Rússia aponta ‘hipocrisia e cinismo’ dos EUA e China condena ataque à Venezuela durante reunião da ONU
Reunião de emergência expõe críticas ao governo Trump e defesa da soberania venezuelana
Divulgação ONU/Mark Garten
China e Rússia condenaram, nesta segunda-feira (5), a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro no último sábado (3). As manifestações ocorreram durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), convocada para discutir a legalidade da operação conduzida pelo governo norte-americano em território venezuelano.
O encontro expôs o aumento da tensão diplomática em torno da crise venezuelana e colocou em evidência divergências profundas entre membros permanentes do Conselho. De acordo com informações do G1, enquanto os EUA defenderam a ação como cumprimento da lei, aliados de Maduro classificaram o ataque como violação do direito internacional e ameaça à soberania dos Estados. O Brasil também se posicionou de forma crítica à intervenção armada e reiterou condenação formal ao episódio.
ONU manifesta preocupação com legalidade da operação
Na abertura da reunião, a vice-secretária-geral da Organização das Nações Unidas afirmou que a instituição está preocupada com a forma como a operação foi conduzida. Segundo ela, há indícios de que a ação não respeitou normas básicas do direito internacional, o que amplia o alerta sobre os impactos institucionais e políticos da captura de um chefe de Estado em exercício.
A discussão ocorreu em um ambiente de forte embate diplomático, uma vez que os Estados Unidos possuem poder de veto no Conselho de Segurança. Mesmo assim, diversos países utilizaram o espaço para questionar a legitimidade da ação militar e seus desdobramentos para a estabilidade regional, especialmente na América Latina.
Rússia acusa EUA de hipocrisia e neocolonialismo
O embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, pediu a libertação imediata de Nicolás Maduro e fez duras críticas ao governo norte-americano. Ele acusou Washington de agir com hipocrisia e cinismo ao justificar a operação como ação legal, afirmando que o objetivo real seria o controle de recursos energéticos venezuelanos.
“Com suas ações, os EUA estão gerando um embalo para um novo momento para neocolonialismo e imperialismo”, afirmou Nebenzya.
Segundo o diplomata russo, a ONU não pode aceitar a postura adotada pela Casa Branca, sob risco de legitimar práticas que violam a soberania de países membros. Ele ressaltou que a captura de um presidente em exercício cria precedentes perigosos para a ordem internacional.
China condena bullying e alerta para riscos à paz
A China também se posicionou de forma contundente durante a sessão. O representante chinês na ONU, Fu Cong, declarou que o país está profundamente chocado com a ofensiva norte-americana e condenou o que chamou de “bullying” praticado pelos Estados Unidos.
Cong afirmou que nenhum país tem autoridade para atuar como polícia ou tribunal internacional. Para ele, a ação ignora consequências graves para a comunidade internacional e coloca em risco a paz global e a estabilidade da América Latina. O diplomata chinês destacou ainda que intervenções desse tipo fragilizam mecanismos multilaterais e enfraquecem o papel da ONU na mediação de conflitos.
EUA defendem ataque e classificam Maduro como fugitivo
Em resposta às críticas, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, defendeu a operação militar que resultou na captura de Maduro. Ele classificou a ação como operação para o cumprimento da lei e afirmou que o presidente venezuelano é um fugitivo da Justiça norte-americana.
“Maduro não só era um narcotraficante, ele era um presidente ilegítimo e não era um líder de Estado. Por anos, eles manipularam o sistema eleitoral para se manter no poder”, afirmou Waltz.
Segundo o representante norte-americano, a ofensiva foi necessária para responsabilizar Maduro por crimes que, de acordo com Washington, resultaram na morte de milhares de cidadãos dos Estados Unidos.
Venezuela pede medidas e proteção da soberania
O embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, afirmou que o ataque norte-americano transmite a mensagem de que seguir a lei é opcional. Ele solicitou que o Conselho de Segurança adote medidas concretas para responder à ação militar.
Entre os pedidos apresentados estão a exigência de respeito aos direitos de Nicolás Maduro e de Cilia Flores, a libertação imediata do casal, a condenação inequívoca do uso da força contra a Venezuela, a reafirmação do princípio de não aquisição de território ou recursos naturais e esforços para a desescalada do conflito, com proteção da população civil e retomada da ordem institucional.
Brasil condena intervenção armada e reforça posição oficial
O Brasil também se manifestou durante a reunião. O embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese, afirmou que não é possível aceitar o argumento de que os fins justificam os meios. A posição apresentada está alinhada à nota divulgada pelo governo brasileiro no dia da ação norte-americana.
“O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”, afirmou o embaixador.
A declaração segue a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia condenado publicamente a ofensiva dos Estados Unidos contra o país vizinho.
Reunião foi convocada após ataque a Caracas
A reunião de emergência do Conselho de Segurança foi solicitada pela Colômbia após os Estados Unidos atacarem, na madrugada de sábado (3), diversos pontos de Caracas. Durante a operação, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados aos Estados Unidos.
Ambos participaram de audiência em um tribunal de Nova York nesta segunda-feira (5) e declararam ser inocentes. O caso segue em análise e mantém elevado o nível de tensão diplomática, com impactos diretos sobre o debate internacional a respeito de soberania, legalidade e uso da força entre Estados.
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