Lula determina expulsão de servidor da CGU após agressão a mulher e criança e histórico de ameaças

Caso registrado em vídeo no Distrito Federal amplia investigações administrativas e criminais e reforça ofensiva do governo contra a violência


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 26/12/2025 21:36 • Política
Lula determina expulsão de servidor da CGU após agressão a mulher e criança e histórico de ameaças - Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou, nesta última quinta-feira (25), a abertura de processo administrativo para responsabilização e expulsão do serviço público federal do servidor David Cosac Junior, da Controladoria-Geral da União (CGU), acusado de agredir uma mulher e uma criança de 4 anos, no Distrito Federal. O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de imagens da agressão nas redes sociais, o que levou o governo federal a exigir uma resposta imediata e rigorosa das instituições públicas.

A decisão foi encaminhada ao ministro Vinícius de Carvalho, controlador-geral da União. Ela acontece um dia após o pronunciamento do presidente Lula em redes de rádio e de televisão, no qual defendeu o endurecimento de ações do governo contra a violência doméstica, o feminicídio e agressões contra crianças, considerados temas prioritários da atual gestão.

“Não vamos fechar os olhos aos agressores de mulheres e crianças estejam eles onde estiverem, ocupem as posições que ocuparem. Um servidor público deve ser um exemplo de conduta dentro e fora do local de trabalho”, disse Lula.

Agressão registrada em vídeo em Águas Claras

A agressão ocorreu no domingo (7), no estacionamento de um prédio residencial em Águas Claras, região administrativa do Distrito Federal. O servidor da CGU, identificado como David Cosac Junior, de 50 anos, aparece nas imagens ao lado da ex-namorada, que segurava o filho de 4 anos no colo, enquanto aguardavam o elevador.

Após uma breve conversa, o homem iniciou uma sequência de agressões físicas, desferindo socos e tapas contra a mulher e a criança por cerca de 20 segundos. Mesmo após ambos caírem no chão, as agressões continuaram, incluindo um novo tapa na cabeça da criança, o que agravou a comoção em torno do episódio.

A situação só foi interrompida após a intervenção indireta de moradores, que acionaram a Polícia Civil do Distrito Federal. Os policiais foram ao local e registraram a ocorrência. Até o momento, não há confirmação pública sobre eventual prisão em flagrante.

Versão apresentada e início das apurações

De acordo com o boletim de ocorrência, David Cosac Junior alegou que havia encerrado o relacionamento com a mulher e que um desentendimento teria evoluído para confronto físico. A versão apresentada não impediu o avanço das investigações, que seguem em duas frentes paralelas: administrativa, no âmbito da CGU, e criminal, sob responsabilidade das autoridades policiais e judiciais.

Medidas administrativas imediatas da CGU

Na noite da terça-feira seguinte à divulgação do vídeo, a Controladoria-Geral da União anunciou providências imediatas. O órgão informou que os fatos indicam violação grave dos deveres funcionais previstos na Lei nº 8.112/1990, especialmente no dispositivo que exige conduta compatível com a moralidade administrativa, inclusive fora do exercício direto da função pública.

Entre as medidas adotadas estão:

  • Encaminhamento do caso à Corregedoria-Geral da União e à Comissão de Ética da CGU, com abertura imediata de investigação preliminar para apuração de responsabilidades ética e disciplinar;
  • Revogação da designação do servidor como substituto eventual da chefia imediata, afastando-o de qualquer função de liderança;
  • Proibição de ingresso do servidor nos prédios da CGU, enquanto as apurações estiverem em andamento, como forma de preservar o ambiente institucional.

A CGU também destacou que, no campo criminal, os fatos devem ser apurados pelas autoridades competentes, conforme a legislação penal vigente.

“Quero ser claro ao dizer que violência contra a mulher e contra crianças é crime. Não se trata de desentendimento, conflito privado ou questão pessoal. Estamos falando de agressão, de violação à lei e de afronta à dignidade humana”, diz a nota assinada pelo ministro da CGU, Vinícius de Carvalho.

Determinação presidencial e discurso de tolerância zero

Ao se manifestar sobre o caso, o presidente Lula classificou o episódio como grave e inadmissível, ressaltando que não haverá complacência com agressores, independentemente do cargo que ocupem. Para o governo, servidores públicos devem ser referência de conduta ética e cidadã, dentro e fora do ambiente de trabalho.

Nas últimas semanas, o presidente tem assumido protagonismo em uma campanha nacional contra o feminicídio e a violência contra mulheres e crianças. Em pronunciamento recente em rede nacional, Lula anunciou que o tema será prioridade da agenda governamental em 2026, com envolvimento de ministérios, instituições públicas e da sociedade civil, além de um chamado específico para o engajamento dos homens no enfrentamento da violência de gênero.

“Vou liderar um grande esforço nacional envolvendo ministérios, instituições e toda a sociedade brasileira. Nós que somos homens devemos fazer um compromisso de alma. Em nome de tudo que é mais sagrado, seja um aliado”, disse o presidente.

Histórico de ameaças e comportamento agressivo

Além da agressão recente, David Cosac Junior já havia sido denunciado anteriormente por comportamento violento. Em outubro de 2017, ele foi alvo de um registro policial por injúria e ameaça contra um funcionário de supermercado, após um erro no registro do preço de um produto comprado por ele.

Segundo a denúncia, o servidor teria chutado repetidamente o carrinho de compras, ofendido o gerente com xingamentos, questionado sua capacidade profissional e feito ameaças indiretas, sugerindo que aguardaria o funcionário do lado de fora do estabelecimento após o expediente. A reportagem questionou o Tribunal de Justiça do Distrito Federal sobre eventual condenação nesse caso, mas ainda aguarda resposta.

Possível expulsão e desdobramentos

Com a determinação presidencial e o avanço das apurações internas, o processo pode resultar na pena máxima prevista para servidores federais: a demissão do serviço público, caso as irregularidades sejam confirmadas. A eventual sanção administrativa não exclui responsabilização criminal, que seguirá seu próprio curso na Justiça.

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Equipe de jornalistas e editores do portal Muita Informação

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