2 de fevereiro: Dia de Iemanjá transforma Rio Vermelho em mar de fé, branco e azul nos 104 anos da celebração
Atabaques, alfazema e rosas marcam festa em Salvador na saudação à Rainha do Mar e mãe de todos orixás
Jefferson Peixoto/PMS
Uma das mais tradicionais celebrações da Bahia, o Dia de Iemanjá toma conta do bairro do Rio Vermelho, em Salvador, nesta segunda-feira (2). Em 2026, a festa — considerada a maior manifestação pública das religiões de matriz africana no país — completa 104 anos, com o tema “Yemanjá: a Mãe que Ilumina a todos nós!”, reunindo milhares de mães e pais de Santo, turistas e admiradores para homenagear a Rainha do Mar, orixá associada à maternidade, à proteção e ao acolhimento.
Desde a madrugada, o Rio Vermelho se transforma em um grande território de fé e ancestralidade. O som dos atabaques, o predomínio da cor branca, o perfume das rosas e o cheiro marcante da alfazema tomam conta das ruas e da orla do bairro boêmio, criando uma atmosfera única de devoção e celebração. Organizada pela Prefeitura de Salvador em parceria com a Colônia de Pescadores Z1, a festa mobiliza milhares de baianos, turistas e adeptos do candomblé e da umbanda, que ocupam a Praia da Paciência e seu entorno para saudar Iemanjá, em um dos rituais mais simbólicos e emocionantes do calendário cultural da capital baiana.
Na véspera, ainda na noite deste domingo (1º), a cidade já entra em clima de celebração com a entrega do presente de Oxum no Dique do Tororó, orixá das águas doces, rios e cachoeiras, celebrada como a Rainha da Água Doce, senhora da fertilidade, amor, beleza e riqueza. O ritual que abre oficialmente os trabalhos espirituais e prepara Salvador para o grande dia de homenagens à Mãe das Águas Salgadas.
Origem da Festa de Iemanjá e sua relação com Rio Vermelho
A Festa de Iemanjá tem suas origens nos cultos africanos trazidos ao Brasil durante o tráfico transatlântico, especialmente pelos povos de origem iorubá. Inicialmente, as homenagens eram dedicadas inicialmente às divindades das águas doces, como rios e lagoas, e não possuíam uma data fixa. Em Salvador, a celebração se consolidou no bairro do Rio Vermelho, onde pescadores passaram a oferecer presentes à orixá em busca de proteção, fartura na pesca e segurança no mar.
A partir de 1924, o dia 2 de fevereiro se firmou como data oficial da festa, que cresceu ao longo das décadas até se tornar um dos maiores eventos religiosos do país. O nome Iemanjá, também grafado como Yemanjá ou Iemanjá, deriva da expressão iorubá “Yéyé Omó Ejá”, que significa “mãe cujos filhos são peixes”. A orixá é associada à maternidade, proteção, fertilidade, geração da vida e acolhimento, sendo considerada a grande mãe dos orixás e protetora dos pescadores.
Oxum e Iemanjá: encontro simbólico das águas doces e salgadas
Antes das homenagens à Rainha do Mar, a tradição determina que a Rainha das Águas Doces, Oxum, seja saudada. Por isso, a entrega do presente de Oxum, realizada na véspera da Festa de Iemanjá, tem papel fundamental dentro do calendário religioso.
Oxum é a orixá associada ao amor, à fertilidade, à prosperidade, à sensibilidade, ao equilíbrio emocional e à riqueza espiritual. A entrega de seu presente simboliza a purificação dos caminhos, a harmonização das energias e a preparação espiritual da cidade para receber Iemanjá.
Esse ritual reforça a ligação entre rios, lagoas e o mar, mostrando que as águas doces e salgadas fazem parte de um mesmo ciclo sagrado dentro das religiões de matriz africana.
Presente de Oxum no Dique do Tororó abre oficialmente rituais
A programação religiosa tem início neste domingo (1º), com a entrega do presente de Oxum no Dique do Tororó, um dos pontos de águas doces mais simbólicos de Salvador.
Como funciona o ritual
O cortejo sairá, às 23h10, do Terreiro Olufanjá (Ilê Axê Iyà Olufandê), no bairro do Beiru, (na Rua Alagoas, nº 94-E) e seguem em direção ao Dique do Tororó. A condução envolve filhos de santo, pescadores, devotos e grupos culturais, acompanhados por manifestações musicais tradicionais.
O presente é depositado à meia-noite nas águas do Dique, marcando oficialmente a abertura espiritual da Festa de Iemanjá. Nos últimos anos, o ritual tem atraído cada vez mais público, incluindo fiéis de outras religiões e turistas, ampliando o alcance cultural da celebração.
O Dique do Tororó foi escolhido por sua proximidade com diversos terreiros e por sua forte ligação simbólica com as águas doces. A tradição do ritual remonta à década de 1990, quando uma promessa feita por uma moradora da região deu origem à prática anual.
Madrugada da fé: entrega do presente principal de Iemanjá no Rio Vermelho
Nesta segunda-feira (2), ainda de madrugada, ocorre o momento mais aguardado da festa: a entrega do presente principal de Iemanjá.
Etapas do ritual
- 4h30 – Saída do presente do galpão da Colônia de Pescadores Z1
- 5h – Chegada à Praia de Santana, com a tradicional alvorada de fogos
- O presente permanece no carramanchão até as 16h, período destinado à entrega de flores, perfumes e oferendas
- Após esse horário, o balaio é conduzido pelos pescadores até a embarcação
- O cortejo marítimo segue até o Buraco de Iaiá, a cerca de três milhas náuticas da costa, onde o presente é lançado ao mar
Durante todo o dia, os pescadores organizam a Casa de Iemanjá e o Barracão, orientando fiéis e visitantes, controlando filas e garantindo a preservação dos rituais.
Significado das cores, flores e oferendas na Festa de Iemanjá
Nada na Festa de Iemanjá é aleatório. Cores, flores e objetos carregam significados profundos ligados à espiritualidade afro-brasileira.
Significado das cores
- Branco: simboliza paz, purificação, espiritualidade e harmonia; é a cor mais usada pelos fiéis
- Azul: representa o mar, a serenidade, a proteção e o equilíbrio emocional
- Azul-claro e tons pastel: associados à maternidade, acolhimento e calma
- Prateado: ligado ao mistério, à intuição e ao brilho da lua sobre o mar
- Verde-água e turquesa: reforçam a conexão com a natureza e as águas
Flores e objetos
- Rosas brancas e azuis: simbolizam devoção, paz e beleza
- Perfumes: representam o agrado e o cuidado com a orixá
- Espelhos e joias: associados à vaidade, ao brilho e à identidade de Iemanjá
Festa plural: fé, turismo e participação popular
A Festa de Iemanjá reúne adeptos do candomblé, da umbanda, católicos, evangélicos, espiritualistas e pessoas sem vínculo religioso, além de turistas que visitam Salvador especialmente para a data. Vestidos majoritariamente de branco e azul, fiéis ocupam as ruas e praias do Rio Vermelho desde a madrugada.
A celebração também simboliza a resistência das religiões de matriz africana, historicamente perseguidas, e reafirma o direito à liberdade religiosa e à preservação da memória afro-brasileira.
Programação cultural e festas paralelas movimentam o Rio Vermelho
Além dos rituais religiosos, a Festa de Iemanjá 2026 conta com uma ampla agenda cultural:
Agenda de eventos
Baile Azul e Branco – Ano IV
- Varanda do Sesi – Rio Vermelho
- 1º de fevereiro
- 20h30
Iemanjá na Casa Rosa
- Casa Rosa – Praça Colombo
- 2 de fevereiro
- 13h às 20h
Iemanjá Blue 2026
- Blue Praia Bar
- 2 de fevereiro
- 10h às 19h
Iemanjá Pai Inácio 2026
- Pai Inácio – Rio Vermelho
- 2 de fevereiro
- 10h
Som das Águas
- Bombar – Rio Vermelho
- 2 de fevereiro
- 10h às 22h
Dos Mares
- Principote Salvador
- 2 de fevereiro
- 12h às 20h
Enxaguada de Yemanjá
- Villa Caramuru
- 2 de fevereiro
- 16h
Patrimônio Cultural Imaterial e apoio do poder público
Registrada oficialmente em 2020 como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador, a Festa de Iemanjá conta com ações de salvaguarda, restauro de imagens, preservação de embarcações e apoio logístico do poder público. A Prefeitura montou um esquema especial de trânsito, transporte e ordenamento urbano, com reforço no transporte coletivo, ampliação do BRT, pontos específicos para táxis e mototáxis e estacionamentos de apoio, garantindo segurança e fluidez durante a celebração.
Resumo da fé que atravessa gerações
A Festa de Iemanjá é, acima de tudo, um ritual de memória, resistência e devoção. Ao unir a entrega do presente de Oxum no Dique do Tororó e a grande celebração no Rio Vermelho, Salvador reafirma sua identidade ligada às águas, à ancestralidade africana e à diversidade religiosa.
Em 2026, a Rainha do Mar volta a ser saudada por milhares de mãos, flores e pedidos, mantendo viva uma tradição que atravessa séculos e continua a transformar a cidade em um grande altar a céu aberto
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