Campos Neto critica discurso de ‘nós contra eles’ e responde acusações sobre juros altos
Em primeira entrevista após deixar Banco Central, ex-presidente rebate críticas de Haddad e alerta para riscos fiscais do governo Lula
Jose Cruz/Agência Brasil
Em sua primeira manifestação pública após o fim da quarentena exigida por lei, o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, criticou, neste último domingo (6), a narrativa política de “nós contra eles” adotada por setores do governo, especialmente no debate econômico. Campos Neto também rebateu declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a suposta “herança de juros altos” deixada à nova gestão, e elogiou a condução técnica do seu sucessor e atual presidente do BC, Gabriel Galípolo.
“O discurso de ‘nós contra eles’ é ruim para todo mundo. Não é o que vai fazer o País crescer de forma estrutural. Precisamos unir todo mundo, o empresário, o empregado, o governo”, disse Neto.
Ex-presidente do Banco Central defende responsabilidade fiscal e nega apoio político
Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo no último domingo (6), Campos Neto expressou preocupação com a crescente politização das discussões econômicas no país. Para ele, a forma como as decisões sobre contas públicas têm sido conduzidas está cada vez mais contaminada pela lógica de polarização ideológica, especialmente na narrativa que opõe ricos e pobres. Segundo sua avaliação, esse tipo de discurso impede a construção de soluções estruturais necessárias ao crescimento econômico sustentável.
O ex-presidente do BC defendeu a importância da união entre setores distintos da sociedade empresários, trabalhadores e governo para enfrentar os desafios fiscais. Ele também projetou que, caso o país não consiga produzir superávits nas contas públicas, a dívida brasileira poderá crescer de 3 a 5 pontos percentuais ao ano, cenário que ele considera preocupante.
Resposta às críticas de Haddad e elogios a Galípolo
Durante a entrevista, Campos Neto também se posicionou em relação às críticas feitas por Fernando Haddad, que afirmou que o ex-chefe do BC teria deixado uma política monetária restritiva para seu sucessor. Ele respondeu que lamenta quando a construção de narrativas políticas se sobrepõe ao debate técnico e à busca por soluções concretas. Sem mencionar diretamente o ministro, Campos Neto indicou que sua saída foi planejada para dar maior protagonismo ao novo presidente do BC, Gabriel Galípolo.
Ele ainda destacou que manteve diálogo com Galípolo no período de transição e afirmou que a condução atual da política monetária tem sido técnica e transparente. Para Campos Neto, o problema central da economia brasileira hoje não está na política de juros, mas sim no lado fiscal, onde há grande incerteza e influência de disputas políticas. Segundo ele, o Banco Central se torna, nesse contexto, um “passageiro” do cenário fiscal adverso.
Sem envolvimento político e crítica à esquerda latino-americana
Campos Neto também negou rumores de que poderia apoiar uma eventual candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Embora tenha evitado se aprofundar nas especulações eleitorais, comentou que observa um fortalecimento de correntes de direita em diferentes países da América Latina. Para ele, a esquerda da região tende a focar excessivamente na igualdade, sem necessariamente apresentar resultados concretos na redução da pobreza.
Com um perfil técnico e avesso a embates partidários diretos, Campos Neto tentou manter a postura de neutralidade institucional durante sua gestão à frente do Banco Central. Agora, na iniciativa privada, ele promete continuar defendendo princípios como responsabilidade fiscal e estabilidade monetária, pilares que considera fundamentais para a recuperação da confiança na economia brasileira.
Contexto político e cenário fiscal preocupam mercado
As declarações de Campos Neto chegam em um momento de crescente desconfiança dos agentes econômicos em relação ao rumo das contas públicas. A expectativa em torno da capacidade do governo em cumprir metas fiscais estabelecidas na nova âncora — o arcabouço fiscal — vem sendo acompanhada de perto pelo mercado financeiro. A avaliação de que o Banco Central tem feito sua parte no controle da inflação, mas que o desequilíbrio fiscal pode comprometer os avanços, reforça o alerta feito pelo ex-presidente da autoridade monetária.
A entrevista também ocorre no contexto de mudanças no perfil do Banco Central, com Galípolo assumindo a presidência e devendo permanecer no cargo até o fim de 2027. A condução da política monetária durante sua gestão será acompanhada com atenção redobrada, especialmente diante das pressões políticas por redução de juros em meio a um cenário ainda incerto para a inflação e o crescimento.
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