Desaprovação de Lula atinge 50% e marca fim da lua de mel com eleitores, aponta Quaest
Após quatro meses de melhora, avaliação do presidente recua com críticas à segurança pública e operação no Rio
Bruno Peres/Agência Brasil
A pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (12), mostra que a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou de melhorar após quatro meses consecutivos de tendência positiva. Segundo o levantamento, 50% dos brasileiros desaprovam a gestão do petista, enquanto 47% aprovam e 3% não souberam ou preferiram não responder. Desde julho, a aprovação de Lula vinha oscilando dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para cima, e a desaprovação, para baixo.
Na rodada de novembro, o cenário se inverteu: a aprovação caiu um ponto (de 48% para 47%) e a desaprovação subiu (de 49% para 50%). De acordo com a Quaest, a reversão está relacionada à pauta da segurança pública, especialmente após a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, e às declarações de Lula que classificou como “desastrosa” e “matança”, que geraram repercussão negativa.
Segurança pública freia tendência positiva e afeta eleitorado independente
Para o diretor do instituto, Felipe Nunes, a recente alta na desaprovação está diretamente ligada à repercussão das falas de Lula sobre a operação no Rio.
“As falas de Lula sobre a operação no Rio repercutiram mal. No país, 81% discordaram da declaração sugerindo que traficantes seriam ‘vítimas dos usuários’ — proporção semelhante à vista no RJ há uma semana”, disse Felipe.
A Quaest destaca que, desde julho, a aprovação do governo vinha subindo dentro da margem de erro, enquanto a desaprovação caía. Agora, o quadro se inverteu, configurando novamente um empate técnico, mesmo cenário observado em outubro.
De acordo com Nunes, três fatores explicam o resultado:
- Lado positivo: a melhora na percepção sobre a inflação, com queda de 63% para 58% entre os que dizem que os preços subiram — o menor índice desde dezembro de 2023; e o encontro de Lula com Donald Trump, considerado positivo por 45% dos entrevistados, enquanto 30% acharam que o presidente saiu enfraquecido.
- Lado negativo: as declarações sobre a operação no Rio, rejeitadas por 81% dos brasileiros, que discordaram da fala sobre traficantes, e por 57%, que reprovaram a afirmação de que a operação foi “desastrosa”.
Para o diretor da Quaest, o fim da lua de mel ocorreu principalmente entre o eleitorado independente — aqueles que não se identificam nem com Lula, nem com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Se o tarifaço mudou a trajetória da aprovação a favor do Lula, a pauta da segurança pública interrompeu a lua de mel tardia do governo com o eleitorado independente”, afirmou Nunes.
Em outubro, havia empate técnico entre aprovação (46%) e desaprovação (48%) entre esses eleitores. Em novembro, a desaprovação subiu para 52%, e a aprovação caiu para 43%, diferença que não se via desde agosto de 2025. A margem de erro para esse grupo é de quatro pontos percentuais.
Perfil do eleitorado e recorte por segmentos
A pesquisa mostra que a avaliação de Lula piorou entre pessoas com renda familiar acima de dois salários mínimos. Em outubro, havia empate técnico entre quem ganhava mais de dois até cinco salários mínimos e entre quem ganhava mais de cinco. Agora, a desaprovação supera a aprovação em ambos os grupos.
- Renda acima de 5 salários mínimos: 56% desaprovam e 42% aprovam (antes, havia empate técnico).
- Renda entre 2 e 5 salários mínimos: 53% desaprovam e 45% aprovam (antes, empate técnico).
Entre as mulheres, houve empate técnico: 51% aprovam e 46% desaprovam o governo. Em outubro, a aprovação era maior. A margem de erro nesse segmento é de três pontos percentuais.
Entre os católicos, o cenário também voltou ao equilíbrio: 50% aprovam e 47% desaprovam, revertendo a vantagem anterior da aprovação.
Regionalmente, as variações ficaram dentro ou no limite da margem de erro em relação ao levantamento de outubro.
Avaliação geral do governo
O levantamento também mediu a percepção dos eleitores sobre a gestão como um todo. 31% avaliam o governo Lula como positivo (eram 33% em setembro), 38% o consideram negativo (eram 37%) e 28% o classificam como regular (eram 27%). Outros 3% não souberam ou não responderam.
A diferença entre aprovação e desaprovação geral está agora em três pontos percentuais, contra um ponto na pesquisa anterior. Entre fevereiro e setembro, a desaprovação havia sido maior, chegando a uma diferença de 17 pontos em maio, quando 57% reprovavam e 40% aprovavam o governo.
Em dezembro de 2024, o cenário era inverso: 52% aprovavam e 47% desaprovavam a gestão.
Opinião pública sobre segurança e política externa
A Quaest também investigou percepções sobre temas recentes que impactaram a popularidade presidencial:
- 67% dos brasileiros aprovam a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha.
- 57% discordam da declaração de Lula de que a operação foi desastrosa.
- A preocupação com a violência aumentou de 30% para 38%.
- 45% acreditam que Lula saiu mais forte após o encontro com Trump.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre 6 e 9 de novembro de 2025. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
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