Cidadania oficializa rompimento de federação com PSDB
Nos bastidores, integrantes do Cidadania vinham expressando insatisfação com a aliança, alegando perda de espaço político
Vinícius Melo/Divulgação
O Diretório Nacional do Cidadania aprovou, por unanimidade, o rompimento da federação com o PSDB, encerrando oficialmente uma aliança que vigorava desde as eleições de 2022. A decisão, tomada em evento realizado neste domingo (16) em Brasília, confirma a deliberação da Executiva Nacional, que já havia votado pelo fim da parceria no mês anterior.
“A federação é passado; vamos em frente, retomando o protagonismo de nossa identidade, que deve apontar para onde o Cidadania pretende caminhar”, declarou o presidente nacional do partido, Comte Bittencourt.
Nos bastidores, integrantes do Cidadania vinham expressando insatisfação com a aliança, alegando perda de espaço político e redução na representação institucional. A federação com os tucanos, segundo membros da sigla, resultou na perda de deputados estaduais, federais, vereadores e prefeitos. O partido também considera que houve preponderância do PSDB nas decisões, o que teria deixado o Cidadania em posição secundária.
Decisão abre caminho para nova articulação política
Com o rompimento, Comte Bittencourt indicou que a legenda buscará reconstruir sua estrutura interna, mirando no próximo ciclo político-eleitoral. A direção nacional pretende se reunir com os diretórios estaduais nas próximas semanas para avaliar os caminhos possíveis.
Segundo o dirigente, a definição entre disputar eleições de forma independente ou formar uma nova federação será debatida de forma “democrática e respeitável”. Um dos partidos já sinalizados como possível aliado é o PSB, que compartilha o mesmo campo político democrático.
Ainda conforme Bittencourt, o Cidadania irá priorizar bandeiras como a defesa da democracia, o combate aos privilégios institucionais, incluindo supersalários, e a urgência de políticas contra a crise climática.
Fortalecimento do partido e prioridade na reestruturação
A presidente do diretório estadual do Cidadania na Bahia, vereadora Isabela Sousa, que participou da reunião de deliberação da Executiva Nacional, reforçou a necessidade de fortalecimento da legenda após a separação do PSDB.
“Não existe um futuro ao lado do PSDB. Tenho uma excelente relação com Adolfo [Viana], com Muniz, mas o momento agora é de fortalecimento do Cidadania“, disse na ocasião.
A vereadora salientou que, apesar do rompimento institucional, o diálogo com lideranças tucanas estaduais será mantido em bases respeitosas. Ela citou como exemplo o deputado federal Adolfo Viana (PSDB) e o presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz (PSDB).
De acordo com Isabela Sousa, a meta agora é ampliar a representatividade do partido e estabelecer alianças estratégicas com outras siglas, mantendo a independência da identidade do Cidadania.
Partido prepara formalização da separação
A formalização da saída da federação está em curso, seguindo os trâmites legais previstos pelo sistema eleitoral. O processo inclui a elaboração de um cronograma e será ratificado em nova reunião do Diretório Nacional, marcada para os próximos dias.
“Abriremos conversa com os partidos do nosso campo”, afirmou Comte, reforçando o objetivo de buscar alianças sem interferência externa.
A expectativa é de que os próximos meses sejam marcados por intensas articulações políticas visando a eleição municipal de 2024 e o reposicionamento do Cidadania no cenário nacional.
PSDB adia decisões sobre fusão e mantém independência
Enquanto o Cidadania formaliza sua saída da federação, o PSDB também enfrenta um momento de reavaliação estratégica. Conforme mostrado pelo Portal M! em 12 de fevereiro, o presidente nacional da legenda, Marconi Perillo, anunciou que o partido não seguirá, por ora, com negociações para fusão ou incorporação com outras siglas, como PSD e MDB.
As conversas com o PSD, consideradas as mais avançadas, foram suspensas após resistência de Gilberto Kassab, que defendia a incorporação dos tucanos – proposta que extinguiria o PSDB. Perillo informou que a legenda aguardará o momento adequado para retomar o debate e destacou a intenção de preservar a história e o legado do partido.
“Vamos continuar dialogando, mas a prioridade é preservar a história e o legado do partido que muito contribuiu para melhorar nosso país”, declarou Perillo.
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