General Augusto Heleno se cala em depoimento ao STF e responde apenas à própria defesa
Ex-ministro do GSI opta por não comentar acusações sobre uso da Abin e anotações sobre fraudes nas eleições
Lula Marques/Agência Brasil
O general da reserva Augusto Heleno, que chefiou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante o governo Jair Bolsonaro, optou por permanecer em silêncio ao ser interrogado nesta terça-feira, 10 de junho, no Supremo Tribunal Federal (STF). Heleno decidiu responder apenas às perguntas feitas por sua própria equipe de defesa.
O depoimento ocorre no âmbito da investigação que apura uma série de ações atribuídas ao núcleo político-militar do antigo governo, com foco em suspeitas de atuação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na disseminação de desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro.
A audiência foi conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos que envolvem suspeitas de tentativa de golpe de Estado e ataques à democracia.
Investigação mira uso político da Abin e teor de anotações sobre urnas
Entre os pontos centrais que seriam abordados no interrogatório estavam o possível uso indevido da Abin, órgão subordinado ao GSI, para a produção e circulação de conteúdo falso relacionado às urnas eletrônicas. Também estava prevista a abordagem de anotações manuscritas encontradas durante busca e apreensão na residência do general. Os documentos continham referências a supostas fraudes nas eleições de 2022.
Heleno, no entanto, se limitou a ouvir os questionamentos lidos por Moraes e, amparado por prerrogativas legais, não ofereceu qualquer esclarecimento, a não ser para os advogados que o representam. A medida é prevista pelo ordenamento jurídico e tem sido adotada por outros investigados em apurações semelhantes no STF.
Outro ponto que poderia ser explorado durante a audiência era a participação do ex-ministro em uma reunião ministerial realizada em 5 de julho de 2022. Nessa ocasião, segundo os autos, Heleno teria feito declarações relevantes para a linha de investigação conduzida pela Corte.
Outros ex-integrantes do governo também prestaram depoimento
A oitiva de Augusto Heleno ocorreu no mesmo dia em que outras figuras-chave do governo anterior foram chamadas para depor no Supremo. Entre elas estão o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Abin, o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, e o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres.
Esses depoimentos integram uma série de diligências ordenadas pelo STF para apurar a existência de uma suposta articulação que envolveria agentes públicos e militares com o objetivo de interferir no processo eleitoral e contestar sua legitimidade.
Estratégia de defesa reforça cautela diante de desdobramentos
A decisão de Augusto Heleno de se resguardar e não responder às perguntas formuladas por autoridades está inserida em uma estratégia jurídica comum em casos de alta complexidade. Advogados costumam recomendar essa conduta quando há risco de autoincriminação ou quando o processo ainda está em estágio preliminar, com peças sob sigilo ou incompletas.
A postura também indica que a defesa do general pretende evitar qualquer exposição que possa ser usada contra ele em fases futuras do inquérito. A expectativa é de que os autos sejam analisados com mais profundidade antes de uma eventual denúncia ou arquivamento do caso.
Almir Garnier nega adesão a golpe e tenta se desvincular de articulações antidemocráticas
O almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, negou nesta terça-feira (10) ter colocado tropas à disposição do ex-presidente Jair Bolsonaro para qualquer tentativa de golpe de Estado. Durante depoimento ao ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF), Garnier afirmou que não participou de planos golpistas e que jamais ofereceu apoio militar a ações dessa natureza. Segundo ele, as conversas ocorridas no Palácio do Planalto tratavam apenas de preocupações genéricas sobre o processo eleitoral e não envolviam deliberações concretas.
Mais Lidas
Política
Últimas Notícias
Operação Ômega investiga esquema milionário e apreende bens em Itapetinga
Félix Mendonça Jr. nega irregularidades, critica lentidão da investigação e diz que ações da PF causam ‘prejuízos políticos’
Em nota, deputado do PDT afirma colaborar com investigações, questiona nova diligência da PF e mantém confiança na Justiça
A responsabilidade civil das redes sociais no Brasil: perfis falsos
Neste artigo, Felipe Braga do Amaral Silva analisa a responsabilidade civil das redes sociais diante de perfis falsos criados por IA, explicando os direitos das vítimas
Prefeitura de Salvador reforça rede de saúde e nomeia 37 concursados em 2026
Convocação publicada no Diário Oficial amplia equipes estratégicas e fortalece o atendimento do SUS na capital baiana
Perdi o emprego e agora? Saiba como garantir o seguro-desemprego em 2026
Se você foi desligado recentemente na Bahia, este guia prático explica tudo o que você precisa saber para garantir o seu benefício
Jerônimo minimiza declaração de Wagner sobre chapa ‘puro-governador’ e prega cautela
Em meio a rumores de racha com aliados, governador busca saída negociada para impasse entre Rui Costa e Angelo Coronel
Jerônimo diz que Operação Overclean não muda relação com PDT e mantém confiança em Félix Mendonça Jr.
Governador mantém apoio político mesmo após aliado ser alvo da Polícia Federal por esquema de desvios de emendas na Bahia
Defesa de Bolsonaro tenta levar ao plenário do STF nova ofensiva contra condenação por tentativa de golpe
Advogados protocolam recurso para reabrir discussão jurídica enquanto família relata piora no estado de saúde do ex-presidente
Hugo Motta condiciona apoio a Lula em 2026 a gestos do Planalto e demandas da Paraíba
Presidente da Câmara afirma que decisão sobre aliança passará por negociações políticas e interesses da Paraíba
Calendário de 2026 anima bares e restaurantes com feriados prolongados e Copa do Mundo
Datas estratégicas ao longo do ano e jogos do Brasil em horários favoráveis ampliam expectativa de faturamento no setor de alimentação fora do lar
‘Tarifaço’ de Trump contra Irã coloca US$ 2,8 bi do superávit brasileiro sob ameaça
Brasil exportou US$ 2 bi em milho para iranianos em 2025 e corre risco de sofrer retaliação em seu comércio com Washington