Lula diz que pode ligar para Trump para negociar tarifas e evitar conflito na América Latina
De acordo com o petista, atitude será tomada caso as negociações sobre as tarifas americanas não avancem nos próximos dias
Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende ligar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caso as negociações sobre as tarifas americanas não avancem nos próximos dias. A declaração foi dada nesta terça-feira (4), antes da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém (PA).
Em meio ao tarifaço de 50% impostas a produtos brasileiros, Lula sinalizou que buscará uma solução direta entre chefes de Estado. O presidente destacou que o diálogo pessoal é fundamental para destravar impasses comerciais e manter o equilíbrio nas relações entre Brasil e EUA.
“Eu tenho o número dele, ele tem o meu. Não tenho problema em ligar para ele”, disse Lula a repórteres.
De acordo com o presidente, a ligação ocorrerá caso as tratativas entre os negociadores dos dois países não avancem até o fim da COP30, e citou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como principais representantes brasileiros nas discussões.
Brasil busca solução diplomática para tarifas americanas
Durante a conversa com jornalistas, Lula relembrou que o tema das tarifas foi abordado em outubro, quando se reuniu com Trump na Malásia. Na ocasião, ambos concordaram em buscar um acordo comercial que beneficie os dois países. Segundo o presidente brasileiro, as negociações seguem lentas, e o objetivo é retomar o equilíbrio nas exportações, especialmente de produtos agrícolas e industriais.
Lula também demonstrou preocupação com o aumento das tensões políticas na América Latina, provocado por operações militares norte-americanas na região do Caribe. Ele destacou que os ataques realizados pelo governo Trump contra embarcações supostamente ligadas ao tráfico de drogas resultaram na morte de dezenas de pessoas, muitas delas civis.
O presidente afirmou que o Brasil acompanhará as discussões sobre o tema na reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que acontecerá na próxima semana, na Colômbia. O encontro deve tratar das ações militares e da defesa da soberania dos países da região.
“Eu disse a Trump que a América Latina é uma região de paz. Não quero que cheguemos ao ponto de uma invasão terrestre dos EUA na Venezuela”, declarou Lula, reforçando sua posição contrária a qualquer intervenção militar no continente.
Apoio internacional à Amazônia e sustentabilidade com inclusão social
Durante sua passagem pelo Pará, Lula também reforçou que o mundo precisa investir na preservação da Amazônia, destacando que o desenvolvimento sustentável deve incluir políticas sociais. Em visita à Comunidade Jamaraquá, na Floresta Nacional do Tapajós, o presidente afirmou que a floresta só poderá permanecer em pé se as populações locais tiverem acesso a educação, saúde e oportunidades econômicas.
“Não é só pedir para a gente manter a floresta em pé. É preciso garantir sustentação econômica e dignidade para quem vive nela”, declarou Lula. O discurso reforça a posição do governo de que a responsabilidade ambiental deve ser compartilhada e que os países desenvolvidos precisam financiar políticas de preservação.

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil
A fala ocorreu às vésperas da COP30, que reunirá representantes de quase 200 países em Belém entre os dias 10 e 21 de novembro. O evento é considerado estratégico para que o Brasil apresente avanços na bioeconomia, na transição energética e na redução do desmatamento.
Marina Silva destaca queda no desmatamento e avanços ambientais
Ao lado de Lula, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou que o Brasil reduziu pela metade o desmatamento na Amazônia nos últimos dois anos. Segundo ela, o país também registrou queda de 32% no desmatamento em todo o território e redução significativa nas queimadas.
Marina afirmou que o governo federal mantém a meta de zerar o desmatamento até 2030, com foco em investimentos em bioeconomia, extrativismo e artesanato como formas sustentáveis de geração de renda. Ela ressaltou que a estratégia só será bem-sucedida se houver apoio internacional e recursos que cheguem às comunidades que vivem da floresta.
Durante o discurso, a ministra agradeceu a Lula por tê-la reconduzido ao cargo e afirmou que o país está colhendo os frutos de um compromisso firmado há décadas com o ambientalista Chico Mendes. “Eu tenho a alegria de ver que as sementes que o senhor plantou lá atrás agora estão florescendo”, afirmou.
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