CEO da Casa Dez, Marcos Gordilho alerta que falsificação de bebidas é antiga, cobra indústrias e pede atenção à procedência
Empresário ressaltou que, há mais de 12 anos, a Empório Casa Dez mantém um selo próprio de autenticidade nas garrafas para garantir qualidade
Thiago Viana
O empresário Marcos Gordilho, CEO da Empório Casa Dez, afirmou, nesta quinta-feira (9), que a falsificação de bebidas é um problema antigo e que só ganhou destaque após casos de intoxicação por metanol nos últimos dias. Na última quarta-feira (8), o Ministério da Saúde divulgou 259 notificações de intoxicação pela substância, com 24 casos confirmados e 235 em investigação. Em entrevista ao programa De Olho na Bahia, da Rádio Mix Salvador (104.3 FM), Marcos enfatizou que o tema sempre existiu, mas só agora tem mobilizado atenção da população.
“Essa coisa de bebida falsificada já vem há muito tempo, desde quando eu me conheço como gente no mercado de bebida. Precisou ter algumas mortes para chamar a atenção da população. Vinho é outro produto que já é falsificado há muito tempo”, alertou.
Empresário alerta para ‘grau de sofisticação’ das falsificações
Em conversa com os jornalistas Osvaldo Lyra (editor-chefe do Portal M!), Matheus Morais, Gomes Nascimento e Catia Rhawllesty, o empresário observou que a falsificação atingiu um grau de sofisticação que torna quase impossível identificar produtos adulterados sem o auxílio de análises laboratoriais. Ele ressaltou que até selos fiscais estão sendo falsificados, o que reforça a importância de adquirir bebidas apenas de empresas com reputação consolidada e canais de venda formais.
“O nível de evolução da falsificação é tão grande que hoje só em laboratório. A própria orientação das indústrias é enviar o produto suspeito para análise. Eu percebo muito a evolução da falsificação. Então, o meu toque é que as pessoas procuram empresas realmente com procedência, de tempo de experiência, evite essas compras de Whatsapp, onde você abre o Instagram da pessoa, não tem nem loja física, porque isso é mais comum do que nós imaginamos”, explicou.
Marcos também alerta que a confiança em grandes marketplaces ou plataformas digitais nem sempre garante a procedência dos produtos. Para tanto, ele relatou casos de clientes que acreditavam ter comprado bebidas seguras, mas que na realidade estavam adquirindo produtos falsificados.
“Semana passada, com todo esse problema que aconteceu, teve um noivo que falou pra mim. ‘Olha, eu comprei minha bebida com procedência’. Eu falei: ‘mas aonde você comprou?’. ‘Eu comprei na Amazon, no Mercado Livre’. Eu falei: ‘quem te falou que isso garante a procedência? Não garante’. Tanto que o Mercado Livre tinha um projeto há um tempo atrás de atestar os fornecedores e não conseguiu. Então duvide, não existe milagre, não existe a mágica, ‘é mais barato porque ele compra direto lá’ não existe, não existe essa mágica”, contou.
Facilidades para falsificação
O empresário também aponta que decisões de algumas indústrias, como a retirada do conta-gotas das garrafas, contribuíram para facilitar a ação de falsificadores, mesmo quando feitas sob justificativa ecológica. Ele acredita que o setor deverá repensar essas medidas após os incidentes recentes.
“As indústrias têm uma parcela muito grande de culpa. Há uns dois anos atrás, uma empresa resolveu tirar o conta gotas da garrafa e a gente questionou muito sobre isso. Falei: ‘gente, vocês estão facilitando a falsificação’. Eles ‘ah, é ecologicamente mais correto’. Eu acho que vão retomar depois dessa situação, porque eles estão sofrendo com todo esse problema. Então com certeza eles vão repensar sobre o conta gotas. Não é que inibia, mas ajudava bastante, agora sem conta gotas ficou muito mais fácil”, afirmou.
Segundo ele, a falsificação avançou a ponto de criminosos montarem suas próprias destilarias, produzindo bebidas completas, o que amplia os riscos para a saúde e reforça a gravidade da situação em São Paulo, principal polo do problema.
“Antigamente, o uísque mais vendido do mercado brasileiro chamava Chanceler, porque as pessoas compravam e enchiam na garrafa de Jhonny Walker, Red Label. Hoje já está tão fácil que eles já montaram sua própria destilaria. Então todo mundo agora é alquimista, consegue fazer seu gin, sua vodka, agora foi um azar muito grande, que aconteceu com o negócio do metanol, que está muito pontual em São Paulo, mas que realmente é uma alerta muito grande”, disse.
Desinformação e necessidade de medidas preventivas
O empresário ressalta ainda que há muita desinformação circulando nas redes sociais, com perfis que se apresentam como revendedores oficiais, enganando consumidores desavisados. Ele destacou que na Bahia o número de representantes autorizados de grandes marcas é muito limitado.
“Essa semana teve uma operação da Polícia Civil em alguns grandes depósitos, revendedores de bebida. Dentro das empresas multinacionais de bebida só são dois, no máximo, três representantes na Bahia, eu faço parte de todas. É muito limitado. Essas pessoas estão se aproveitando para falar inverdades, inclusive no Instagram. Porque a gente conversa entre si: ‘esse cliente que postou aí agora é seu cliente?’ ‘Não, não é meu’”, contou.
Casa Dez mantém selo próprio de autenticidade para bebidas
Para reforçar a segurança, a Empório Casa Dez mantém há mais de 12 anos um selo próprio de autenticidade nas garrafas e intensificou a logística reversa, retirando garrafas e inutilizando embalagens para evitar que sejam reutilizadas de forma irregular.
“Nós temos um selo de procedência do produto na garrafa onde garante a autenticidade do produto. É um selo com nosso símbolo, com o nosso QR Code, etc. e agora estamos intensificando isso. Fora isso, nós fazemos uma recolha nos eventos, a logística reversa, estamos pegando as garrafas e dando uma forma de pinchar a garrafa ou quebrar a garrafa, para realmente tentar diminuir que essa garrafa não seja mais utilizada”, contou.
“Estamos buscando cada vez mais e colocando em pauta, quando o consumidor tem qualquer dúvida ou qualquer medo, a gente entra no circuito e garante para ele, tira a nota fiscal, as cópias, mostra a procedência e vamos intensificar. Inclusive, uma ideia de um consumidor ontem: que eu filmasse os caminhões descarregando na hora da chegada nas nossas empresas e achei bem legal a ideia”, complementou.
O empresário acrescentou ainda que a cooperação entre o setor privado e os órgãos fiscalizadores é fundamental para combater o mercado ilegal. Durante a entrevista, ele avaliou que as equipes de fiscalização ainda enfrentam limitações técnicas e carecem de apoio das próprias indústrias para identificar irregularidades.
“É a primeira vez, inclusive a gente foi fiscalizado, graças a Deus, não tivemos nada. Eu me coloquei à disposição dos órgãos para poder ajudar, porque a fiscalização acho que ainda tem falhas, porque falta conhecimento. E a gente precisa ajudar. São mais de 20 anos, já sofri cada coisa, já sofri cada situação, você não tem noção. É a gente fazer uma ponte dos órgãos com as indústrias e vice-versa, para poder realmente diminuir esse problema”, reforçou.
Marcos chamou atenção também para a falsificação de vinhos, que, embora não envolva o risco de intoxicação por metanol, ainda representa uma fraude ao consumidor. Ele defendeu mais transparência e acredita que abrir o processo de venda ao público poderia reduzir os casos.
“Não ache que o vinho está fora. Pode não ter metanol, mas você está tomando gato por lebre. Acho que quem diz vender bebida autêntica devia abrir para visitação e mostrar as notas. Isso evitaria muita coisa”, observou.
Para o CEO, o problema é mais comum entre pequenos revendedores e vendedores informais. Segundo ele, as grandes redes de supermercados e atacadistas tendem a manter práticas seguras, já que não se arriscam por um produto que representa uma pequena fração de seu faturamento. “Eu duvido que essas grandes redes locais da Bahia se envolvam. É mais restrito a pequenos negócios. A bebida é cócega do faturamento deles, não vão se arriscar, não acredito, não”, explicou.
Marcos Gordilho defende fiscalização nas fábricas
Na ocasião, Marcos criticou ainda o silêncio das grandes indústrias diante do aumento das falsificações e defende que elas assumam papel ativo na garantia da autenticidade dos produtos. Para ele, é preciso que as fabricantes também sejam fiscalizadas, não apenas os pontos de venda.
“Eu tenho exigido às indústrias atestar. Eu acho que as indústrias estão um pouco caladas com relação ao problema. Você pode reparar que não houve nenhum pronunciamento das grandes indústrias, só mesmo os que revendem, ou que dizem que revende”, afirmou.
Apesar do cenário de risco, o empresário acredita que o consumo de bebidas não será afetado. Ele defende, no entanto, que o setor precisa de uma mudança de postura, com foco em educação e responsabilidade.
“O mercado de bebida não tem crise, seja a crise econômica, seja essa crise agora que está acontecendo, as pessoas não vão deixar de beber nunca. Eu estava no Uber em São Paulo quando estorou e ele falou: ‘doutor, na minha rua só tem falsificado, Não existe outra bebida sem ser falsificada’. Já faz parte do dia a dia e a gente tem que banir isso porque está muito escancarado o negócio”, sinalizou.
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