Bolsonaro diz que vai ‘morrer na cadeia’ se for condenado por tentativa de golpe: ‘crime impossível’

Em entrevista, ex-presidente critica processo no STF e volta a se dizer perseguido pelo sistema


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 17/05/2025 16:01 • Política
Bolsonaro diz que vai ‘morrer na cadeia’ se for condenado por tentativa de golpe: ‘crime impossível’ - Lula Marques/Agência Brasil
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta sexta-feira (16), que morrerá na prisão caso seja condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado em 2023. Durante entrevista ao canal AuriVerde Brasil, no YouTube, o ex-presidente afirmou que o processo é injusto e baseado em acusações infundadas. Ele disse que não teria condições de recorrer judicialmente caso receba pena de prisão:

“Eu, com 40 anos de cadeia no lombo, não tenho recurso para lugar nenhum, eu vou morrer na cadeia”, afirmou o ex-presidente. “Qual crime? Crime impossível, golpe da Disney. Junto com o Pateta, com a Minnie e com o Pato Donald, que eu estava lá em Orlando, programou esse golpe aí”, ironizou.

A fala faz referência à ausência de Bolsonaro do Brasil no dia 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram depredadas em Brasília. Na ocasião, o ex-presidente estava em Orlando, nos Estados Unidos, cidade conhecida pelos parques temáticos da Disney.

Apesar disso, o STF já avaliou que a presença física de Bolsonaro na capital federal não é necessária para responsabilização. Em 26 de março, a Primeira Turma do Supremo aceitou por unanimidade a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), tornando Bolsonaro e mais sete pessoas réus por formarem o núcleo central do plano golpista.

Réus podem pegar até 43 anos de prisão

A denúncia da PGR enquadra os acusados em cinco crimes:

  • Organização criminosa armada
  • Golpe de Estado
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
  • Deterioração de patrimônio tombado
  • Dano qualificado contra patrimônio da União

Se condenado, Bolsonaro pode pegar até 43 anos de prisão. Ao comentar sobre a possível pena, o ex-presidente disse que, “Está previsto 40 anos de cadeia. Me prendam. Estou com 70 já, quase morri em uma cirurgia. Vou morrer, não vai demorar”.

Ele também afirmou ser vítima de perseguição institucional e voltou a dizer que há um esforço para impedir sua candidatura nas eleições presidenciais de 2026.

Bolsonaro admite início de fraudes no INSS durante seu governo, mas aponta explosão sob gestão petista

Em entrevista concedida ao portal UOL, na última quarta-feira (14), Bolsonaro comentou as investigações da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS entre 2019 e 2024. O ex-presidente admitiu que os crimes podem ter começado durante seu mandato, mas destacou que o esquema cresceu na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“É possível e vai ser investigado. Se, porventura, alguém do meu governo fez algo de errado, pague. E ponto final”, afirmou Bolsonaro ao ser questionado sobre a possível origem das fraudes.

O esquema causou um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões a aposentados e pensionistas por meio de descontos indevidos. Bolsonaro disse apoiar a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso. Segundo ele, deputados e senadores da direita já assinaram o requerimento, enquanto partidos como PT, PSOL e PDT não aderiram à proposta.

“Tem que investigar. Agora, explodiu no governo do Lula. Explodiu”, afirmou o ex-presidente.

Fraude no INSS envolveu entidades de classe e documentos falsos

A Operação Sem Desconto revelou que o esquema funcionava por meio de acordos de cooperação técnica entre o INSS e entidades de classe. Essas entidades aplicavam descontos não autorizados em milhões de beneficiários. A Controladoria-Geral da União (CGU) aponta que ao menos 4,1 milhões de pessoas foram afetadas.

O escândalo provocou exonerações no Ministério da Previdência, incluindo a do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. O novo presidente, Gilberto Waller Júnior, foi nomeado e se reuniu com a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Dataprev para articular medidas de indenização às vítimas.

Além disso, a Polícia Federal prendeu seis pessoas, entre elas Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, acusado de operar o esquema usando empresas vinculadas às entidades investigadas. O então ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT), pediu exoneração e negou envolvimento com as fraudes em carta pública.

Operação Egrégora revela fraude com identidades falsas

Paralelamente, a Operação Egrégora, deflagrada em 6 de agosto, desarticulou uma organização criminosa que atuava há 20 anos com documentos falsificados para obter benefícios previdenciários. Os criminosos criaram pelo menos 40 identidades fictícias e envolveram até idosos reais, que se passavam por beneficiários falsos.

A PF cumpriu mandados em Belo Horizonte, Contagem e Betim, todas em Minas Gerais. Foram apreendidos cartões de saque, celulares, uma arma de fogo e um veículo.

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