Anvisa emite alerta sobre riscos do uso indevido de canetas emagrecedoras
Agência cita aumento de eventos adversos no Brasil e no exterior e reforça necessidade de acompanhamento médico
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu, na última sexta-feira (9), em Brasília, um alerta de farmacovigilância para os riscos associados ao uso inadequado de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, diante do aumento de notificações de eventos adversos no Brasil e no exterior, reforçando a necessidade de prescrição e acompanhamento médico para garantir a segurança dos pacientes. As informações são da Agência Brasil.
Medicamentos incluídos no alerta
O comunicado da Anvisa abrange medicamentos como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, todos integrantes do grupo dos agonistas do receptor GLP-1 e aprovados para uso no Brasil conforme indicações específicas descritas em bula.
Em nota, a agência ressaltou que, embora o risco já esteja previsto nas bulas desses medicamentos, o crescimento das notificações nos cenários nacional e internacional levou à necessidade de reforçar as orientações de segurança junto a profissionais de saúde e usuários.
“Conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado”, destacou a Anvisa no comunicado.
Segundo a agência, o monitoramento médico é essencial devido à possibilidade de eventos adversos graves, entre eles a pancreatite aguda, que pode evoluir para formas necrotizantes e até fatais.
Avaliação de risco e benefício mantida
Apesar do alerta, a Anvisa esclareceu que não houve alteração na avaliação da relação entre risco e eficácia desses medicamentos. “Não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula”, informou a agência.
O comunicado também menciona que, no início deste mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA) emitiu alerta semelhante, apontando um risco pequeno, porém existente, de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam esse tipo de medicamento.
Dados de notificações no Brasil
De acordo com dados da Anvisa, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos no país. Nesse período, também foram notificadas seis suspeitas de casos com desfecho de óbito.
Em junho de 2025, diante do aumento das notificações, a Anvisa determinou que farmácias e drogarias passassem a reter a receita médica desses medicamentos. Desde então, a prescrição passou a ser feita em duas vias, e a venda só pode ocorrer mediante retenção da receita, procedimento semelhante ao adotado para antibióticos. A validade das receitas é de até 90 dias a partir da data de emissão.
“A decisão teve como objetivo proteger a saúde da população brasileira, visto que foi observado um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas”, destacou a agência.
Uso fora da indicação eleva riscos, diz Anvisa
A Anvisa voltou a alertar para os perigos do uso indiscriminado desses medicamentos, especialmente quando utilizados para emagrecimento sem necessidade clínica comprovada. “A Anvisa destaca que o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, eleva significativamente o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves”, completou.
Além disso, a agência orienta que usuários procurem atendimento médico imediato ao apresentarem dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos, sintomas compatíveis com pancreatite. Já os profissionais de saúde devem interromper o tratamento ao suspeitar da reação adversa, não devendo retomar o uso caso o diagnóstico seja confirmado.
“A Anvisa reforça, ainda, a importância da notificação de eventos adversos no VigiMed [sistema disponibilizado pela agência para monitor eventos adversos relacionados a medicamentos e vacinas], o que contribui para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos no país, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado nacional.”
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