Cumprimento entre Lula e Milei é protocolar e frio em cúpula do Mercosul
Relação entre os presidentes do Brasil e da Argentina é marcada por divergências políticas e ideológicas
Reprodução/CNN Brasil
O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe de Estado da Argentina, Javier Milei, foi marcado por um cumprimento protocolar e distante durante a 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, realizada neste sábado (20). A frieza contrastou com a recepção mais calorosa dispensada por Lula ao presidente do Paraguai, Santiago Peña, que assume a presidência rotativa do Mercosul a partir de janeiro.
Imagens que circularam nas redes sociais evidenciam a diferença de postura. Ao receber Milei, Lula limitou-se a um breve gesto, com um “tapinha no ombro”, sem troca de sorrisos. Na foto oficial, os dois permaneceram visivelmente distantes. Já no cumprimento a Peña, o presidente brasileiro apareceu sorridente, com aperto de mãos, proximidade corporal e um abraço lateral, reforçando o clima de cordialidade entre os dois países.
Histórico de atritos entre Lula e Milei
A relação entre os presidentes do Brasil e da Argentina é marcada por divergências políticas e ideológicas. Milei é um crítico recorrente de Lula e mantém alinhamento com a família Bolsonaro. Há cerca de duas semanas, o presidente argentino compartilhou em suas redes sociais uma publicação relacionada à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Mais recentemente, Milei também gerou polêmica ao divulgar uma ilustração que comparava Brasil, Uruguai, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa a uma grande favela, enquanto retratava outros países da América do Sul como regiões futuristas, o que foi interpretado como um ataque simbólico a governos progressistas da região.
Discurso de Milei sobre a Venezuela amplia divergências
As diferenças entre Lula e Milei ficaram ainda mais evidentes durante os discursos na cúpula. O presidente argentino elogiou publicamente a pressão militar dos Estados Unidos sobre a Venezuela, defendendo que ações militares norte-americanas têm como objetivo “libertar” a população venezuelana.
“A Argentina saúda a pressão dos Estados Unidos e de Donald Trump para libertar o povo venezuelano. O tempo de ter uma aproximação tímida nesta matéria se esgotou”, afirmou Milei, ao defender inclusive a ampliação das operações militares dos EUA na região.
O presidente argentino classificou o líder venezuelano Nicolás Maduro como “narcoterrorista” e endossou o discurso do ex-presidente Donald Trump, que acusa o governo venezuelano de colaborar com cartéis de drogas.
Lula critica intervenção armada e defende diálogo
A fala de Milei seguiu na direção oposta ao posicionamento de Lula, que, minutos antes, havia alertado para os riscos de uma intervenção armada na Venezuela. Sem citar diretamente os Estados Unidos, o presidente brasileiro afirmou que uma ação militar representaria uma catástrofe humanitária e criaria um precedente perigoso para a América do Sul e o mundo.
Lula tem defendido uma solução diplomática, colocando o Brasil à disposição para intermediar o diálogo entre Washington e Caracas. O presidente brasileiro afirmou ainda que pretende conversar com Donald Trump nos próximos dias para tratar das ameaças norte-americanas ao país vizinho.
Riscos regionais e escalada militar dos EUA
O governo brasileiro avalia que um eventual conflito teria impactos diretos no Brasil, com a possibilidade de um novo fluxo de refugiados, além de aumento da instabilidade política e de segurança no continente. A preocupação é que o alinhamento de presidentes de direita da região aos Estados Unidos fragilize ainda mais o cenário sul-americano.
Nos últimos meses, os Estados Unidos intensificaram a presença militar na costa da Venezuela e no Mar do Caribe, com navios de guerra, caças F-35 e o porta-aviões USS Gerald R. Ford posicionados na região. Segundo autoridades norte-americanas, embarcações ligadas ao tráfico de drogas foram alvo de ações militares, em meio a acusações de colaboração do governo venezuelano com o chamado “narcoterrorismo”.
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