Esporte baiano em 2025: conquistas históricas, lutas por sobrevivência e um ano de extremos

Entre afirmação do Bahia, alívio do Vitória e brilho de atletas individuais, Estado viveu uma temporada de contrastes marcantes


Daniel Freitas
Daniel Freitas 24/12/2025 14:08 • Esporte
Esporte baiano em 2025: conquistas históricas, lutas por sobrevivência e um ano de extremos - Rafael Rodrigues/EC Bahia
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A retrospectiva esportiva da Bahia em 2025 foi marcada por contrastes profundos dentro e fora dos gramados. No futebol, o Esporte Clube Bahia viveu um ano histórico, com títulos regionais, recordes no Campeonato Brasileiro e consolidação nacional, enquanto o Esporte Clube Vitória enfrentou uma temporada de sobrevivência, marcada por eliminações precoces e pela luta contra o rebaixamento até as rodadas finais da Série A. O clássico Ba-Vi voltou a ocupar papel central no calendário, refletindo projetos esportivos em estágios distintos.

Paralelamente, o esporte baiano além do futebol apresentou um cenário igualmente intenso. Atletas individuais colocaram o Estado no topo de competições nacionais e internacionais, com o surgimento de novas promessas na natação, judô e canoagem, além da manutenção da excelência em modalidades paralímpicas e de combate. Ao mesmo tempo, ídolos consolidados viveram frustrações inéditas, derrotas inesperadas e ausências sentidas em eventos mundiais, evidenciando um ano de transição para o alto rendimento.

Entre conquistas expressivas, recordes históricos e quedas dolorosas, 2025 revelou um esporte baiano em movimento: forte na base, competitivo em diversas frentes, mas ainda desafiado a transformar talento e tradição em hegemonia contínua nos principais palcos do país e do mundo.

Esporte Clube Bahia viveu ano de recordes e consolidação competitiva

Hegemonia regional e títulos expressivos

O Bahia encerrou 2025 como um dos clubes mais ativos do país, com 80 jogos disputados, consolidando um projeto esportivo focado em competitividade e regularidade. Sob o comando de Rogério Ceni, o Tricolor conquistou dois títulos de grande peso e reafirmou sua supremacia no futebol nordestino.

No Campeonato Baiano, o clube retomou a hegemonia estadual ao vencer o Vitória na final. Após triunfar por 2 a 0 na Arena Fonte Nova, o Bahia segurou o empate por 1 a 1 no Barradão e chegou ao 51º título estadual, em uma decisão marcada por tensão, expulsões e forte rivalidade.

Já na Copa do Nordeste, o desempenho foi dominante. O Bahia tornou-se pentacampeão isolado da competição, alcançando o maior número de títulos da história do torneio. A final contra o Confiança foi histórica: vitória por 4 a 1 fora de casa e goleada por 5 a 0 na Fonte Nova, fechando um agregado de 9 a 1, o maior já registrado em decisões do Nordestão.

Além do profissional masculino, o clube venceu o Campeonato Baiano em diversas categorias de base e no futebol feminino, ampliando sua hegemonia estadual em 2025.

Convocação seleção brasileira

No Bahia, a temporada foi ainda mais marcante para o clube e para seus atletas com convocações históricas à seleção brasileira. O meio-campista Jean Lucas foi chamado por Carlo Ancelotti para defender a seleção nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, rompendo um jejum de mais de 30 anos sem um tricolor em campo pela equipe principal e entrou em campo contra a Bolívia pelas eliminatórias

Além dele, o lateral-esquerdo Luciano Juba também foi convocado para a seleção brasileira em novembro para os amistosos contra Senegal e Tunísia, sendo sua primeira chamada para vestir a camisa amarelinha e um marco para o clube, que não tinha dois jogadores convocados no mesmo ano desde 1989.

Brasileirão histórico, mas com frustração continental

No Campeonato Brasileiro, o Bahia protagonizou a melhor campanha de sua história na era dos pontos corridos. O 7º lugar, com 60 pontos, garantiu vaga na Pré-Libertadores de 2026 e representou um salto competitivo relevante no cenário nacional. Foram 17 vitórias, incluindo dois triunfos marcantes sobre o Palmeiras, quebrando tabus históricos como visitante e mandante.

Apesar do desempenho sólido, a temporada teve frustrações importantes. A pontuação recorde não foi suficiente para garantir vaga direta na fase de grupos da Libertadores, obrigando o clube a disputar a fase preliminar no ano seguinte.

Nas copas, o Bahia voltou a esbarrar em um velho obstáculo. Pela terceira temporada consecutiva, caiu nas quartas de final da Copa do Brasil, mantendo o tabu de nunca ter alcançado uma semifinal. No cenário continental, o desgaste ficou evidente: após eliminar o The Strongest e o Boston River na Pré-Libertadores, o time foi eliminado ainda na fase de grupos da Libertadores e caiu no playoff da Sul-Americana diante do América de Cali.

Esporte Clube Vitória teve ano marcado por sobrevivência e alívio

Permanência na Série A foi o grande objetivo cumprido

Se o Bahia viveu um ano de conquistas, o Vitória atravessou 2025 em modo de resistência. O principal feito rubro-negro foi a permanência na Série A, garantida apenas na reta final do campeonato. O clube terminou na 15ª colocação, com cerca de 45 pontos, e celebrou a permanência como uma vitória estratégica, inclusive do ponto de vista financeiro.

A campanha foi marcada por instabilidade, saldo de gols negativo e longos períodos de pressão. O fator Barradão, aliado a atuações decisivas do goleiro Lucas Arcanjo, foi determinante para evitar o rebaixamento.

Além da luta dentro de campo para garantir a permanência na Série A, a temporada teve um episódio importante nos bastidores: a reeleição de Fábio Mota à presidência do clube. Mota foi reconduzido ao cargo com aproximadamente 86% dos votos dos associados, numa vitória expressiva que consolida sua gestão até 2028.

A continuidade do mandatário, que já comandava o clube desde 2021, marca estabilidade administrativa após um ano de desafios esportivos. Esse resultado reforça a confiança dos sócios no projeto liderado por Mota, que terá a missão de estruturar o Vitória para buscar melhores campanhas em 2026 — inclusive com debate sobre modelo de gestão e projetos de SAF sendo parte do cenário interno do clube.

Eliminações precoces e decepções nas copas

O Vitória iniciou bem o Campeonato Baiano, mas acabou vice-campeão após perder a final para o Bahia. Na Copa do Nordeste, liderou o Grupo A durante boa parte da primeira fase, mas caiu nas quartas de final em casa para o Confiança, em um dos resultados mais frustrantes do primeiro semestre.

A maior decepção do ano, porém, ocorreu na Copa do Brasil. Eliminado na segunda fase pelo Náutico, dentro do Barradão, o Vitória perdeu uma invencibilidade de 22 jogos como mandante e deixou de arrecadar cerca de R$ 2 milhões em premiações, agravando a crise técnica e financeira no início da temporada.

Na Copa Sul-Americana, o clube teve participação discreta, sendo eliminado ainda na fase de grupos, sem protagonismo internacional.

Clássico Ba-Vi teve equilíbrio, mas vantagem tricolor

Rivalidade intensa ao longo do ano

O ano de 2025 contou com seis clássicos Ba-Vi oficiais, incluindo jogos históricos, como o confronto de número 500 da rivalidade, encerrado em 0 a 0 na Fonte Nova. No balanço geral, o Bahia levou vantagem: duas vitórias, três empates e uma derrota.

No Brasileirão, cada clube venceu um clássico, ambos por 2 a 1, refletindo o equilíbrio da rivalidade, mas também a diferença de momento vivido por cada equipe ao longo da temporada.

Temporada de contrastes define futebol baiano em 2025

A retrospectiva esportiva da Bahia em 2025 revela dois caminhos distintos. O Bahia encerrou o ano consolidado como potência regional e competitivo em nível nacional, ainda que frustrado por eliminações continentais. Já o Vitória fechou a temporada aliviado, após sobreviver a um calendário turbulento, mas ciente de que precisará de evolução estrutural para evitar novos sustos.

Entre hegemonia e sobrevivência, o futebol baiano viveu um de seus anos mais intensos e simbólicos.

Esporte baiano além dos clubes: atletas que brilharam e quedas que marcaram 2025

A retrospectiva esportiva da Bahia em 2025 não se restringiu aos gramados e aos clássicos Ba-Vis. Fora do futebol, o estado viveu um ano de contrastes intensos, com o surgimento de novas promessas em modalidades olímpicas e paralímpicas, ao mesmo tempo em que ícones consagrados enfrentaram derrotas simbólicas, ausências e frustrações inesperadas.

Grandes sucessos individuais do esporte baiano em 2025

Natação: Felipe Viana surge como fenômeno nacional

A maior revelação individual do esporte baiano em 2025 foi Felipe Viana, de apenas 14 anos. O nadador foi o único representante da Bahia convocado para a seleção brasileira nos Jogos Escolares Sul-Americanos, realizados em Assunção, no Paraguai.

Felipe encerrou a competição como um dos principais medalhistas do evento:

  • Ouro nos revezamentos 4x50m medley e 4x50m livre
  • Prata nos 50m livre
  • Bronze nos 100m livre

O desempenho colocou o atleta como a principal promessa olímpica da natação baiana para os próximos ciclos.

Judô: Mila Oliveira no topo nacional

No judô, o grande nome da temporada foi Mila Oliveira, de 15 anos. A atleta conquistou a medalha de ouro na categoria até 44kg nos Jogos da Juventude, em Brasília, superando competidoras de estados com maior investimento, como São Paulo e Rio de Janeiro.

O título consolidou Mila como uma das principais joias do judô brasileiro na base.

Canoagem: nova geração mantém tradição

Enquanto o alto rendimento viveu um ano de transição, a canoagem de base baiana dominou o cenário continental no Pan-Americano Júnior.

  • Mateus Nunes e Lucas Santos (Itacaré): ouro no C2M 500m
  • Lorrane Santos (Ubatã): ouro no C1F 500m e prata no C2F

Os resultados reafirmaram a força dos polos de formação do Sul da Bahia e do Recôncavo.

Esportes de combate: domínio no kickboxing

O kickboxing foi uma das modalidades mais vitoriosas do Estado em 2025. No Campeonato Brasileiro, realizado em Brasília, a delegação baiana teve desempenho histórico:

  • Carol Sousa: multicampeã nacional
  • Ronilson “Mamute”: medalhista de ouro e destaque técnico

Ao todo, a Bahia conquistou 20 medalhas, recorde da federação estadual.

Paracanoagem e paradesporto: novos nomes e manutenção da elite

Na paracanoagem, Gabriel Porto, atleta do programa Bolsa Esporte, conquistou o título nacional logo em sua primeira grande competição de 2025, iniciando um ciclo promissor.

No paradesporto, a Bahia manteve nomes entre os melhores do mundo:

  • Raíssa Machado (lançamento de dardo F56), de Ipibeba
  • Samira Brito (velocidade T36), de Juazeiro
  • Jefinho, de Candeias, referência técnica da Seleção Brasileira de futebol de cegos

Grandes frustrações e quedas de 2025

Boxe: choque envolvendo Beatriz Ferreira

O maior impacto negativo do esporte baiano em 2025 ocorreu no boxe profissional. Após um primeiro semestre impecável, Beatriz Ferreira sofreu sua primeira derrota na carreira profissional, em dezembro, ao ser nocauteada pela turca Elif Nur Turhan, em Mônaco, perdendo o cinturão mundial da FIB. A derrota encerrou uma longa sequência invicta e foi tratada como um baque histórico para o boxe baiano.

Atletismo paralímpico: autocrítica de Raíssa Machado

Apesar de seguir entre as melhores do mundo, Raíssa Machado viveu um ano de frustração pessoal. No Mundial de Nova Déli, ficou com a medalha de prata, perdendo o ouro que defendia. Após a prova, a atleta falou publicamente sobre uma fase de “estagnação” técnica.

Canoagem de elite: o vazio deixado por Isaquias Queiroz

A principal frustração da canoagem baiana não foi uma derrota, mas uma ausência. Isaquias Queiroz optou por não disputar o Mundial de 2025, priorizando recuperação física e treinamentos internos. Para um Estado acostumado a pódios anuais, o sentimento foi de ano perdido no alto rendimento internacional.

Maratona aquática: Ana Marcela sente o peso do tempo

No Mundial de Singapura, Ana Marcela Cunha terminou em 6º lugar nos 10 km, fora do pódio. Embora o resultado tenha sido competitivo, a própria atleta reconheceu a frustração por não repetir campanhas medalhistas anteriores.

Balanço final dos atletas baianos em 2025

O esporte baiano viveu em 2025 um ano de extremos: revelou novos talentos, manteve referências no topo mundial, mas também enfrentou quedas simbólicas, derrotas inesperadas e períodos de transição dolorosos. Assim como Bahia e Vitória nos gramados, os atletas individuais refletiram um estado que segue forte na formação, mas que encara desafios claros para transformar talento em hegemonia constante.

Daniel Freitas

Daniel Freitas

Formado em jornalismo pela Universidade Salvador (Unifacs), é apaixonado por esportes, com experiência em assessoria de imprensa. Chegou à equipe do Portal Muita Informação em 2024 com uma vontade imensa de aprender e agregar.

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