Bahia lidera Nordeste em assassinatos de mulheres e escancara drama da violência contra negras
Estado registrou 358 assassinatos em 2023, ficando atrás apenas de SP, MG e RJ em números absolutos, segundo Atlas da Violência
Tânia Rêgo/Agência Brasil
A Bahia voltou a ocupar uma posição alarmante no cenário da segurança pública nacional. Segundo o Atlas da Violência 2025, divulgado nesta última segunda-feira (12) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 358 mulheres foram assassinadas no Estado em 2023. O dado faz da Bahia a líder do Nordeste em homicídios femininos e a quarta unidade da federação com maior número absoluto de casos, atrás apenas de São Paulo (585), Minas Gerais (456) e Rio de Janeiro (379).
O Brasil registrou 3.903 homicídios de mulheres no último ano, o maior número desde 2018. A média nacional foi de 3,5 assassinatos a cada 100 mil mulheres, índice aparentemente estável, mas que esconde grandes disparidades regionais — especialmente nos estados do Norte e Nordeste.
Violência letal tem cor e classe social
Na Bahia, onde mais de 80% da população se declara negra, o recorte racial evidencia o impacto desigual da violência. Segundo o relatório, mulheres negras seguem sendo as principais vítimas de homicídios, reforçando uma dinâmica estrutural de exclusão e vulnerabilidade.
Em todo o Brasil, o risco de uma pessoa negra ser assassinada em 2023 foi 2,7 vezes maior do que o de uma pessoa não negra. Entre os 35.213 homicídios de pessoas negras, a taxa foi de 28,9 por 100 mil habitantes, enquanto entre os não negros ficou em 10,6. O Atlas afirma que “a violência de gênero e a violência racial estão interligadas”, e destaca que a precariedade no acesso a políticas públicas de proteção, saúde e assistência social contribui para o agravamento da situação.
Na Bahia, essa realidade se traduz em assassinatos que atingem especialmente mulheres negras e pobres, muitas vezes residentes em periferias urbanas com baixa presença do Estado e escassa rede de proteção.
Estados com maiores e menores taxas de homicídio de mulheres
Entre as unidades da federação, Roraima lidera a taxa de homicídios femininos em 2023, com 10,4 por 100 mil habitantes — o triplo da média nacional. Logo depois aparecem Amazonas, Bahia e Rondônia, todos com 5,9 homicídios por 100 mil mulheres.
Na outra ponta, os estados com menores taxas foram São Paulo (1,6), Minas Gerais (2,6), Distrito Federal (2,7) e Santa Catarina (2,8).
Feminicídios continuam subnotificados
Apesar da Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, o estudo aponta para subnotificação desse tipo de crime, o que distorce os dados reais sobre a motivação de gênero nos homicídios femininos. Em 2023, 35% das mulheres assassinadas no Brasil foram mortas dentro de casa, um dos principais indicadores de violência doméstica e de feminicídio.
De acordo com o pesquisador Daniel Cerqueira, coordenador do estudo pelo Ipea, “quando uma mulher é morta em ambiente doméstico, em mais de 90% dos casos o autor é o companheiro, ex-marido ou um parente próximo”. Por isso, o Atlas adota como critério alternativo a ocorrência de homicídio dentro da residência da vítima, diante da insuficiência de registros oficiais sobre feminicídios.
Bahia também lidera em homicídios totais
O retrato da violência na Bahia vai além dos crimes contra mulheres. O Estado também lidera em número absoluto de homicídios no Brasil, com 6.616 mortes registradas em 2023. O dado evidencia a persistência de uma crise de segurança pública que atinge principalmente jovens negros moradores de áreas vulneráveis.
Enquanto estados como São Paulo e Santa Catarina registram melhorias consistentes nos índices de segurança, a Bahia segue entre os mais violentos do país, com altas taxas de homicídios por armas de fogo e baixa resolução de crimes.
Desigualdade regional exige políticas específicas
A situação baiana expõe a urgência de políticas públicas específicas para a realidade do Nordeste, onde se concentram alguns dos piores indicadores de segurança. A ausência de investimentos consistentes em prevenção, educação, proteção social e justiça contribui para a manutenção de um ciclo de violência estrutural que vitimiza, principalmente, mulheres, pessoas negras e moradores das periferias.
Apesar da queda geral na taxa nacional de homicídios — de 21,7 para 21,2 por 100 mil habitantes — o Brasil ainda enfrenta níveis críticos de violência, e a Bahia é um dos principais retratos dessa realidade desafiadora.
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