Dino acompanha Moraes e STF tem dois votos para condenar Bolsonaro e aliados por golpe de Estado
Réus são acusados de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, além da tentativa de golpe de Estado
Sophia Santos/STF
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), acompanhou o relator Alexandre de Moraes e votou, nesta terça-feira (9), pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus por tentativa de golpe de Estado. Até o momento, o placar está em 2 a 0, e o voto do próximo ministro, Luiz Fux, pode consolidar a maioria para responsabilizar os acusados.
Os crimes analisados incluem tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, participação em organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Ambos os ministros já votaram pela condenação de Bolsonaro em todas essas acusações, abrindo caminho para a definição das penas.
Dino defende pena mais branda para Ramagem
No caso de Alexandre Ramagem, Dino considerou a suspensão da ação penal aprovada pela Câmara dos Deputados, referendada parcialmente pela Primeira Turma do STF. Ainda assim, ele votou pela condenação por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe e organização criminosa armada.
O ministro destacou que a legislação recente que tipifica esses crimes foi aprovada pelo Congresso Nacional. Aliados de Bolsonaro defendem que proposta de lei que prevê perdão aos envolvidos no julgamento seja pautada pelo Legislativo, enquanto a base do governo Lula se movimenta para impedir que isso ocorra.
“Esse diploma que o Congresso nos entregou para aplicar é consentâneo com toda essa história do direito constitucional, com as construções vigentes no nosso país há mais de um século.(…) Esses tipos penais são insuscetíveis de anistia, de modo inequívoco. Nós tivemos já muitas anistias no Brasil, certas ou não, não nos cabe esse juízo, nós não somos o tribunal da história, nós somos o tribunal do direito positivo aos fatos concretos existentes”, disse Dino, segundo informações do Uol.
Dino detalha participação dos réus na trama golpista
Para o ministro Flávio Dino, Bolsonaro e o ex-ministro Walter Braga Netto tiveram controle e liderança sobre as ações da organização criminosa, justificando penas mais severas. Já os ex-ministros Paulo Sérgio Nogueira, Augusto Heleno e o deputado Alexandre Ramagem tiveram participação considerada menor, resultando em penas mais brandas.
Os valores das penas serão definidos ao final dos votos, caso haja condenação. Dino ressaltou que a Constituição precisa estar preparada para enfrentar ameaças internas. “Ela surge para evitar os cavalos de Tróia, pelos quais, no uso das liberdades democráticas, se introduzem vetores de destruição dela própria”, afirmou, segundo informações do G1.
O ministro destacou ainda que o julgamento segue os parâmetros normais do STF. “Esse julgamento não é excepcional, não é um julgamento diferente dos que nossos colegas fazem país afora”, disse. Ele lembrou que crimes contra o Estado Democrático de Direito são imprescritíveis e não podem ser objeto de indulto ou anistia.
“Esses crimes já foram declarados pelo plenário do Supremo Tribunal Federal como insuscetíveis de indulto, de anistia. Não cabe falar em extinção da punibilidade”, reforçou Dino.
Dino confirmou que votará por penas menores para Paulo Sérgio Nogueira, Augusto Heleno e Alexandre Ramagem. A diferença entre os réus se dá pelo nível de liderança e controle das ações, maior em Bolsonaro e Braga Netto.
“Não é uma divergência propriamente, mas uma diferença que eu adianto em relação ao eminente relator. Em relação a Bolsonaro e Braga Netto, não há dúvida de que a culpabilidade é bastante alta. Portanto, a dosimetria deve ser congruente com o papel dominante que eles exercem. Já Paulo Sérgio Augusto Helena e Alexandre Ramagem, eu considero que há uma participação de menor importância”, afirmou, conforme informações da CNN Brasil.
A definição final das penas será realizada após a conclusão dos votos de todos os ministros, consolidando a responsabilização ou não dos réus. O julgamento é acompanhado de perto pela sociedade e pelo meio político, devido ao impacto direto sobre a estabilidade democrática do país.
Mais Lidas
Política
Últimas Notícias
Operação Ômega investiga esquema milionário e apreende bens em Itapetinga
A responsabilidade civil das redes sociais no Brasil: perfis falsos
Neste artigo, Felipe Braga do Amaral Silva analisa a responsabilidade civil das redes sociais diante de perfis falsos criados por IA, explicando os direitos das vítimas
Prefeitura de Salvador reforça rede de saúde e nomeia 37 concursados em 2026
Convocação publicada no Diário Oficial amplia equipes estratégicas e fortalece o atendimento do SUS na capital baiana
Perdi o emprego e agora? Saiba como garantir o seguro-desemprego em 2026
Se você foi desligado recentemente na Bahia, este guia prático explica tudo o que você precisa saber para garantir o seu benefício
Jerônimo minimiza declaração de Wagner sobre chapa ‘puro-governador’ e prega cautela
Em meio a rumores de racha com aliados, governador busca saída negociada para impasse entre Rui Costa e Angelo Coronel
Jerônimo diz que Operação Overclean não muda relação com PDT e mantém confiança em Félix Mendonça Jr.
Governador mantém apoio político mesmo após aliado ser alvo da Polícia Federal por esquema de desvios de emendas na Bahia
Defesa de Bolsonaro tenta levar ao plenário do STF nova ofensiva contra condenação por tentativa de golpe
Advogados protocolam recurso para reabrir discussão jurídica enquanto família relata piora no estado de saúde do ex-presidente
Hugo Motta condiciona apoio a Lula em 2026 a gestos do Planalto e demandas da Paraíba
Presidente da Câmara afirma que decisão sobre aliança passará por negociações políticas e interesses da Paraíba
Calendário de 2026 anima bares e restaurantes com feriados prolongados e Copa do Mundo
Datas estratégicas ao longo do ano e jogos do Brasil em horários favoráveis ampliam expectativa de faturamento no setor de alimentação fora do lar
‘Tarifaço’ de Trump contra Irã coloca US$ 2,8 bi do superávit brasileiro sob ameaça
Brasil exportou US$ 2 bi em milho para iranianos em 2025 e corre risco de sofrer retaliação em seu comércio com Washington
Segurança da Lavagem do Bonfim 2026 mobiliza mais de 2 mil agentes, ativa CICC e amplia uso de tecnologia
Operação coordenada pela SSP reúne forças policiais, bombeiros e órgãos parceiros para monitorar evento em tempo real