam um papel no planejamento e na implementação do programa”.

Mozart Tabosa Sales é atualmente secretário de Atenção Especializada à Saúde e mantém proximidade com Padilha. Alberto Kleiman atua como coordenador-geral para a COP30 na Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), entidade intergovernamental de países com território amazônico.

O programa Mais Médicos foi implementado em 2013, no governo de Dilma Rousseff, para levar profissionais de saúde a regiões com carência de médicos. Na época, Alexandre Padilha ocupava o cargo de ministro da Saúde, e as pessoas atingidas pela decisão recente atuavam com ele no projeto.

Antes da medida envolvendo autoridades da saúde, o governo americano havia revogado, em 18 de julho, vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal, incluindo Alexandre de Moraes. As decisões são parte de uma política mais ampla do Departamento de Estado voltada a restrições de vistos de servidores e ex-funcionários que atuaram em programas do governo brasileiro considerados controversos por Washington.

Padilha criticou a ação em entrevista à GloboNews Mais, destacando o impacto sobre sua filha de 10 anos.

“As pessoas que fazem isso e o clã Bolsonaro, que orquestra isso, têm que explicar. Não para mim, não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro: qual o risco de uma criança de 10 anos de idade pode ter para o governo americano? Estou absolutamente indignado com essa atitude covarde”, afirmou.

O ministro reforçou que a filha sequer havia nascido quando o Mais Médicos foi criado. “Minha filha tem 10 anos e ela sequer tinha nascido quando eu criei o Programa Mais Médicos – e com muito orgulho. Criei esse programa em 2013 e, para criar, eu e minha equipe fomos em vários países do mundo para ver o que o mundo fazia para trazer médicos para áreas que não tinham condições”, disse Padilha.

Padilha defende continuidade do Mais Médicos

Horas após a revogação dos vistos de integrantes do governo brasileiro ligados ao Programa Mais Médicos ser divulgada, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, se manifestou nas redes sociais em defesa do programa. Ele classificou a medida como “ataques injustificáveis” e afirmou que o Mais Médicos continuará funcionando independentemente das pressões internacionais.

“O programa salva vidas e é aprovado por quem mais importa: a população brasileira. Não nos curvaremos a quem persegue as vacinas, os pesquisadores, a ciência e, agora, duas das pessoas fundamentais para o Mais Médicos na minha primeira gestão como ministro da Saúde, Mozart Sales e Alberto Kleiman”, publicou.

Padilha também destacou que, nos últimos 2 anos, o número de profissionais no programa dobrou, ampliando a cobertura de atendimento em áreas antes desassistidas. “Temos muito orgulho de todo esse legado que leva atendimento médico para milhões de brasileiros que antes não tinham acesso à saúde. Seguiremos firmes em nossas posições: saúde e soberania não se negociam. Sempre estaremos do lado do povo brasileiro”, completou.

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