Mercado imobiliário de Salvador muda de rumo: veja os bairros que explodiram em procura e os que ficaram para trás

Infraestrutura consolidada, mobilidade e novas áreas edificáveis vêm redesenhando o mapa de interesse em Salvador


Matheus Calmon
Matheus Calmon 29/11/2025 11:40 • Negócios
Mercado imobiliário de Salvador muda de rumo: veja os bairros que explodiram em procura e os que ficaram para trás - Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional
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Em meio a um ano marcado pela retomada gradual da construção civil e por mudanças no comportamento de compra e locação, o mercado imobiliário de Salvador encerra 2025 com sinais claros de reconfiguração. A capital atravessa um ciclo de demanda elevada e oferta limitada em setores específicos, enquanto antigas e novas frentes de expansão passam a concentrar a atenção de quem busca moradia ou investimento.

A combinação entre infraestrutura já consolidada, mobilidade urbana e abertura de novas áreas edificáveis tem redesenhado o mapa de interesse na cidade, influenciando preços, preferências e a dinâmica de crescimento rumo ao litoral norte.

Orla concentra procura e impulsiona mercado imobiliário

A sócia-diretora da Novva Imobiliária e conselheira do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado da Bahia (Creci BA), Neuza Marques, afirma que a alta de procura no mercado imobiliário de Salvador em 2025 está concentrada em regiões tradicionais e no trecho da Orla que vai da Pituba a Piatã. Com 30 anos de atuação no setor, ela avalia que a expansão atual está diretamente ligada à infraestrutura consolidada e à disponibilidade de terrenos para novos empreendimentos.

“Imbuí é um bairro que sempre foi muito procurado e, quanto mais oferece infraestrutura, mais se torna buscado. Considero também o Costa Azul e a Pituba, que sempre teve apelo por ser um bairro completo de estrutura, serviço e mobilidade.”, avaliou Neuza.

Em entrevista ao Portal M!, ela afirmou que Barra e Pernambués não entram na lista de bairros mais procurados, porque não fazem parte da realidade do público que procura investir, morar ou alugar.

A executiva afirma que a Novva concentra sua atuação no eixo central da cidade, onde a demanda permanece estável tanto para compra quanto para locação. Esse movimento, segundo ela, reflete uma preferência por bairros com oferta equilibrada de serviços e fácil acesso a outras regiões.

“A gente trabalha muito com esse miolo da cidade: Horto, Itaigara, Pituba, Imbuí, Costa Azul. A Orla está muito acesa, com Armação, Stiep, Corsário, Jaguaribe e Piatã recebendo atenção crescente. Há uma percepção de desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida nesses bairros, o que tem atraído mais moradores e compradores”.

Neuza Marques aponta áreas em alta no mercado imobiliário
Foto: Acervo pessoal

A diretora aponta que a revitalização da Orla e o surgimento de novas áreas edificáveis tiveram impacto direto na dinâmica de expansão imobiliária. Ela destaca que grandes terrenos e clubes desativados favoreceram o avanço de novos empreendimentos residenciais.

Onde investir em imóveis para alugar?

“Muitos imóveis antigos e áreas antes abandonadas foram comercializados para construtoras, que agora estão levantando novos empreendimentos. Em Jaguaribe, por exemplo, existiam clubes e terrenos extensos que estavam esquecidos. Essas áreas foram vendidas e deram lugar a edifícios e arranha-céus, permitindo uma expansão que só ocorre onde há espaço disponível para construir”.

Na avaliação da executiva, a procura por aluguel permanece concentrada em regiões já consolidadas, enquanto a compra para moradia migra para trechos da Orla que passaram a oferecer mais desenvolvimento urbano. Ela afirma que mobilidade e custo total da moradia são fatores decisivos para os consumidores.

“A acessibilidade é determinante na escolha do bairro. As pessoas avaliam o custo total para morar, que envolve não só o preço do imóvel ou do aluguel, mas também condomínio, transporte, escolas, mercados e infraestrutura. Esses elementos definem tanto a decisão do investidor quanto a do comprador ou do inquilino”.

Neuza explica que o perfil dos interessados varia conforme o tipo de imóvel, com unidades pequenas atraindo jovens e investidores, enquanto apartamentos maiores são procurados por famílias mais velhas. Segundo ela, essa dinâmica também orienta o posicionamento da Novva no mercado.

“Nos imóveis pequenos, o público predominante tem até 50 anos, entre investidores e moradores. Já nos imóveis maiores, o interesse vem de famílias acima dos 50 anos, com filhos adolescentes ou crianças. A Novva atende principalmente a classe média e média alta, em compras entre R$ 350 mil e R$ 1 milhão e aluguéis de R$ 1.500 a R$ 10 mil, tanto residenciais quanto comerciais”.

Juros elevados + crédito restrito = ritmo reduzido

A executiva afirma que 2025 foi um ano desafiador para o setor, com juros elevados e crédito restrito, o que reduziu o ritmo de aquisição de imóveis. Ela aponta que a expectativa para 2026 depende do comportamento da taxa Selic e das políticas de financiamento habitacional.

“Quando a Selic está alta, o crédito fica difícil e o mercado imobiliário desacelera. O cenário de 2026 indica uma possível redução da taxa para cerca de 12%, o que já melhora as condições e estimula o investimento. O governo também sinaliza ampliar o Minha Casa Minha Vida para incluir a classe média, o que ajuda a aquecer o setor. Apesar dos novos empreendimentos, o déficit habitacional no Brasil ainda é grande e mantém a demanda por moradia forte”.

Locação esgota estoques e pressiona preços

Para o diretor da Sérgio Sampaio Imóveis, Sérgio Sampaio, o mercado imobiliário de Salvador em 2025 mantém um ritmo acelerado, especialmente no setor de locação, que opera com baixa oferta e forte pressão por novos imóveis. Ele aponta para um cenário de alta demanda e pouca disponibilidade, reflexo direto da redução de lançamentos nos anos de pandemia e do déficit habitacional nacional. Segundo o diretor, o segmento de locação enfrenta um dos seus períodos mais intensos.

“O segmento da locação é um mercado que está absolutamente aquecido, não tem imóvel para alugar — tem pouco. Por conta dessa demanda, os preços aumentaram significativamente, e há uma procura realmente muito grande e pouco estoque. Desde a época da pandemia, o mercado construtor parou de construir, os estoques foram sendo absorvidos e os preços foram naturalmente subindo”, afirmou.

Venda em crescimento

Sampaio explica que o movimento de recuperação da construção civil começou a ocorrer há cerca de um ano e meio, abrindo espaço para novos empreendimentos que devem aliviar parte da pressão sobre o mercado.

“O mercado de venda vem em uma crescente, porque as construtoras e incorporadoras começaram a voltar com força total. A cidade apresenta uma série de unidades novas e também unidades em construção, e essas unidades estão sendo absorvidas pelo mercado”, destacou.

As regiões com maior volume de lançamentos seguem concentradas na Pituba, Itaigara e Caminho das Árvores, além da nova frente de expansão na orla, entre o Corsário e Piatã. O diretor observa que Salvador avança naturalmente em direção ao litoral norte, processo que redefine núcleos urbanos, atrai serviços e cria novos polos de moradia.

“Salvador é uma península, vai crescendo, não tem para onde crescer que não seja para o litoral norte. Onde se pode construir, a cidade acompanha”, disse.

Patamares é um dos destaques no setor imobiliário

Para Sampaio, a combinação entre disponibilidade de terrenos, mobilidade e infraestrutura tem impulsionado bairros como Patamares, que se consolidou como um dos principais destaques imobiliários do momento.

“Patamares é o conjunto: a proximidade da praia, a interligação entre a orla e a Paralela, o escoamento fácil para o litoral norte, os equipamentos que já existem, como hospitais, escolas, academias e faculdade. Quem vai morar em Patamares tem tudo aquilo”, afirmou.

O diretor também observa que a busca por segurança tem influenciado fortemente a escolha dos compradores e inquilinos, com a preferência por condomínios fechados. Ele ressalta, contudo, que a discussão sobre moradia ultrapassa o mercado e envolve políticas públicas.

“O que eu sinto mais forte é a falta de política habitacional, porque as pessoas precisam ter moradia digna para viver. É um absurdo alguém não ter casa, não ter educação, não ter saúde, e consequentemente segurança”, declarou.

O avanço da cidade em direção à Linha Verde deve permanecer como tendência estrutural nos próximos anos, sustentado pelo interesse em imóveis de segunda moradia que gradualmente se tornam residências permanentes.

“A região de Itacimirim está com uma série de empreendimentos que o sujeito tem como segunda moradia, mas que acaba mais adiante transformando aquilo em primeira moradia. A própria Praia do Forte já está bem cheinha”, disse Sampaio.

Ele acrescenta que o mercado segue atento à possibilidade de expansão para o oeste caso a ponte Salvador–Itaparica avance, embora o projeto ainda seja tratado com cautela pelo setor.

“Se a ponte sair, vai ter um outro viés para que o mercado possa se expandir para o outro lado. Mas a ponte ainda é uma grande interrogação”, analisou.

Matheus Calmon

Matheus Calmon

Matheus é jornalista, pós-graduado em jornalismo digital e especialista em contar histórias que informam e conectam, com paixão por investigar, escrever e dar voz a questões que importam.

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