Demissão de Lupi marca 11ª troca de ministro no governo Lula; relembre
Operação realizada pela Polícia Federal e pela CGU expôs um desvio de R$ 6,3 bilhões de benefícios de aposentados e pensionistas
Ricardo Stuckert
O ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), que deixou o cargo nesta sexta-feira (2), após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marca a 11ª mudança ministerial desde o início do governo, em 2023. A demissão foi impulsionada por um esquema de descontos indevidos no INSS. A Operação Sem Desconto, realizada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), expôs um desvio de R$ 6,3 bilhões de benefícios de aposentados e pensionistas. Embora Lupi não seja diretamente implicado, a crise gerou forte pressão pública.
Uma pesquisa AtlasIntel, publicada na última quinta-feira (1º), revelou que 85,3% dos brasileiros apoiavam a saída do ministro devido às falhas na gestão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Lupi foi criticado por sua lentidão em responder às denúncias, conhecidas por ele desde junho de 2023, conforme mostrou o Jornal Nacional em 26 de abril. O ministro, por sua vez, negou omissão e apontou o ex-diretor de Benefícios, André Félix Fidélis, como responsável pela demora, o que resultou na demissão de Fidélis.
A indicação de Alessandro Stefanutto para a presidência do INSS, apoiada por Lupi, também gerou controvérsias. Stefanutto foi afastado por decisão judicial e exonerado por Lula na semana passada. Para conter a crise, Lula nomeou o procurador federal Gilberto Waller Júnior como interventor no INSS, sinalizando a perda de influência de Lupi na pasta.
Quarta queda por denúncias
Lupi é o quarto ministro do governo Lula a cair por denúncias. Em abril de 2025, Juscelino Filho deixou o Ministério das Comunicações após ser acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de desviar emendas parlamentares.
A imprensa revelou que Juscelino direcionou recursos para asfaltar uma estrada próxima à fazenda de sua família em Vitorino Freire (MA), então administrada por sua irmã, Luanna Rezende, que foi afastada durante as investigações.
A substituição de Juscelino foi marcada por tensões. Pedro Lucas Fernandes (União-MA) declinou do cargo após disputas internas no União Brasil, e Frederico de Siqueira Filho, ex-presidente da Telebras, assumiu a pasta.
Escândalos que abalaram o governo
Em abril de 2023, Gonçalves Dias deixou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) após vídeos revelarem sua postura passiva durante os atos de 8 de janeiro. Sua saída foi rapidamente aceita por Lula. Ricardo Cappelli assumiu o GSI interinamente, sendo substituído por Marcos Amaro dos Santos em maio de 2023.
Em setembro de 2024, Silvio Almeida foi exonerado do Ministério dos Direitos Humanos após denúncias de assédio sexual, confirmadas pela ONG Me Too, que protegeu a identidade das vítimas.
Lula também realizou mudanças ministeriais para garantir apoio no Congresso. Em julho de 2023, Daniela Carneiro foi substituída por Celso Sabino (União-PA) no Ministério do Turismo, atendendo às demandas do União Brasil.
Em setembro de 2023, Ana Moser deixou o Ministério do Esporte, sendo substituída por André Fufuca (PP-MA), em uma articulação para atrair PP e Republicanos.
Também em setembro, Márcio França foi transferido de Portos e Aeroportos para o recém-criado Ministério do Empreendedorismo, enquanto Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) assumiu a pasta anterior.
Reformas recentes
Em janeiro de 2024, Ricardo Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça, substituindo Flávio Dino. Indicado por Lula ao STF em 2006, Lewandowski era um aliado de longa data.
Durante o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, Lewandowski, como presidente do STF, garantiu a manutenção de seus direitos políticos.
Em janeiro de 2025, Paulo Pimenta foi demitido da Secretaria de Comunicação Social (Secom) devido à queda na popularidade do governo. Sidônio Palmeira foi nomeado para melhorar a comunicação.
Em março de 2025, Nísia Trindade foi substituída por Alexandre Padilha no Ministério da Saúde. Padilha, que deixou a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), foi alvo de críticas de parlamentares, como Arthur Lira (PP-AL).
Gleisi Hoffmann, ex-presidente do PT, assumiu a SRI, sendo bem recebida por Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), mas criticada pela oposição como sinal de “radicalização”. A nomeação de Hoffmann visou fortalecer a articulação política em um momento de desafios no Congresso.
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