Virginia Fonseca depõe na CPI das Bets, nega arrependimento por propagandas e diz não ter como socorrer seguidores
Durante depoimento, Virgínia negou existência da chamada ‘cláusula da desgraça’, que vinculava pagamento de influenciadores às perdas de usuários
Andressa Anholete/Agência Senado
A influenciadora digital e empresária Virginia Fonseca declarou, nesta terça-feira (13), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, que não se arrepende de ter promovido empresas do setor. Durante a sessão no Senado, ela também disse não ter como atender aos pedidos de ajuda que recebe de seguidores afetados por jogos de aposta.
Resposta a seguidores e justificativa à relatora da CPI
Em resposta à senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora da CPI, Virginia afirmou que não tem condições de intervir em casos relacionados a perdas em apostas.
“Acho que eles pedem socorro para a senhora porque a senhora tem o poder de fazer alguma coisa. Eu não tenho poder de fazer nada. Eu não tenho… Então, aí, tá complicado”, afirmou a influenciadora.
Questionada sobre possíveis arrependimentos por ter realizado publicidades para o setor, Virginia negou: “Olha, senadora, eu não me arrependo de absolutamente nada do que já fiz na minha vida. Acredito que tudo serviu de ensinamento. Então, eu fiz e, hoje, estou aqui depondo para colaborar com vocês e espero que ajude”.
Presença no Senado e início da audiência
O depoimento de Virginia Fonseca como testemunha ocorreu após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que assegurou sua presença e o direito ao silêncio em situações que envolvam risco de autoincriminação. A sessão teve início às 11h24, após sua chegada ao Senado acompanhada do marido, o cantor Zé Felipe.
Na chegada, a influenciadora usava moletom com a estampa do rosto de uma de suas filhas e foi recebida por fãs e servidores. Em sua fala inicial, afirmou:
“Eu sou influencer, virei mãe, levei meus pais para morarem comigo. Me tornei empresária nesse tempo e apresentadora. E hoje sou tudo isso, e eu espero poder esclarecer todas as dúvidas aqui hoje. Quero agradecer a oportunidade de fazer isso, porque tem muitas coisas que a gente não pode falar na internet. Acredito que vou poder falar aqui hoje, estou muito grata“.
Contrato com empresa e modelo de remuneração
Ao ser questionada sobre seu contrato com a casa de apostas Esportes da Sorte, Virgínia negou a existência da chamada “cláusula da desgraça”, que vinculava pagamento de influenciadores às perdas de usuários. Segundo ela, o contrato previa bonificação apenas em caso de aumento de lucros da empresa.
“Na época, saiu na internet, eu não pude responder por questão de confidencialidade e apanhei calada. Eu fechei o meu contrato com a Esportes da Sorte e esse valor que eles me pagaram, se eu dobrasse o lucro dele, eu receberia 30% a mais da empresa. Em momento algum, sobre perda dos seguidores. Meu contrato não tem nada de anormal“, afirmou.
Segundo ela, o valor em contrato “nunca foi atingido”. Com isso, não obteve ganhos além do contrato de publicidade, que teve duração de 18 meses. “Era um valor fixo. Se eu dobrasse o lucro, eu receberia 30% a mais da empresa. Mas isso não chegou a acontecer”.
Ela esclareceu que esse modelo de remuneração variável também era utilizado com outras empresas fora do segmento de apostas. “E lembrando que esse era um contrato padrão; na época, com todos os meus outros contratos, com outras empresas, era assim. Não eram só bets, todos os outros eram assim”.
Divulgação responsável e normas do Conar
Virgínia disse ainda manter contrato com a empresa Blaze, mas que o vínculo com a Esportes da Sorte já foi encerrado. Ambos os contratos foram entregues à CPI sob sigilo. Questionada sobre sua abordagem nas redes sociais, declarou que procura alertar o público sobre os riscos dos jogos.
“Eu vou falar por mim. Quando eu posto, sempre deixo muito claro que é um jogo, que pode ganhar e pode perder. Que menores de 18 anos são proibidos na plataforma. Se possui qualquer tipo de vício, o recomendado é não entrar. E para jogar com responsabilidade”.
Ela também afirmou seguir as diretrizes do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e se mostrou aberta a ajustes. “Estou falando por mim, não sei como outros influenciadores fazem. Eu sempre deixo claro. Tudo isso que me passaram, eu falo. Normalmente, eu faço três stories. Em dois, eu falo, e no outro é mostrando como joga e tudo mais […] O que for para melhorar, é só passar para mim que eu faço como tiver que ser feito”.
Senador pede foto e vídeo para Virgínia durante CPI
Durante a sessão, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) pediu um vídeo com a influenciadora e afirmou que ela é “fonte de riqueza” e que os parlamentares são “fonte de despesa”.
“Eu quero falar que a política não tem moral para falar da Virginia, zero moral. A Virginia é fonte de riqueza, nós somos fonte de despesa […] Agora, Virginia, eu queria falar para você, se tocar o seu coração, como um cristão, você não precisa mais disso. Acaba com isso, não faz mais esse tipo de propaganda, de divulgação não”, disse.
Ele pediu ainda para que Virginia fizesse mais conteúdos sobre o “pré-treino” de sua marca e pediu um vídeo mandando um abraço para sua esposa e filha.
“Divulga os seus pré-treinos, inclusive eu tomei o seu pré-treino hoje, é maravilhoso. […] Estou aqui para poder sensibilizar, tocar o seu coração para que você comece a fazer propaganda agora contra esse tipo de jogo e faça mais o seu pré-treino. Inclusive eu vou terminar aqui, você pode mandar um abraço para a minha esposa e para a minha filha?”, perguntou Cleitinho.
A atitude do senador provocou reação de Soraya Thronicke. “Todas as CPIs são importantes. Esse caso é extremamente grave e nós já falamos aqui diuturnamente que nós não conseguimos acabar com as Bets. […] Nós somos importantes, sim, porque nós estamos legislando para proteger os jogadores brasileiros”, afirmou.
Atividades financeiras e posição sobre apostas
A influenciadora esclareceu que já jogou em plataformas que divulgou, mas os vídeos de demonstração eram feitos com contas fornecidas pelas empresas. Informou também que nunca recebeu valores em criptoativos ou créditos das casas de apostas, e que todos os seus rendimentos foram declarados à Receita Federal.
Ela se recusou a revelar o maior valor já recebido por publicidades no setor, alegando o direito ao silêncio. No entanto, reforçou que não atua com empresas ilegais.
“Eu nunca aceitei fazer publicidade para casas de apostas não regulamentadas. E eu recebo muita oportunidade, muitas propostas para fazer […] Se for decidido por vocês que tem que acabar, eu concordo”.
Também negou enriquecimento com esse tipo de publicidade. “Não fiquei milionária com bets”, disse. Ela também afirmou ser empresária e destacou o faturamento de sua empresa. “A Wepink faturou R$ 750 milhões em 2024”.
Sobre a continuidade das divulgações, ela afirmou que iria pensar:
“Eu vou pensar sobre, senadora. Não vou mentir, eu vou pensar. Mas eu também gostaria que a senhora chamasse aqui todos os times de futebol, todos os eventos patrocinados, todas as emissoras que têm [patrocínio de bet]. Tudo o que está no Brasil hoje; tudo tem bet. O meu trabalho é publicidade. Vou chegar em casa e pensar, pode ter certeza”.
Tensões e manifestações durante a sessão
Antes do início da sessão, a senadora Soraya Thronicke criticou os contratos com apostas. Segundo ela, o caixa da “desgraça alheia” não pode existir. “Ninguém ganha das bets, elas existem para ganhar em cima do apostador. E uma pessoa que, segundo consta, ganha percentual em cima da perda dos jogadores brasileiros […] é um problema de saúde pública, saúde mental, e que está destruindo famílias“.
Durante a audiência, Soraya chegou a oferecer que o depoimento ocorresse em sessão fechada, caso Virgínia se sentisse desconfortável. “Se a senhora não se sentir bem, a gente pode mudar a forma. Mas fique tranquila, que a senhora será tratada com urbanidade e respeito”.
O senador Cleitinho (Republicanos-MG), por sua vez, elogiou a influenciadora e se absteve de fazer perguntas. “Agora, Virgínia, eu queria falar para você, se tocar seu coração, como um cristão: você não precisa mais disso. Acaba com isso. Não faz mais esse tipo de propaganda, de divulgação não. Divulga seus pré-treinos. Inclusive, eu tomei seu pré-treino hoje. Maravilhoso“.
A atitude gerou reação do presidente da CPI, Dr. Hiran (PP-RR), que pediu respeito ao rito da comissão.
“Eu estou aqui nessa Casa há mais de 10 anos, ninguém aponta o dedo para mim. Porque é por isso que eu cuido dessa CPI e não deixo que isso aqui vire ‘circo’. Porque no dia que começar a virar ‘circo’, acaba essa CPI, acabou. O presidente sou eu, uso minha prerrogativa com muito respeito a todos. Nós temos essa senhora na condição de testemunha, ninguém vai apontar o dedo para ela. Está aqui como testemunha, e eu aqui para salvaguardar os direitos dela”.
Objetivo da comissão e próximos depoimentos
A CPI das Apostas Esportivas foi instalada em novembro de 2023 e tem prazo de funcionamento até junho de 2025. A comissão apura o impacto dos jogos de azar no orçamento familiar, possíveis conexões com organizações criminosas e o papel de influenciadores na promoção desse tipo de atividade.
“A convocação de Virgínia Fonseca, apresentadora, empresária e influenciadora digital, é justificada por sua expressiva popularidade e relevância no mercado digital, onde exerce forte influência sobre milhões de seguidores em diversas plataformas”, afirmou a senadora Soraya Thronicke.
Outros nomes também estão previstos para depor à CPI, como Rico Melquiades, embaixador da casa de apostas ZeroUm, e Adélia Soares, ex-BBB e advogada de Deolane Bezerra, ligada a uma empresa investigada por operar apostas ilegais no país.
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