Alckmin vê espaço para acordo com EUA sobre tarifaço: ‘Se depender de nós, acaba amanhã’
Vice-presidente destacou que o trabalho do governo é dialogar e negociar com os americanos para avançar na questão comercial
Júlio César Silva/MDIC
O vice-presidente da República e ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou, neste sábado (23), que há espaço para um acordo com os Estados Unidos com o objetivo de reduzir as tarifas impostas aos produtos brasileiros.
“Se depender de nós, acaba amanhã“, disse sobre o tarifaço. Alckmin destacou que o trabalho do governo é dialogar e negociar com os americanos para avançar na questão comercial. O vice-presidente enfatizou a necessidade de soluções diversificadas e negociação contínua.
“O trabalho é esse. Diálogo e negociação. Entendemos que tem espaço para ter mais produtos excluídos (do tarifaço) e para ter uma alíquota mais baixa”, afirmou.
Ele ressaltou que o diálogo pode incluir diferentes produtos e setores, mantendo a competitividade das exportações brasileiras.
Negociações e alívio sobre exportações
Durante visita à Brasilwagen, Alckmin celebrou avanços recentes, citando o alívio nas tarifas sobre exportações de aço e alumínio, anunciado na quarta-feira (20) pelo Departamento de Comércio dos EUA sob a Seção 232 do Ato de Expansão Comercial. “Isso ajuda na competitividade de tudo o que tem aço e alumínio: máquinas, retroescavadeiras, motocicletas, produtos industriais”, disse.
Questionado sobre contrapartidas brasileiras, Alckmin não descartou reduzir a tarifa de importação do etanol americano e mencionou a liberação de créditos de descarbonização para empresas dos EUA. Ele citou minerais estratégicos e biocombustíveis como outras possibilidades nas negociações, destacando que há diferentes frentes sendo analisadas pelo governo para equilibrar o comércio bilateral.
O vice-presidente reforçou que as tarifas brasileiras sobre produtos norte-americanos já são baixas. “É sempre bom lembrar: a tarifa média do Brasil para os Estados Unidos entrarem aqui é de 2,7%. Não é 50%, nem 40%, nem 30%. É 2,7%”, disse.
“Dos dez produtos que os Estados Unidos mais exportam para nós, em oito a tarifa é zero. Sempre há espaço para buscar um entendimento”.
Medidas de apoio a empresas afetadas
Alckmin também comemorou a liberação de linhas extras de crédito pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor de R$ 10 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço, além dos R$ 30 bilhões anunciados pelo governo federal na semana anterior. Segundo ele, essas medidas buscam apoiar empresas e setores impactados, sem detalhar critérios específicos de distribuição ou setores prioritários.
Durante participação em evento promovido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), o vice-presidente comentou o tarifaço. Ele afirmou que o Brasil vai superar a crise comercial e minimizou o impacto das medidas do governo Trump, apontando que apenas 3,3% das exportações brasileiras são afetadas.
Alckmin observou que os setores da indústria de manufaturas, como máquinas, calçados e têxtil, enfrentam maiores impactos, pois a realocação dos mercados desses produtos exige mais tempo. Ele destacou que o efeito do tarifaço é limitado em termos de volume, mas notou que a adaptação dos setores afetados demanda atenção especial.
O vice-presidente reiterou a importância do diálogo e da negociação como ferramentas centrais para avançar nas relações comerciais com os Estados Unidos. Ele também reforçou que as medidas de apoio, como os créditos do BNDES, fazem parte das ações do governo para minimizar impactos sobre empresas e exportadores.
Mais Lidas
Política
Últimas Notícias
Operação Ômega investiga esquema milionário e apreende bens em Itapetinga
Félix Mendonça Jr. nega irregularidades, critica lentidão da investigação e diz que ações da PF causam ‘prejuízos políticos’
Em nota, deputado do PDT afirma colaborar com investigações, questiona nova diligência da PF e mantém confiança na Justiça
A responsabilidade civil das redes sociais no Brasil: perfis falsos
Neste artigo, Felipe Braga do Amaral Silva analisa a responsabilidade civil das redes sociais diante de perfis falsos criados por IA, explicando os direitos das vítimas
Prefeitura de Salvador reforça rede de saúde e nomeia 37 concursados em 2026
Convocação publicada no Diário Oficial amplia equipes estratégicas e fortalece o atendimento do SUS na capital baiana
Perdi o emprego e agora? Saiba como garantir o seguro-desemprego em 2026
Se você foi desligado recentemente na Bahia, este guia prático explica tudo o que você precisa saber para garantir o seu benefício
Jerônimo minimiza declaração de Wagner sobre chapa ‘puro-governador’ e prega cautela
Em meio a rumores de racha com aliados, governador busca saída negociada para impasse entre Rui Costa e Angelo Coronel
Jerônimo diz que Operação Overclean não muda relação com PDT e mantém confiança em Félix Mendonça Jr.
Governador mantém apoio político mesmo após aliado ser alvo da Polícia Federal por esquema de desvios de emendas na Bahia
Defesa de Bolsonaro tenta levar ao plenário do STF nova ofensiva contra condenação por tentativa de golpe
Advogados protocolam recurso para reabrir discussão jurídica enquanto família relata piora no estado de saúde do ex-presidente
Hugo Motta condiciona apoio a Lula em 2026 a gestos do Planalto e demandas da Paraíba
Presidente da Câmara afirma que decisão sobre aliança passará por negociações políticas e interesses da Paraíba
Calendário de 2026 anima bares e restaurantes com feriados prolongados e Copa do Mundo
Datas estratégicas ao longo do ano e jogos do Brasil em horários favoráveis ampliam expectativa de faturamento no setor de alimentação fora do lar
‘Tarifaço’ de Trump contra Irã coloca US$ 2,8 bi do superávit brasileiro sob ameaça
Brasil exportou US$ 2 bi em milho para iranianos em 2025 e corre risco de sofrer retaliação em seu comércio com Washington