IBGE mostra que 25 cidades concentram 34,2% do PIB do Brasil e expõe desigualdade regional

Município baiano aparece em segundo lugar no país em renda por habitante, impulsionado pelo refino de petróleo


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 19/12/2025 12:07 • Cidades
IBGE mostra que 25 cidades concentram 34,2% do PIB do Brasil e expõe desigualdade regional - Tânia Rêgo/Agência Brasil
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta sexta-feira (19), os dados da pesquisa Produto Interno Bruto dos Municípios 2022–2023, revelando um retrato detalhado da concentração da atividade econômica no país. O levantamento aponta que apenas 25 municípios foram responsáveis por 34,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2023, evidenciando a forte concentração de riqueza em poucas localidades.

A Bahia aparece com destaque nacional por meio de São Francisco do Conde, que ocupa a segunda posição no ranking de maior PIB per capita do Brasil, impulsionado pelo refino de petróleo, o que reforça a importância do setor energético para a economia baiana. A pesquisa foi elaborada em parceria com órgãos estaduais de estatística, secretarias estaduais e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), consolidando informações sobre a soma de bens e serviços produzidos em todos os municípios brasileiros.

Capitais e grandes centros seguem no topo do PIB

No ranking nacional, São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF) mantêm as três primeiras posições entre os municípios com maior participação no PIB. Segundo o analista do IBGE Luiz Antonio do Nascimento de Sá, essas cidades lideram desde o início da série histórica, em 2002, embora tenham perdido espaço relativo ao longo do tempo.

“Essas três cidades se mantêm nas primeiras posições desde o início da série histórica, mas vêm perdendo participação gradativamente ao longo dos anos”, explicou o analista.

Entre os 25 maiores municípios, estão 11 capitais, nove cidades paulistas, quatro fluminenses e um município mineiro. O estudo também mostra que, quando ampliado o recorte, 100 municípios concentram 52,9% de toda a riqueza produzida no país.

Em 2023, as capitais, incluindo Brasília, responderam por 28,3% do PIB nacional, enquanto os municípios do interior ficaram com 71,7%.

Serviços impulsionam crescimento das capitais

O desempenho positivo do setor de serviços foi decisivo para o aumento da participação das capitais no PIB. São Paulo registrou o maior ganho, com alta de 0,4 ponto percentual, alcançando 9,7% do PIB brasileiro. Brasília, Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro avançaram 0,1 ponto percentual cada. Belo Horizonte (MG) manteve participação próxima de 0,1 ponto percentual, permanecendo entre as capitais mais relevantes economicamente.

Por outro lado, entre as 30 cidades que mais perderam participação, sete tiveram retração associada à extração de petróleo, incluindo Maricá (RJ), Niterói (RJ), Saquarema (RJ), Ilhabela (SP) e Campos dos Goytacazes (RJ). Municípios com forte presença da indústria de transformação também figuraram entre os que perderam espaço.

PIB per capita expõe desigualdades profundas

O PIB per capita, indicador que divide o PIB pelo número de habitantes e mede a produção econômica média por pessoa, reforça a desigualdade regional. Em 2023, o PIB per capita médio do Brasil foi de R$ 53.886,67, mas 4.384 municípios, o equivalente a 79% das cidades brasileiras, ficaram abaixo desse valor.

As seis maiores rendas per capita do país estão diretamente ligadas à extração ou refino de petróleo, mesmo em um cenário considerado desfavorável para a commodity. “É curioso observar que os municípios no topo dessa lista estão ligados ao petróleo mesmo num contexto desfavorável a essa commodity. Mas alguns campos de petróleo entraram em produção”, afirmou Luiz Antonio do Nascimento de Sá.

Top 10 PIB per capita em 2023

  • Saquarema (RJ): R$ 722.441,52 – extração de petróleo
  • São Francisco do Conde (BA): R$ 684.319,23 – refino de petróleo
  • Maricá (RJ): R$ 679.714,48 – extração de petróleo
  • Paulínia (SP): R$ 606.740,73 – refino de petróleo
  • Presidente Kennedy (ES): R$ 379.982,68 – extração de petróleo
  • Ilhabela (SP): R$ 424.535,26 – extração de petróleo
  • Santa Rita do Trivelato (MT): R$ 409.443,67 – agropecuária
  • Louveira (SP): R$ 388.732,46 – indústria e comércio
  • São João da Barra (RJ): R$ 382.417,42 – extração de petróleo
  • Extrema (MG): R$ 377.790,63 – indústria de transformação

Destaque para a Bahia no ranking nacional

A Bahia aparece com destaque nacional por meio de São Francisco do Conde, que ocupa a segunda posição no ranking de maior PIB per capita do Brasil. O desempenho do município é impulsionado pelo refino de petróleo, reforçando a importância do setor energético para a economia baiana.

O dado chama atenção por posicionar a Bahia entre os principais polos de geração de riqueza por habitante, mesmo fora do eixo tradicional Sudeste–Sul.

Capitais: Brasília lidera renda por habitante

Entre as capitais, Brasília (DF) registrou o maior PIB per capita, com R$ 129,8 mil, valor 2,41 vezes superior à média nacional. O resultado reflete a forte presença da administração pública e de serviços de alto valor agregado.

Municípios mais pobres do país

No extremo oposto, o município de Manari (PE) apresentou o menor PIB per capita do Brasil, com R$ 7.201,70. O Maranhão concentrou quatro das cinco piores posições: Nina Rodrigues, Matões do Norte, Cajapió e São João Batista, evidenciando os desafios estruturais do Norte e Nordeste.

Outros destaques do levantamento

  • Agropecuária teve o maior crescimento em volume (+16,3%), apesar da queda nos preços
  • Indústria reduziu participação de 26,3% para 25,4%
  • Norte e Nordeste concentram os menores PIBs per capita
  • Centro-Oeste, Sul e Sudeste lideram os maiores indicadores
  • Municípios de São Paulo e Rio de Janeiro lideraram as perdas de participação no PIB entre 2022 e 2023

Os dados do IBGE reforçam que, embora o Brasil tenha ampliado sua produção econômica em diferentes regiões, a concentração de riqueza e as desigualdades regionais seguem como um dos principais desafios estruturais do país.

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Equipe de jornalistas e editores do portal Muita Informação

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