Anvisa aprova Butantan-DV, 1ª vacina brasileira contra a dengue
Imunizante de dose única tem eficácia de 74,7% e deve integrar PNI em 2026, enquanto Brasil e Bahia mantêm milhões de casos e seguem em alerta
Divulgação/Butantan
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta última quarta-feira (26), a primeira vacina brasileira contra a dengue, a Butantan-DV, produzida pelo Instituto Butantan. O imunizante, de dose única, é destinado à população entre 12 e 59 anos e deve começar a ser aplicado em 2026, após a incorporação ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a expectativa é acelerar os trâmites para que o uso seja liberado “o mais rápido possível”.
Mesmo com o novo imunizante, autoridades reforçam que a prevenção continua crucial. O Ministério da Saúde registrou queda de 75% nos casos prováveis e 72% nas mortes frente a 2024, mas o país ainda soma mais de 1,6 milhão de infecções até novembro. O período crítico segue ativo, com 30% dos municípios em alerta e mais de 80% dos focos do Aedes dentro de casas. Na Bahia, os casos recuaram para 30,7 mil — redução de 86% — e os óbitos caíram para 15, ante 185 no ano passado.
Eficácia da Butantan-DV e impacto na prevenção
A aprovação foi baseada em um estudo clínico de fase 3 que acompanhou mais de 16 mil voluntários entre 2016 e 2024. Os resultados apontam 74,7% de eficácia geral, 91,6% contra formas graves, e 100% de proteção contra hospitalizações por dengue. O imunizante utiliza vírus atenuado e apresentou perfil de segurança considerado adequado por especialistas, com reações leves a moderadas, como dor no local da aplicação e fadiga.
Para o cirurgião oncológico Luiz Augusto Maltoni, diretor-executivo da Fundação do Câncer, a vacina representa avanço diante da expansão da dengue no país. Ele reforça que o imunizante se mostrou eficaz tanto em pessoas que já tiveram contato prévio com o vírus quanto naquelas sem infecção anterior.
Produção em larga escala e estratégia nacional
O Instituto Butantan já iniciou a produção e possui mais de 1 milhão de doses prontas para entrega ao PNI em 2026. A parceria firmada com a empresa chinesa WuXi vai permitir ampliar a capacidade e chegar a 30 milhões de doses no segundo semestre do mesmo ano. O desenvolvimento, no entanto, permanece 100% nacional.
O Ministério da Saúde avalia que uma vacina de dose única tende a aumentar a adesão da população, especialmente diante das dificuldades enfrentadas com campanhas de múltiplas doses. A vacina japonesa da Takeda continuará sendo utilizada — o governo já tem 18 milhões de doses contratadas.
Mudanças climáticas ampliam risco da dengue
Para o vice-presidente da SBIm, Renato Kfouri, as alterações climáticas tornam a vacinação ainda mais urgente. O especialista destaca que o avanço do aquecimento global favorece a proliferação do Aedes aegypti, ampliando a circulação do vírus em áreas tropicais e subtropicais. “A necessidade de vacinas passa a ser primordial para controle das doenças transmitidas por vetores”, afirma.
Ampliação do público-alvo e novas pesquisas
O Butantan já recebeu autorização da Anvisa para avaliar a vacina em pessoas de 60 a 79 anos. Caso os resultados sejam favoráveis, o grupo poderá ser incluído nas recomendações. Pesquisas também devem ampliar o uso para crianças de 2 a 11 anos, permitindo que mais faixas etárias sejam protegidas.
Situação nacional: queda nos casos, mas alerta permanece
Mesmo com a aprovação da nova vacina, autoridades reforçam que a prevenção continua essencial. Dados do Ministério da Saúde mostram queda de 75% nos casos prováveis e 72% nas mortes em comparação com o mesmo período de 2024. Ainda assim, mais de 1,6 milhão de casos foram registrados até novembro de 2025.
O governo alerta que o período crítico da transmissão — entre novembro e maio — segue ativo e que 30% dos municípios estão em situação de alerta. Mais de 80% dos focos do Aedes continuam dentro das residências, em locais como vasos, pratinhos de plantas, caixas d’água e calhas.
A Bahia registra atualmente 30,7 mil casos prováveis de dengue, uma redução de 86% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram notificados 229,5 mil casos. Quanto aos óbitos, o Estado confirmou 15 mortes neste ano, número inferior ao de 2024, quando houve 185 registros.
Bahia reforça ações locais contra mosquito
Na Bahia, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) intensifica mutirões, visitas domiciliares e campanhas educativas. O ponto alto da mobilização ocorre desde o início de novembro, com ações simultâneas em escolas, praças e comunidades. A diretora da Divep, Márcia São Pedro, destaca que o Estado reduziu em 86,7% os casos prováveis de dengue, mas reforça que a vigilância precisa ser contínua.
“A dengue é uma doença que se combate todos os dias, com envolvimento de toda a sociedade”, afirma.
De acordo com o governo estadual, cerca de R$ 20 milhões foram investidos para apoiar as prefeituras, com a compra de veículos de fumacê (UBV pesado), kits para agentes de endemias, insumos estratégicos e materiais educativos. Cidades como Salvador, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Camaçari, Vitória da Conquista, Ilhéus, Porto Seguro, Eunápolis, Jequié, Juazeiro, Barreiras, Itabuna e Teixeira de Freitas concentram as maiores mobilizações.
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