Novo medicamento contra o Alzheimer: como age o Lecanemabe e quem pode usar
O fármaco é produzido pela farmacêutica japonesa Eisai e já recebeu autorização para uso em ao menos 48 países, segundo a empresa
Eisai/Divulgação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na última quarta-feira (7), o registro do Lecanemabe, medicamento indicado para o tratamento da doença de Alzheimer em estágios iniciais. Comercializado sob o nome Leqembi, o fármaco é produzido pela farmacêutica japonesa Eisai e já recebeu autorização para uso em ao menos 48 países, segundo a empresa.
O Lecanemabe é um medicamento biológico que atua contra a proteína beta-amiloide, responsável pela formação de placas no cérebro de pessoas com Alzheimer. A indicação é restrita a pacientes em fases iniciais da doença, como aqueles com comprometimento cognitivo leve ou demência leve associada à condição.
De acordo com o neurologista Paulo Caramelli, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o tratamento é voltado a pacientes que apresentam alterações sutis de memória e cognição, perceptíveis tanto pelo próprio indivíduo quanto por familiares. “São casos em que ainda não há prejuízo significativo da autonomia, como nas atividades básicas do dia a dia”, explica.
O Lecanemabe é o segundo medicamento aprovado no Brasil com essa abordagem terapêutica. Em abril do ano passado, a Anvisa autorizou o uso do donanemabe (Kisunla), da farmacêutica Eli Lilly. Segundo Caramelli, ambos são anticorpos monoclonais antiamiloides, mas atuam em fases diferentes do processo de maturação da proteína beta-amiloide. Até o momento, não há estudos comparativos diretos entre as duas drogas.
Resultados clínicos
Assim como ocorre com o donanemabe, o lecanemabe não promove melhora imediata dos sintomas. “Os pacientes não percebem ganhos diretos na memória ou no desempenho cognitivo”, afirma Caramelli. O principal efeito do medicamento é retardar a progressão do declínio cognitivo e funcional.
Estudos clínicos com acompanhamento médio de um ano e meio indicaram que pacientes tratados com lecanemabe apresentaram menor progressão da doença em comparação aos que receberam placebo.
Apesar disso, o papel da proteína beta-amiloide no desenvolvimento do Alzheimer ainda é tema de debate acadêmico. Segundo o pesquisador Eduardo Zimmer, do Hospital Moinhos de Vento, embora não haja consenso de que as placas sejam a causa da doença, evidências apontam que sua remoção pode desacelerar a progressão. “É exatamente esse o mecanismo de ação desses medicamentos”, explica.
Especialistas destacam, porém, que o efeito clínico é considerado limitado. “Não se trata de uma medicação que interrompe de forma significativa a evolução da doença, e o impacto ao longo de um ano e meio ainda é discutido”, pondera Caramelli.
Como funciona o tratamento
O tratamento com lecanemabe é realizado por meio de infusões intravenosas a cada duas semanas, em ambiente especializado. A dose recomendada é de 10 mg por quilo de peso corporal, administrada ao longo de aproximadamente uma hora.
Antes do início do tratamento, é necessário confirmar a presença da patologia amiloide, o que pode ser feito por exame de PET scan para amiloide ou por análise do líquor. Esses exames também permitem identificar possíveis contraindicações, como hemorragias intracerebrais e edemas cerebrais.
Contraindicações e efeitos adversos
Pacientes portadores da variante genética APOE e4(E4) não são indicados para o uso do lecanemabe, devido ao maior risco de efeitos adversos, como inchaço cerebral temporário e sangramentos. A realização de teste genético é obrigatória antes do início do tratamento.
Entre os principais efeitos colaterais observados em estudos estão edema cerebral, pequenos sangramentos no cérebro e dor de cabeça. Pessoas em uso de anticoagulantes também têm contraindicação ao medicamento. Além disso, recomenda-se a realização de ressonância magnética até um ano antes do tratamento para descartar riscos associados a doenças vasculares cerebrais.
Uso no sistema público
O alto custo e a complexidade logística são os principais obstáculos para a incorporação do lecanemabe ao Sistema Único de Saúde (SUS). O preço do medicamento no Brasil ainda não foi definido, mas, nos Estados Unidos, o custo anual do tratamento gira em torno de US$ 26 mil (cerca de R$ 140 mil).
Assim como ocorreu com o donanemabe, aprovado anteriormente, o lecanemabe não foi incorporado à rede pública. Para Caramelli, é fundamental que centros especializados adquiram experiência com esse tipo de tratamento antes de qualquer discussão sobre adoção no SUS. “Faltam infraestrutura adequada e equipes capacitadas para o uso seguro dessas medicações”, afirma.
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