Vixe! Saída de Coronel abre crise no governo. MDB cobra a vice e Geddel ameaça romper. A pressão sobre Jerônimo e a culpa de Wagner. A voz de Kassab e o impacto em Neto
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De olho no MDB?
Após a confirmação da saída do senador Angelo Coronel do PSD, todas as atenções se voltaram para o MDB na Bahia. Com a decisão do PT de lançar uma chapa puro-sangue, restou apenas a vaga de vice para uma eventual acomodação na base governista. E, no meio desse processo, eis que o governador Jerônimo Rodrigues convidou o ex-ministro e dirigente do MDB, Geddel Vieira Lima, para almoçar e falar sobre a sucessão. Ontem, durante encontro na Governadoria, o emedebista ouviu os argumentos do governador e aproveitou para afirmar que o partido não abria mão da vaga de vice na sua chapa à reeleição.

Crédito: Agência Brasil
Direito garantido
Em entrevista ao Portal M! após o almoço, Geddel enfatizou que a posição do MDB já havia sido comunicada ao próprio governador, diante do entendimento de que o partido tem direito ao espaço e de que outras legendas, a exemplo do PSD, já estão suficientemente contempladas no grupo. “Eu disse, com clareza, que o tempo de negociar participação em chapa com o MDB passou. Nós não abrimos mão da vice”, afirmou o emedebista.

Crédito: Divulgação
Operação pra manter Coronel
Durante a entrevista, Geddel explicou que, antes de o senador Angelo Coronel anunciar o rompimento da base, houve disposição do MDB para dialogar e buscar um entendimento que preservasse a unidade política. Segundo ele, esse cenário mudou completamente após o anúncio da saída do senador. De acordo com o dirigente, a conversa chegou a existir como forma de manter Coronel na base, mas perdeu sentido diante da decisão já tomada pelo parlamentar.

Crédito: Agência Senado
Espaços relevantes
Geddel reforçou que o MDB entende que o PSD, comandado na Bahia pelo senador Otto Alencar, já ocupa espaços relevantes dentro da aliança governista. “O MDB não abre mão da posição na vice. Até porque compreendemos que o PSD do senador Otto Alencar já está extremamente bem contemplado dentro da aliança”.

Crédito: Equipe M!
Com a bola no pé
O entendimento na base governista é que “a bola agora está no pé” do governador Jerônimo para decidir sobre a manutenção ou não do MDB na vice. Pelo que se diz no grupo, se o partido for retirado da chapa, não hesitará em migrar para a oposição e fechar com o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. O posicionamento, ainda segundo fontes da base do PT, é de que a decisão do MDB está tomada e que, se houver qualquer movimentação para tirar o partido da vice, terá como resultado o rompimento, por ficar explícita, assim, a má vontade da cúpula petista com os emedebistas.

Crédito: Equipe M!
No colo dele
Lideranças de partidos da base do governo estadual estão colocando na conta do senador Jaques Wagner a confusão pela montagem da chapa à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues. Além do acordo com o então governador Rui Costa sobre a vaga do Senado deste ano, feito em 2022, Wagner está sendo apontado como responsável pela perda do timing para conversas entre os aliados nesta eleição. O entendimento é que os desgastes que estão acontecendo agora poderiam ter sido evitados se o assunto tivesse sido tratado como deveria e no momento certo. “Não dá pra deixar a solução para a bacia das almas”, como disse um aliado, ao afirmar que os caciques do PT negligenciaram a participação dos aliados no processo.

Crédito: Equipe M!
Conselho político
A expectativa agora é para a reunião do conselho político, que será realizada nesta quinta-feira (5), quando o governador Jerônimo deverá discutir com os dirigentes dos partidos da base a montagem da sua chapa à reeleição. Na verdade, todas as atenções se voltam para a forma como os figurões do PT conduzirão o diálogo com o MDB. Se mantiverem o partido na vice, a aliança segue mantida. No entanto, se o partido tiver que dar espaço para outra sigla indicar, não hesitará em romper e migrar para a oposição, apoiando a candidatura de ACM Neto, do União Brasil. Esse cenário, inclusive, deverá ajudar a nortear a decisão do governador e do grupo.

Crédito: Márcia Espíndola
Operação navalha
O que mais se comenta nos corredores do Centro Administrativo da Bahia é que o governo do estado prepara uma verdadeira operação navalha contra o senador Ângelo Coronel, que anunciou sua saída do PSD na última semana. A informação é que o governador Jerônimo Rodrigues deve exonerar, até a próxima segunda-feira, todo mundo indicado por Coronel, sobretudo os que estão acomodados na Agerba e na Bahia Pesca. Quem conhece de perto o senador diz que a perda dos cargos não faz sequer cócegas nele. “Coronel não precisa de cargos, né?”, como enfatizou um integrante do PSD.

Saulo Cruz/Agência Senado
Subestimaram Coronel
E, por falar na queda de braço governista, o que se comenta na própria base é que os caciques do PT erraram feio, pois não acreditaram que o senador Ângelo Coronel tomaria a atitude de romper. No meio do processo, vários foram os espaços (cargos) colocados na mesa de negociação, mas sem êxito, impedindo a construção de uma solução negociada para o problema. Além disso, minimizaram a importância do MDB, que passou a ver a vice, que é ocupada por Geraldo Júnior, ficar ameaçada, sob a justificativa de que era uma moeda de troca para resolver o problema do PSD.

Flickr/Jerônimo Rodrigues
A voz de Kassab
No meio da guerra de narrativas criada com a saída de Coronel, eis que o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, teve que vir a público negar qualquer articulação política envolvendo o ex-prefeito ACM Neto. Em entrevista à rádio CBN Salvador, ele descartou mudanças na condução do partido na Bahia, como chegou a ser especulado nos últimos dias. Kassab reafirmou que o comando estadual da legenda continua sob a liderança do senador Otto Alencar e confirmou a manutenção do apoio à reeleição do governador Jerônimo e do presidente Lula.

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Respaldo da executiva
De forma categórica, Kassab reforçou que Otto, além de fundador do PSD, segue com total respaldo da Executiva Nacional para conduzir o partido no estado. Segundo disse, a autonomia dos diretórios era um princípio respeitado pela sigla, especialmente em estados onde o partido mantinha alianças bem-sucedidas e estabilidade política ao longo dos últimos anos. “Não faz sentido alterar uma diretriz política que vem dando resultados. Nossas decisões são pautadas pela coerência e pela história construída”, ressaltou.

Reprodução/Instagram @ottoalencar
Sem encontro
Kassab também negou qualquer encontro com o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, assim como reuniões envolvendo o próprio Coronel ou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, citados em especulações de bastidores. Ele afirmou que não esteve em Brasília nos dias mencionados e classificou as informações como infundadas. De acordo com Kassab, a disseminação desse tipo de conteúdo gera ruído no debate político e tenta criar um cenário de instabilidade que não existe dentro do PSD baiano. Para o dirigente, a posição do partido segue clara e pública.

Divulgação
Apoio irrestrito
No meio do fogo cruzado no PSD, parlamentares do partido gravaram um vídeo para defender a liderança do senador Otto Alencar, presidente estadual da sigla. A gravação reúne deputados federais, estaduais e pré-candidatos, em uma demonstração de unidade do grupo. “[…] Hoje, aqui, visitando o senador Otto Alencar, toda a bancada estadual e os que não estão presentes, sintam-se representados. Nos deem autorização pra isso. Pra reafirmar o nosso compromisso de seguir em frente com a liderança do senador Otto Alencar, com Jerônimo e com Lula”, disse a presidente da ALBA, Ivana Bastos, no vídeo.

Divulgação
Será que ele vai?
A dúvida ontem entre os caciques da oposição era se o senador Ângelo Coronel iria ou não para Irecê, nesta quinta-feira, para participar da 3ª edição do Fórum S.O.S Bahia, evento que reunirá o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, o ex-governador da Bahia, Paulo Souto, e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Segundo figuras expoentes da oposição, não se sabe ainda se o evento, que tem como foco a crise hídrica no semiárido, será o palco ideal para a primeira aparição de Coronel ao lado de Neto e seus novos aliados. Até lá, é muita informação!

Reprodução/Instagram @angelo.coronel
Últimos ajustes
Pré-candidato ao governo do estado, ACM Neto reforçou esta semana o desejo de incluir o senador Angelo Coronel na sua chapa este ano. Em entrevista à Victor Ponto, na festa de Iemanjá, na segunda-feira, Neto disse ter aguardado os desdobramentos da relação de Coronel com o governo para avançar nas conversas. Ele aproveitou para acusar o Partido dos Trabalhadores de ter “fome de poder” em razão da chapa puro-sangue.
Peso desprezado
“Imaginem que eles, do PT, simplesmente desprezaram um político do tamanho, peso e liderança de Coronel, que já foi deputado estadual, presidente da Assembleia e é o senador com o maior respaldo entre prefeitos da Bahia. Depois de tudo o que aconteceu, eu me sinto à vontade para dar início às conversas com o senador”, disse Neto, ao afirmar que o União Brasil “estará de portas abertas” para recebê-lo.
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