Trump ameaça países alinhados ao Brics com tarifa extra de 10%; líderes do bloco reagem

China, Rússia e África do Sul criticam medida dos EUA e defendem atuação do bloco por cooperação global e não contra outros países


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 07/07/2025 12:38 • Internacional
Trump ameaça países alinhados ao Brics com tarifa extra de 10%; líderes do bloco reagem - Reprodução/Instagram @potus
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou, na noite deste último domingo (6), impor uma taxação extra de 10% a países que se alinharem politicamente ao bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Conforme postagem feita em sua rede Truth Social, ele justificou que a medida é motivada como uma forma de punir as “políticas antiamericanas” do Brics.

“Qualquer país que se alinhar às políticas antiamericanas do Brics será submetido a uma tarifa adicional de 10%. Não haverá exceções a essa política. Obrigado pela atenção a este assunto!”, escreveu Trump.

A ameaça acontece durante a reunião da cúpula de líderes do bloco, que acontece, até esta segunda-feira (7), no Rio de Janeiro. Durante o evento, os países sinalizaram preocupação com medidas protecionistas e unilaterais de comércio, devido à guerra tarifária desenvolvida pelo presidente norte-americano.

China e África do Sul reagem

As reações à ameaça vieram logo nas primeiras horas da manhã desta segunda-feira (7). Representantes oficiais de três dos cinco países do bloco se manifestaram em defesa do Brics. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou em nota que o país “sempre se opôs a guerras tarifárias e ao uso de tarifas como ferramentas de coerção e pressão”.

Ela ainda criticou a imposição de tarifas por parte de Trump, chamando de “imposição arbitrária”. Além disso, defendeu o Brics, afirmando que o bloco representa “força positiva e inclusiva” nas relações internacionais, sem atuar contra qualquer nação específica.

Já a África do Sul, por meio do porta-voz do Ministério do Comércio, Kaamil Alli, sinalizou disposição para dialogar com os Estados Unidos e negou que tenha adotado uma linha “anti-americana”.

“Ainda esperamos uma comunicação formal dos EUA em respeito ao nosso acordo comercial, mas as conversas seguem construtivas e frutíferas”, afirmou a sul-africana.

Ainda no domingo, os líderes do bloco emitiram um comunicado criticando as medidas protecionistas adotadas pelo comércio global. “Reiteramos nosso apoio a um sistema multilateral de comércio baseado em regras, aberto, transparente, justo, inclusivo, equitativo, não discriminatório e consensual, com a OMC em seu núcleo, com tratamento especial e diferenciado (TED) para seus membros em desenvolvimento”, diz o documento.

Kremlin defende Brics

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse à agência Tass que o Brics “não está, e nunca estará, direcionado contra países terceiros”. Segundo ele, o bloco se organiza com base em uma “visão comum de cooperação global” e não adota posturas de confronto. Peskov também defendeu que decisões de política externa devem se basear em diálogo e não em ameaças tarifárias.

“De fato, vimos essas declarações do presidente Trump, mas é muito importante observar aqui que a singularidade de um grupo como o Brics é que ele é formado por países que compartilham abordagens comuns e uma visão de mundo comum sobre como cooperar com base em seus próprios interesses. E essa cooperação dentro do Brics nunca foi e nunca será direcionada”, disse Peskov.

Putin desafia EUA

Impedido de viajar internacionalmente, devido a um mandado de prisão relacionado a crimes durante a guerra da Ucrânia, Vladimir Putin enviou uma mensagem em vídeo exaltando o fortalecimento do bloco e criticando a atual ordem mundial. Segundo ele, o Brics já figura entre as principais organizações globais, com influência crescente e participação relevante nos debates internacionais.

Putin também afirmou que o modelo de globalização liberal está se tornando obsoleto e que o mundo unipolar, liderado pelos Estados Unidos, está sendo substituído por uma ordem multipolar mais justa. Para o líder russo, o centro da atividade econômica está migrando para os mercados emergentes, como os que integram o Brics.

Quais países integram Brics atualmente?

O Brics, grupo originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, passou por uma expansão recente e hoje conta com 11 países-membros. São eles:

  • África do Sul
  • Arábia Saudita
  • Brasil
  • China
  • Egito
  • Emirados Árabes Unidos
  • Etiópia
  • Indonésia
  • Índia
  • Irã
  • Rússia

Além dos membros efetivos, o grupo também conta com dez países-parceiros, que participam das discussões, mas ainda não possuem direito a voto nas decisões do bloco. Esses países são:

  • Belarus
  • Bolívia
  • Cazaquistão
  • Cuba
  • Malásia
  • Nigéria
  • Tailândia
  • Uganda
  • Uzbequistão
  • Vietnã

Ao todo, mais de 30 países já manifestaram interesse formal em integrar o Brics, o que sinaliza o fortalecimento e a crescente relevância do grupo no cenário geopolítico global.

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