Bruno desfaz climão
O clima entre caciques do Partido Progressista e do União Brasil parece ter sido apaziguado nos últimos dias, após um encontro entre o prefeito Bruno Reis e o presidente estadual do PP, Mário Negromonte Júnior. O líder da sigla estava chateado com o ex-prefeito ACM Neto, que fez uma gravação de apoio a uma candidatura (de oposição) a prefeito do município de Paulo Afonso, seu reduto eleitoral.
Sem mágoas, mas com cicatrizes
Ainda repercute negativamente a insistência do pré-candidato Valderico Júnior, de não aceitar ser vice de Jabes Ribeiro, o que acabou levando ao racha a oposição em Ilhéus. Com a retirada da candidatura de Jabes, a expectativa é que ele passe a se dedicar à secretaria-geral do partido, atuando para fortalecer o PP em todo o estado. “Infelizmente, ele não vai poder estar diretamente na campanha de Ilhéus, mas vai dar todo o apoio formal do PP ao União Brasil”, como disse um interlocutor da sigla, destacando que não ficaram mágoas do processo, mas restaram muitas cicatrizes.
Convenção com 20 mil
O prefeito Bruno Reis delegou a assessores mais próximos a mobilização dos presidentes dos 13 partidos da sua base, para que possam fazer uma grande festa na convenção que confirmará seu nome para a reeleição em Salvador. Além dos dirigentes da siglas, todos os candidatos a vereador estão com a incumbência de lotar o Centro de Convenções de Salvador nesta quinta, quando será aclamado ao lado da sua vice Ana Paula Matos. A meta é levar mais de 20 mil pessoas para o evento, que marca o início formal da campanha do UB na capital baiana.
O ganha-ganha com o PT
O presidente estadual do PT, Éden Valadares, se vangloriou ontem ao afirmar que todos os partidos que compõem a base do governador Jerônimo Rodrigues têm obtido avanços importantes ao longo dos anos, tornando-se mais fortes e com maior número de deputados, prefeitos e vereadores na Bahia. “No nosso grupo, o jogo é de ganha-ganha”, declarou Éden, numa alfinetada direta à oposição liderada pelo ex-prefeito ACM Neto.
Sem entendimento nas cidades
Segundo o dirigente do PT, o partido atua pelo consenso na escolha das candidaturas na Bahia, apesar de em algumas cidades não ter sido possível chegar a entendimentos, devido às especificidades de cada município. “Mas em relação ao quadro geral está tranquilo, assim como está tratado com o Avante, como está tratado com o PSB da companheira Lídice da Mata. Insisto, a Bahia é muito grande, tem 417 municípios, 35 partidos, 20 e tantos deles na órbita na nossa relação”, disse.
Dois palanques
Éden disse ainda que “tem lugar que vai ter dois candidatos de Jerônimo. Vai ter um do PT, do PSD, do MDB. É da vida, mas a gente tem que fazer essa disputa localizada e não deixar que isso tensione, que é o maior patrimônio nosso na Bahia, esse novo jeito de fazer política, que Wagner nos ensinou, Rui perpetuou e Jerônimo está tocando adiante. Ou seja, o jogo é de ganha-ganha. O PT ganha, mas ganha Otto, ganha Lídice, ganha o MDB, ganha a Federação PT, PCdoB e PV”, disse o petista.
Ampliação da base
O presidente do PT baiano destacou ainda a importância de ampliar a base do governador no estado. “Fazer Jerônimo ter mais apoios, mais partidos e mais prefeitos é fundamental para nós. O que é que nós achamos? É que dá para fazer isso, dá para alargar a base do Lula, trazer mais gente que se arrependeu do voto em ACM Neto e Bolsonaro”.
Disputa tensa
Apesar do otimismo de Éden, o clima parece tenso ainda em cidades importantes que são disputadas por partidos da federação, leia-se o PT, PV e PCdoB, como é o caso de Juazeiro, Jequié, Itaberaba e Una. Em Juazeiro, a federação possui três nomes no páreo: o deputado Zó (PCdoB), Roberto Carlos (PV) e o ex-prefeito da cidade, Isaac Carvalho (PT), que ainda está inelegível.
Amizade e confiança no lixo
“Decepcionada e traída”. Essa foi a expressão utilizada pela prefeita Moema Gramacho (PT), de Lauro de Freitas, para traduzir o sentimento em relação ao vice-prefeito Vidigal Cafezeiro (Republicanos), que no último sábado (20) trocou a convenção da chapa Rosalvo/Naide pela da oposição, surpreendendo a todos.
Moema afirmou que quem deveria dar uma satisfação ao povo da cidade seria o próprio Vidigal e, junto, um pedido de desculpas com sua mudança repentina de postura.
Reação e revolta
Num desabafo feito através de uma nota pública, Moema afirmou que não poderia apontar exatamente o que levou o vice a “tomar essa atitude de nos trair e ir pra oposição”. No entanto, ela lembrou que, desde que Rosalvo foi confirmado candidato, Vidigal Cafezeiro reagiu de forma revoltada e “de lá para cá começou a tomar algumas atitudes que não parecia mais a mesma pessoa, completamente transtornado”.
Melhora na avaliação
Um movimento de crescimento na avaliação dos prefeitos que estão indo para a reeleição ou tentando fazer o sucessor passou a ser percebido por muitos deputados estaduais na Bahia. Mais precisamente nos últimos 45 dias, muitos gestores passaram a melhorar suas avaliações. Tem parlamentar apostando que essa será uma eleição com mais reeleições e sucessões, em relação aos pleitos dos últimos anos.
A máquina e as emendas
Como exemplo, um deputado de oposição citou o caso dos prefeitos de Catu, Pequeno Sales; de Mata de São João, Bira da Barraca; e de Santo Antônio de Jesus, Genival Deolino Souza; que estavam desgastados e agora apontam positivamente nas pesquisas de intenção. Caso esse cenário realmente se confirme, ficará exposta a força da máquina pública e a força dos deputados federais, que destinam milhões em emendas para os seus municípios.
A última convenção em Salvador
O vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior (MDB), fará a convenção que formalizará sua candidatura ao lado da sua vice Fabya Reis (PT) próximo dia 4 de agosto (domingo), às 9h, na Arena Fonte Nova. A expectativa é que as principais lideranças ligadas ao governo estadual estejam presentes, junto com representantes dos nove partidos que o apoiam na disputa ao Palácio Thome de Souza.
Troca de Geraldo por Kleber
E por falar em alianças, o pré-candidato Geraldo Júnior perdeu o apoio do Rede Sustentabilidade, que formalizou na última semana o apoio à pré-candidatura do postulante do PSOL, Kleber Rosa, e sua vice, Dona Mira Alves. O anúncio pegou muita gente de surpresa, já que a sigla fazia parte do arco de aliança do governador Jerônimo Rodrigues em Salvador.
Adesão ao projeto do PSOL
Com isso, o emedebista passa a ter o apoio de nove partidos (MDB, PT, PSB, PSD, PCdoB, PV, Podemos, Solidariedade e Avante), e não mais de dez, como anunciado desde o lançamento de sua pré-candidatura. No ato que marcou a adesão ao projeto do PSOL, as lideranças da Rede definiram que o partido não irá apenas “compor” a coligação com a sigla de esquerda, mas “marchar” com a chapa majoritária, “arregaçar as mangas” e “ocupar as ruas” de Salvador “em prol das pautas ambientais e da defesa das áreas verdes da capital baiana.