Cardeal condenado por corrupção aceita veto e fica fora do Conclave que elegerá novo papa
Decisão foi formalizada em dois documentos assinados pelo papa Francisco, datados de 2023 e de março deste ano
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O cardeal italiano Giovanni Angelo Becciu, condenado por desvio de verbas e destituído de seus privilégios em 2020, afirmou, nesta terça-feira (29), que acatará a decisão da Igreja Católica que o impede de participar do próximo conclave. A decisão foi formalizada em dois documentos assinados pelo papa Francisco, datados de 2023 e de março deste ano, entregues pelo cardeal Pietro Parolin.
Becciu declarou, por meio de comunicado enviado à AFP por seu advogado, que seguirá a orientação da Santa Sé. “Tendo no coração o bem da Igreja, à qual servi e continuarei servindo com fidelidade e amor, bem como para contribuir para a comunhão e serenidade do conclave, decidi obedecer, como sempre fiz”, disse.
Cardeal tentou reverter impedimento após morte do papa Francisco
O nome de Becciu voltou à tona após a morte do papa Francisco. No último dia 22 de abril, ele declarou publicamente que não havia sido formalmente expulso do conclave e passou a defender sua participação. O cardeal afirmou que, mesmo fora da lista oficial de eleitores, ainda detinha o título cardinalício e participava das reuniões preparatórias.
Becciu chegou a dizer que era seu dever entrar na Capela Sistina com os demais cardeais. A tentativa de reverter o impedimento contradizia uma declaração anterior, feita após sua queda em 2020, na qual afirmava que não participaria de nenhum futuro conclave.
Condenação e perda de privilégios cardinalícios
A queda de Becciu ocorreu em meio às reformas administrativas e financeiras conduzidas por Francisco. O cardeal foi condenado a cinco anos e meio de prisão por fraude envolvendo operações financeiras da Santa Sé. O processo concentrou-se na aquisição de um edifício de luxo em Londres, realizada com recursos oriundos do Óbolo de São Pedro, fundo que deveria ser destinado às ações de caridade do papa.
Na época do escândalo, Becciu ocupava o cargo de prefeito da Congregação para as Causas dos Santos e, anteriormente, foi o número dois da Secretaria de Estado do Vaticano entre 2011 e 2018. Em setembro de 2020, o papa Francisco aceitou sua renúncia e retirou seus direitos vinculados ao cardinalato.
Impacto nas finanças e reformas do Vaticano
O caso teve repercussões diretas na imagem e nas finanças da Igreja Católica. A aquisição da propriedade em Londres gerou perdas significativas ao Vaticano e expôs o uso indevido de doações feitas pelos fiéis. A condenação de Becciu, o mais alto cargo eclesiástico a comparecer ao Tribunal Penal Vaticano, foi considerada parte da estratégia do papa para reorganizar a gestão financeira da Santa Sé.
Regras do conclave e a exclusão formal
Segundo o documento oficial do Vaticano que regula os conclaves, o Universi Dominici Gregis, têm direito a voto todos os cardeais com menos de 80 anos, exceto aqueles depostos canonicamente ou que renunciaram ao cardinalato com o consentimento do papa. O texto também estabelece que, após a morte de um pontífice, o Colégio dos Cardeais não pode readmitir ou reabilitar esses membros.
Becciu tem atualmente 76 anos e, tecnicamente, estaria apto para votar. No entanto, as estatísticas oficiais do Vaticano o classificam como “não eleitor”.
Contradições sobre sua renúncia
Há falta de clareza sobre os termos exatos da renúncia de Becciu. O comunicado oficial divulgado em setembro de 2020 informou apenas que o papa Francisco aceitou sua renúncia como prefeito da Congregação e seus direitos relacionados ao cardinalato, sem indicar uma sanção canônica formal.
Desde então, Francisco visitou Becciu algumas vezes e permitiu sua presença em atividades da Santa Sé. Contudo, o pontífice também alterou as leis do Vaticano para permitir que o tribunal criminal processasse cardeais, o que viabilizou o julgamento de Becciu e outros oito réus.
Controvérsias sobre o julgamento
Durante o processo, surgiram questionamentos sobre a integridade do julgamento. O tribunal ouviu relatos de que o papa interveio em favor da promotoria em várias ocasiões. Também foi revelado que a principal testemunha contra Becciu teria sido orientada por terceiros, o que lançou dúvidas sobre a condução do caso.
Conselheiro de dois papas e ligado à ala conservadora
Becciu foi uma figura de destaque no Vaticano por anos. Ganhou relevância durante o papado de Bento XVI e teve papel central no início do pontificado de Francisco. Contudo, sua ligação com setores conservadores e a série de denúncias o afastaram da cúpula da Igreja.
A exclusão de Becciu do conclave representa mais um desdobramento das medidas do papa Francisco para reformar a Igreja Católica, com foco especial em transparência e responsabilidade na gestão financeira.
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