Descubra os bairros que concentraram a maior valorização do mercado imobiliário de Salvador em 2025
Dinâmica de crescimento da cidade tem sido redesenhada pela combinação entre a infraestrutura de bairros consolidados e abertura de novas frentes de expansão
Fábio Marconi / PMS
O mercado imobiliário de Salvador chega ao fim de 2025 marcado por um processo de valorização concentrada em bairros específicos, impulsionado por fatores como infraestrutura urbana, disponibilidade de terrenos, mobilidade e mudanças no perfil de quem busca comprar ou alugar imóveis na capital baiana.
Orla e bairros tradicionais lideram valorização
Em um cenário de oferta limitada e demanda aquecida em regiões estratégicas, áreas tradicionais e trechos da Orla passaram a registrar aumento consistente de preços, refletindo uma reorganização do interesse imobiliário e a expansão gradual da cidade em direção ao litoral norte.
Segundo a sócia-diretora da Novva Imobiliária e conselheira do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado da Bahia (Creci-BA), Neuza Marques, a valorização observada em 2025 está fortemente concentrada em bairros com infraestrutura consolidada e histórico de procura constante.
Com 30 anos de atuação no setor, ela afirma que a alta de interesse se mantém especialmente no trecho da Orla entre Pituba e Piatã, além de áreas tradicionais do chamado miolo da cidade, que continuam atraindo tanto compradores quanto investidores.
“Imbuí é um bairro que sempre foi muito procurado e, quanto mais oferece infraestrutura, mais se torna buscado. Considero também o Costa Azul e a Pituba, que sempre teve apelo por ser um bairro completo de estrutura, serviço e mobilidade.”, avaliou Neuza.

Crédito: Acervo pessoal
Miolo da cidade mantém demanda estável
De acordo com a executiva, bairros como Barra e Pernambués não figuram entre os mais valorizados em 2025, por não integrarem o perfil predominante do público que busca investir, morar ou alugar imóveis dentro do atual cenário do mercado.
A atuação da Novva, segundo Neuza, segue concentrada no eixo central de Salvador, onde a demanda permanece estável tanto para compra quanto para locação, reforçando a preferência por regiões com fácil acesso a serviços e boa conexão viária.
“A gente trabalha muito com esse miolo da cidade: Horto, Itaigara, Pituba, Imbuí, Costa Azul. A Orla está muito acesa, com Armação, Stiep, Corsário, Jaguaribe e Piatã recebendo atenção crescente. Há uma percepção de desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida nesses bairros, o que tem atraído mais moradores e compradores”.
A diretora avalia que a valorização desses bairros está diretamente ligada à revitalização da Orla e à existência de grandes áreas que passaram a ser incorporadas ao mercado imobiliário nos últimos anos. “Muitos imóveis antigos e áreas antes abandonadas foram comercializados para construtoras, que agora estão levantando novos empreendimentos”, disse.
“Em Jaguaribe, por exemplo, existiam clubes e terrenos extensos que estavam esquecidos. Essas áreas foram vendidas e deram lugar a edifícios e arranha-céus, permitindo uma expansão que só ocorre onde há espaço disponível para construir”, complementou.
Na análise de Neuza, enquanto a compra para moradia tem migrado para áreas da Orla com maior potencial de crescimento urbano, o mercado de locação segue mais concentrado em bairros já consolidados.
“A acessibilidade é determinante na escolha do bairro. As pessoas avaliam o custo total para morar, que envolve não só o preço do imóvel ou do aluguel, mas também condomínio, transporte, escolas, mercados e infraestrutura. Esses elementos definem tanto a decisão do investidor quanto a do comprador ou do inquilino”.
Perfil de interessados varia conforme tipo de imóvel
Outro aspecto importante, de acordo com a especialista, é que o perfil dos interessados varia conforme o tipo de imóvel ofertado. Segundo Neuza Marques, este aspecto influencia diretamente na estratégia das imobiliárias e incorporadoras para o posicionamento de novos empreendimentos.
“Nos imóveis pequenos, o público predominante tem até 50 anos, entre investidores e moradores. Já nos imóveis maiores, o interesse vem de famílias acima dos 50 anos, com filhos adolescentes ou crianças. A Novva atende principalmente a classe média e média alta, em compras entre R$ 350 mil e R$ 1 milhão e aluguéis de R$ 1.500 a R$ 10 mil, tanto residenciais quanto comerciais”.
Apesar da valorização observada em vários bairros, 2025 foi considerado um ano desafiador para o setor, impactado por juros elevados e restrições no crédito imobiliário, o que reduziu o ritmo de aquisição de imóveis.
“Quando a Selic está alta, o crédito fica difícil e o mercado imobiliário desacelera. O cenário de 2026 indica uma possível redução da taxa para cerca de 12%, o que já melhora as condições e estimula o investimento. O governo também sinaliza ampliar o Minha Casa Minha Vida para incluir a classe média, o que ajuda a aquecer o setor. Apesar dos novos empreendimentos, o déficit habitacional no Brasil ainda é grande e mantém a demanda por moradia forte”.
Locação pressiona preços e acelera valorização
Em entrevista ao Portal M!, o diretor da Sérgio Sampaio Imóveis, Sérgio Sampaio, observou que a valorização dos bairros em 2025 também está diretamente relacionada à pressão do mercado de locação, que opera com baixo estoque e alta procura.
“O segmento da locação é um mercado que está absolutamente aquecido, não tem imóvel para alugar — tem pouco. Por conta dessa demanda, os preços aumentaram significativamente, e há uma procura realmente muito grande e pouco estoque. Desde a época da pandemia, o mercado construtor parou de construir, os estoques foram sendo absorvidos e os preços foram naturalmente subindo”, afirmou.
Segundo Sampaio, a retomada mais consistente da construção civil começou há cerca de um ano e meio, permitindo o surgimento de novos empreendimentos que vêm sendo rapidamente absorvidos pelo mercado. “O mercado de venda vem em uma crescente, porque as construtoras e incorporadoras começaram a voltar com força total. A cidade apresenta uma série de unidades novas e também unidades em construção, e essas unidades estão sendo absorvidas pelo mercado”.
De acordo com o especialista, bairros como Pituba, Itaigara e Caminho das Árvores concentram grande parte dos lançamentos, enquanto Patamares se consolida como um dos principais destaques de valorização em 2025.

Crédito: Betto Jr. / PMS
“Patamares é o conjunto: a proximidade da praia, a interligação entre a orla e a Paralela, o escoamento fácil para o litoral norte, os equipamentos que já existem, como hospitais, escolas, academias e faculdade. Quem vai morar em Patamares tem tudo aquilo”.
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