BC mantém Selic em 15% e prolonga período de juros altos pela quarta vez consecutiva

Decisão reforça estratégia de cautela do Banco Central diante de cenário econômico incerto


Redação
Redação 11/12/2025 12:07 • Negócios
BC mantém Selic em 15% e prolonga período de juros altos pela quarta vez consecutiva - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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O Banco Central (BC) decidiu, nesta última quarta-feira (10), pela quarta vez consecutiva, manter a Taxa Selic em 15% ao ano, patamar que representa o maior nível de juros básicos em quase 20 anos. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e já era amplamente esperada pelo mercado financeiro, diante do comportamento recente da inflação e do ritmo mais lento da economia. As informações são da Agência Brasil.

Copom reforça cautela e mantém estratégia de juros elevados

A Selic permanece em 15% desde junho de 2024 e está no maior patamar desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. Após atingir 10,5% ao ano em maio do ano passado, o BC iniciou elevação dos juros em setembro de 2024, levando a taxa ao nível atual.

Segundo o comunicado divulgado após o encontro, o colegiado voltou a enfatizar que o atual cenário exige cautela e que a estratégia será manter os juros elevados por um período prolongado. O Copom destacou que o ambiente segue marcado por “grande incerteza”, sem indicar quando poderá iniciar um ciclo de cortes.

O comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado, disse o comunicado.

Inflação dentro do teto da meta influencia decisão

A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em novembro, o IPCA registrou alta de 0,18%, o menor resultado para o mês desde 2018.

Nos últimos 12 meses, o índice acumula 4,46%, retorno ao teto da meta contínua de inflação estabelecida pelo novo sistema vigente desde janeiro de 2025.

Como funciona a meta contínua

O modelo de meta contínua determina que a inflação deve ser acompanhada mês a mês, sempre considerando o acumulado em 12 meses. A meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — entre 1,5% e 4,5%.

A cada novo mês, o BC verifica se a inflação acumulada nos 12 meses anteriores está dentro desse intervalo. O modelo substituiu a antiga lógica de verificar apenas a inflação fechada de dezembro, ampliando a avaliação ao longo do ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de setembro, o BC reduziu a projeção do IPCA para 4,8% em 2025, mas a estimativa deverá ser revista em razão da volatilidade cambial e das pressões de preços. A nova edição do relatório será publicada no fim de dezembro.

As previsões do mercado estão ligeiramente mais otimistas. Segundo o Boletim Focus, a inflação deve fechar 2025 em 4,4%, acima do centro da meta, mas dentro do limite permitido. Há um mês, as projeções estavam em 4,55%.

Selic alta encarece crédito e limita crescimento

Juros elevados são um mecanismo usado para conter o avanço dos preços, já que encarecem o crédito, reduzem o consumo e esfriam a atividade econômica. No entanto, essa estratégia também costuma desacelerar o crescimento.

No relatório mais recente, o Banco Central reduziu sua projeção de crescimento do PIB para 2% em 2025, ante estimativa anterior de 2,1%. O mercado, porém, está mais confiante: o Focus aponta expectativa de expansão de 2,25%.

Impacto sobre mercado financeiro

A Selic é a taxa de referência dos títulos públicos negociados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). Com o aumento da taxa básica, investimentos em renda fixa ficam mais atrativos, ao mesmo tempo em que o crédito ao consumidor e às empresas se torna mais caro.

Quando reduz a Selic, o Banco Central busca estimular o consumo e a produção, o que impulsiona a economia, mas pode elevar a inflação se houver pressão de demanda. Por isso, para iniciar um ciclo de cortes, a autoridade monetária precisa ter segurança de que a inflação está controlada e que riscos não irão comprometer a estabilidade de preços.

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