Após Câmara manter Zambelli, STF prepara ações para fazer valer decisão de perda de mandato
Zambelli foi condenada em dois processos criminais no STF
Divulgação / Câmara dos Deputados
O Supremo Tribunal Federal (STF) reagiu de forma imediata à decisão da Câmara dos Deputados de manter o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), tomada na madrugada desta quinta-feira (11). A Corte havia determinado a perda automática do mandato após a condenação definitiva da parlamentar por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A manutenção do mandato foi tratada internamente entre ministros como descumprimento da ordem judicial e como motivo para novas ações voltadas à execução da decisão.
A avaliação inicial no STF é de que a Câmara contrariou determinação já transitada em julgado. Ministros consideraram que, diante da pena em regime fechado, Zambelli está impossibilitada de exercer o cargo. Eles afirmaram que a Mesa Diretora da Câmara deveria apenas cumprir a determinação judicial.
“Ela não pode exercer seu mandato, é diferente de um parlamentar que cumpre pena em regime semiaberto, que pode ir votar durante o dia e voltar para a prisão à noite. A Câmara tinha de simplesmente declarar a perda de mandato, não tinha de passar pelo plenário”, analisou um magistrado ouvido pelo comentarista Valdo Cruz, do g1.
Medidas possíveis do Supremo
Outro ministro defendeu uma revisão da decisão pela própria Câmara. “O ideal é que eles corrigissem o erro para evitar um novo embate entre Câmara e STF”. Entre as alternativas estudadas pela Corte está aguardar uma ação formal que questione o descumprimento, possivelmente apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Esse instrumento poderia pedir a anulação da sessão e o restabelecimento imediato da perda de mandato.
Ainda na quinta-feira (11), o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), disse que o partido apresentou um pedido ao STF para obrigar o presidente da Casa, Hugo Motta, a executar a decisão judicial. “Se Motta não cumprir decisão do STF está cometendo crime de responsabilidade”, disse. A solicitação busca assegurar a ordem judicial e esclarecer as circunstâncias do descumprimento.
Entendimento consolidado do STF
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, também pode tomar medidas individuais para garantir o cumprimento da decisão. Há no tribunal entendimento sedimentado sobre a perda automática do mandato em casos de condenação criminal definitiva com pena em regime fechado. A Corte aplicou o mesmo posicionamento no processo do ex-deputado Daniel Silveira, condenado por ataques ao tribunal e aos seus ministros.
De acordo com a Constituição Federal, casos de condenação criminal definitiva são submetidos à deliberação da Casa legislativa correspondente. O entendimento do STF, contudo, é que condenações com regime fechado tornam inviável o exercício da função, resultando na perda automática do mandato. Esse é o ponto que fundamenta a decisão referente à deputada.
Condenações impostas
Zambelli foi condenada em dois processos criminais no STF. Em um deles, recebeu pena de 10 anos de prisão após a Primeira Turma concluir, de forma unânime, que houve sua participação na invasão aos sistemas do CNJ. A decisão foi proferida em maio e levou em conta as acusações apresentadas pela PGR. A Corte entendeu que houve inserção de documentos falsos, entre eles um mandado de prisão adulterado em nome do ministro Alexandre de Moraes.
Na outra ação, a deputada foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão por perseguição armada a um apoiador do presidente Lula, episódio registrado na véspera do segundo turno das eleições de 2022. A soma das condenações e o regime determinado pelos ministros foram elementos destacados nas manifestações internas do STF sobre a impossibilidade de manutenção do mandato parlamentar.
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