Rio Vermelho além da Festa de Iemanjá: histórias, curiosidades e perfil de quem vive no bairro
Bairro que abriga a maior celebração à Rainha do Mar combina tradição, moradores antigos e um jeito de viver que cria laços e identidade
Lucas Moura/PMS
Palco da Festa de Iemanjá, uma das mais tradicionais celebrações religiosas de matriz africana do Brasil, o bairro do Rio Vermelho se transforma, todo 2 de fevereiro, que neste ano cai nesta segunda-feira, em um grande cenário de fé, cultura e devoção em homenagem à Rainha do Mar e mãe de todos orixás, em Salvador. Entretanto, para além do ritual que atrai milhares de fiéis, moradores e turistas, o bairro carrega histórias, curiosidadese um perfil demográfico singular que ajudam a explicar por que ocupa um lugar tão simbólico na identidade da capital baiana.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2022, mostram que o Rio Vermelho abriga 17.526 moradores, figurando como o 46º bairro mais populoso de Salvador. O número, embora relevante, não traduz sozinho a complexidade social, cultural e afetiva do território, que combina tradição religiosa, boemia, memória urbana e modos de vida próprios, construídos ao longo de décadas.
Bairro com mais mulheres que a cidade mais feminina do Brasil
Um dos dados que mais chama atenção no perfil do Rio Vermelho é a predominância feminina. Segundo o IBGE, 56,5% da população local é composta por mulheres, índice superior à média de Salvador, que já é considerada a cidade mais feminina do Brasil, com 54,4% de mulheres.
Esse recorte coloca o bairro entre os 15 mais femininos da capital baiana e ajuda a explicar dinâmicas do cotidiano local, marcado por intensa circulação a pé, forte presença de serviços, bares, restaurantes e equipamentos culturais. De acordo com especialistas, esse ambiente urbano favorece a permanência de mulheres que vivem sozinhas ou em famílias menores, além de atrair novos perfis de moradores ao longo do tempo.
Envelhecimento e permanência no território
Outro aspecto relevante revelado pelo Censo 2022 é o envelhecimento da população do Rio Vermelho. Quase um em cada quatro moradores tem 60 anos ou mais, o equivalente a 24,8% dos habitantes do bairro. O percentual é bem superior à média de Salvador, onde 16,5% da população está nessa faixa etária.
“Esse é um comportamento típico de bairros mais antigos e de ocupação consolidada, algo que aparece em toda a cidade, mas se manifesta de forma mais acentuada nesses territórios”, disse a supervisora de Disseminação de Informações do IBGE na Bahia, Mariana Viveiros, em entrevista ao Portal M!.
Esse envelhecimento se reflete também na configuração dos domicílios. No Rio Vermelho, 35,5% das casas são chefiadas por pessoas com 60 anos ou mais, índice superior à média municipal, que é de 27%. O dado revela um padrão de permanência prolongada no bairro e reforça o vínculo afetivo de moradores antigos com o território.
Histórias de quem vive o bairro
Os números ganham dimensão humana nas histórias de quem construiu a vida no Rio Vermelho. Ao Portal M!, a publicitária Milena Souza, de 43 anos, mora na casa que pertenceu à mãe e afirma que, apesar de já ter vivido na Europa e em outros estados do Brasil, nunca conseguiu se desligar do bairro.
“Eu sempre volto. A sensação é de morar em uma cidade pequena, onde dá para fazer tudo a pé. Vou à academia, ao mercado, corro na orla. Todo mundo se conhece”.
Segundo ela, essa sensação de pertencimento é um dos fatores que fazem com que muitos moradores resistam às mudanças e valorizem a convivência cotidiana, mesmo em um bairro marcado pela intensa vida noturna e pelo fluxo constante de visitantes.
Verticalização e domicílios unipessoais
O modo de morar no Rio Vermelho também revela transformações urbanas importantes. De acordo com o IBGE, 69,8% dos domicílios do bairro são apartamentos, enquanto apenas 29,8% são casas. Além disso, 31,9% dos lares são unipessoais, o que coloca o Rio Vermelho entre os 11 bairros de Salvador com maior proporção de pessoas morando sozinhas.
“O envelhecimento pesa, mas a redução do tamanho das famílias e a mudança do perfil do bairro, que hoje é mais misto, com serviços e vida noturna, também favorecem o aumento dos domicílios unipessoais”, explicou a porta-voz do IBGE ao Portal M!.
Identidade cultural, renda e transformações
Para o advogado aposentado Otávio Menezes, de 71 anos, o Rio Vermelho mantém uma identidade própria, mesmo diante das transformações urbanas e do avanço do mercado imobiliário.
“Sempre foi um reduto político e cultural. Aqui acontecem festas importantes e a velha guarda ama morar. Os apartamentos antigos são grandes, bem estruturados, isso conta muito”
O bairro também figura entre os de maior rendimento médio da capital, com valor de R$ 7.233,56, mais que o dobro da média de Salvador. Segundo o IBGE, esse padrão acompanha uma lógica observada em bairros litorâneos e mais valorizados.
“A renda e a cor se correlacionam fortemente. Onde o custo de morar é mais alto, tende a haver uma renda maior e maior proporção de pessoas brancas”, afirmou Mariana Viveiros ao Portal M!.
Rayllanna Lima
Rayllanna Lima é jornalista e especialista em Marketing e Growth, movida pelo desejo de transformar dados em narrativas que informam, conectam e inspiram. Autora do livro Renascer, reúne experiências em veículos de comunicação, agências e empresas dos setores de energia e pesquisa de mercado, com foco em integrar pessoas, marcas e propósito.
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