Festas de fim de ano ampliam alerta sobre álcool e saúde no Brasil
Especialistas apontam impactos físicos, mentais e sociais do aumento do consumo em confraternizações
Divulgação/Senac
O período de festas de fim de ano é tradicionalmente marcado por encontros familiares, confraternizações e celebrações prolongadas. Nesse contexto, o consumo de bebidas alcoólicas tende a aumentar de forma significativa, o que acende um alerta entre profissionais de saúde sobre os riscos associados ao uso excessivo ou frequente do álcool. Especialistas destacam que esse comportamento pode gerar consequências importantes não apenas para a saúde física, mas também para o bem-estar mental e para as relações sociais.
De acordo com avaliações da área médica, não existe um nível totalmente seguro de consumo de álcool. Estudos recentes e documentos ratificados por organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçam que qualquer quantidade ingerida pode provocar prejuízos ao organismo, variando conforme idade, frequência e contexto do consumo. As informações são da Agência Brasil.
Riscos físicos aumentam durante as celebrações
Durante as festas, há um crescimento de ocorrências relacionadas a quedas, intoxicações alcoólicas e acidentes domésticos. Ambientes com muitos adultos alcoolizados também tendem a apresentar redução na supervisão de crianças, o que eleva o risco de ingestão acidental de bebidas alcoólicas por menores.
“É muito comum que nessa época os pronto-atendimentos pediátricos recebam casos de crianças que ingerem bebida alcoólica porque os adultos não supervisionam adequadamente”, diz a psiquiatra Alessandra Diehl, membro do conselho consultivo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abad).
Dados observados por profissionais de saúde indicam que, nesse período, pronto-atendimentos pediátricos registram aumento de casos de crianças que tiveram contato com álcool, seja por curiosidade ou por descuido dos responsáveis. Esse cenário evidencia como o consumo excessivo em ambientes familiares pode afetar diretamente pessoas que não bebem.
Outro ponto de atenção é a mistura de álcool com medicamentos, prática comum durante feriados prolongados. Essa combinação pode potencializar efeitos colaterais, causar reações adversas graves e comprometer tratamentos em andamento, especialmente em pessoas com doenças crônicas.
Impactos no comportamento e nas relações familiares
Além dos danos físicos, o consumo elevado de álcool está associado à perda do senso crítico, o que aumenta a exposição a situações de risco, como dirigir sob efeito de álcool. Também há registro de crescimento de episódios de agressividade, conflitos familiares e discussões, fatores que transformam momentos de celebração em situações de tensão.
Para pessoas que já enfrentam problemas relacionados ao uso de álcool, o fim de ano representa um período especialmente delicado. A ampla oferta de bebidas e a forte associação cultural entre álcool e comemoração elevam o risco de recaídas, tornando esse intervalo um dos mais desafiadores para quem está em processo de recuperação.
Saúde mental e o uso do álcool como escape emocional
Outro aspecto relevante é o impacto na saúde mental. Para muitas pessoas, o fim do ano traz à tona sentimentos de tristeza, ansiedade, frustração ou solidão, intensificados por balanços pessoais e expectativas sociais. Nesses casos, o álcool acaba sendo utilizado como uma forma de alívio emocional imediato.
“A bebida não pode ser a protagonista das festas. Quando a gente glamouriza o álcool, isso pode ser um gatilho para pessoas emocionalmente vulneráveis”, complementa Alessandra.
Especialistas alertam que esse uso como “anestesia emocional” pode agravar quadros de ansiedade e depressão, além de criar ou reforçar padrões prejudiciais de consumo. Em vez de aliviar o sofrimento, o álcool tende a intensificar sintomas no médio e longo prazo.
Consumo entre adolescentes preocupa especialistas
O aumento do consumo de álcool entre adolescentes é outro fator que preocupa autoridades de saúde. Dados do 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), realizado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), revelam uma tendência divergente entre adultos e jovens.
Entre a população adulta, a proporção de pessoas que consomem álcool regularmente caiu de 47,7% em 2012 para 42,5% em 2023. Já entre adolescentes, o cenário é inverso: o consumo pesado de álcool cresceu de 28,8% para 34,4% no mesmo período, indicando maior exposição a comportamentos de risco.
“Não existe ‘beber com moderação’ para adolescentes. Eles não podem beber, por lei, e têm um cérebro ainda em desenvolvimento, o que pode ser impactado pelo consumo de álcool”, diz Alessandra Diehl.
Especialistas ressaltam que adolescentes não devem consumir álcool, tanto por questões legais quanto por fatores biológicos. O cérebro nessa fase ainda está em desenvolvimento, o que torna os jovens mais vulneráveis aos efeitos do álcool, com possíveis prejuízos cognitivos e emocionais.
“Dizer que é melhor o adolescente beber sob supervisão é uma fala extremamente permissiva e equivocada. A prevenção passa por uma presença familiar mais ativa e por mensagens claras de que o álcool não deve ocupar o centro das celebrações. É possível dizer: aqui em casa a bebida não é o principal, e você, como adolescente, não vai beber”, diz Alessandra.
Papel da família na prevenção
A postura familiar é considerada decisiva na prevenção. Avaliações técnicas apontam que permissividade dentro de casa não reduz riscos, mas pode normalizar o consumo precoce. Ao contrário, mensagens claras e presença ativa dos responsáveis ajudam a estabelecer limites e reduzir a exposição dos adolescentes ao álcool.
No contexto das festas de fim de ano, especialistas defendem que a bebida não deve ocupar o papel central das celebrações. Valorizar a convivência, o diálogo e outras formas de celebração contribui para reduzir danos e promover um ambiente mais seguro para todas as idades.
Em meio às comemorações, o consenso entre profissionais de saúde é que o equilíbrio e a informação são fundamentais para que o período festivo não resulte em consequências negativas que ultrapassem o encerramento do ano.
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