Cientista político diz que eleições municipais marcaram vitória da oposição na Bahia
Paulo Fábio Dantas enfatizou que resultado deve ser medido pelo número de votos e não pela quantidade de prefeituras conquistadas
Equipe M!
O cientista político e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Paulo Fábio Dantas, analisou as eleições municipais na Bahia e afirmou acreditar que os resultados marcaram uma “vitória muito importante da oposição”. Ao Portal M!, Dantas ressaltou que o resultado deve ser medido pelo número de votos, e não pela quantidade de prefeituras conquistadas.
“O quadro objetivo das eleições municipais são de uma vitória muito importante da oposição. Porque você não mede isso com o número de prefeituras, você mede isso com o número de votos no estado. Se você pegar todas as grandes cidades baianas, que, juntas, podem fazer quase metade do eleitorado, está em 20 cidades, aproximadamente. As vitórias obtidas pela oposição foram em quase todos os grandes, maiores municípios”. apontou.
Ainda conforme o cientista, entre as 20 maiores cidades baianas, a única com vitória petista foi Camaçari, com Luiz Caetano, enquanto as demais foram através de partidos da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
“Dessas 20, o governo ganhou em seis. E dessas seis, o único município que venceu com candidato petista foi Camaçari, no segundo turno. Todos os outros, foram Otto [Alencar, do PSD], MDB, aliados. Então, é evidente que, dessa eleição, o governo sai ainda com o mesmo desafio que teve depois que venceu em 2022”, explica.
Diante disso, Paulo Fábio acredita que o principal desafio da base governista será reverter o fenômeno da “opinião espalhada e difusa nas grandes cidades”, enquanto na oposição, a aposta do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), estará na capacidade das grandes cidades de serem influentes sobre o eleitorado dos municípios menores, locais em que “o poder do Estado é muito grande”.
Cenário em 2022
O cientista político também fez uma avaliação do resultado das eleições em 2022. Segundo ele, dois fatores teriam sido cruciais para a derrota da oposição, na figura de ACM Neto, na disputa pelo governo do estado. O primeiro ponto, conforme Paulo Fábio, foi a dificuldade da oposição se articular e se apresentar na campanha como um grupo político.
“[Houve] uma liderança personificada, quando havia, à sua volta, líderes importantes, votações importantes, como José Ronaldo, Leo Prates, mas você não via isso aparecer. Acho que o discurso de Neto nessas campanhas municipais já demonstra que essa lição foi aprendida. Tem falas dele depois da eleição do Camaçari, por exemplo, que perdeu, que são falas de valorização dessa lógica do grupo”, avaliou.
Outro elemento a levar em conta é a falta de uma “articulação nacional clara”. “Aparecer numa eleição como aquela em 2022, sem candidato. Não estou dizendo que ele tinha que fabricar o candidato, não, porque ele não tinha jeito, ele não ia apoiar Bolsonaro. Eu não posso nem dizer que foi um erro de ACM Neto, porque naquelas circunstâncias ali, ele vai fazer o quê? Vai apoiar Bolsonaro? Não dá. Ele teve de aguentar, mas foi um problema”, afirmou.
Conforme o cientista político, o problema deve ser discutido de forma mais profunda, inclusive a partir da formação do União Brasil. Na avaliação de Paulo Fábio Dantas, a criação do partido, a partir de uma fusão entre o DEM e o PSL, “prejudicou e muito” a campanha estadual.
“Sem a fusão com o partido do [Luciano] Bivar, o antigo DEM, ele era uma força política composta numa articulação de centro-direita, de centro, que estava envolvendo o MDB, o PSDB, estava envolvendo outros partidos. Mas a formação do União Brasil enfraqueceu de tal forma que quase inviabiliza a existência de qualquer candidatura”, avalia.
O cientista lembrou que a candidatura de Simone Tebet (MDB), atual ministra do Planejamento e Orçamento, teve bom desempenho político, apesar do resultado eleitoral modesto, e ressaltou que esse seria o “campo político que daria consistência ao discurso de ACM Neto na política baiana”.
“E ele saiu daquele campo, porque optou, ninguém está sabendo quais alternativas que ele tinha, mas o fato é que a saída dele daquele campo para concentrar-se na organização de um partido, o União Brasil, deixou esse partido vulnerável. Então, essa questão política precisa ser resolvida. Porque ele não tem, nem que fosse o avô [Antonio Carlos Magalhães, govenador e senador] reencarnado dez vezes, ele não tem condição de decidir a situação da política brasileira a partir de si próprio”, avaliou.
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