STF interroga militares ligados ao plano golpista durante gestão Bolsonaro
Nove integrantes do Exército e um policial federal integram núcleo investigado nesta etapa; grupo teria monitorado Moraes e Lula
Rosinei Coutinho/STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza, nesta segunda-feira (28), os últimos interrogatórios no processo que apura a tentativa de golpe de Estado atribuída a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesta fase, serão ouvidos os integrantes do chamado Núcleo 3 da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), composto por nove militares do Exército e um agente da Polícia Federal. As informações são da Agência Brasil.
Ação mira integrantes de forças especiais
Parte dos militares envolvidos atuava no Batalhão de Forças Especiais do Exército, cujos integrantes são popularmente apelidados de “kids pretos” em referência aos uniformes escuros utilizados em operações táticas. Eles estão sendo responsabilizados por planejar ações de apoio ao plano golpista, entre elas o monitoramento do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os interrogatórios são conduzidos por um juiz auxiliar do gabinete de Moraes, com início às 9h. Por estarem na condição de réus, os acusados têm o direito de permanecer em silêncio diante dos questionamentos feitos pelo Ministério Público Federal e pela equipe do ministro.
Acusações incluem crimes contra a democracia
Todos os réus do Núcleo 3 respondem pelos crimes de:
- Organização criminosa armada
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
- Golpe de Estado
- Dano qualificado pela violência e grave ameaça
- Deterioração de patrimônio tombado
A PGR alega que os integrantes deste grupo tiveram participação ativa na articulação de medidas operacionais para tentar viabilizar a ruptura institucional. Entre os pontos apontados pela acusação estão reuniões estratégicas, repasse de informações sensíveis e apoio logístico para ações golpistas.
Divisão da denúncia e andamento do processo
A investigação conduzida pela PGR foi dividida em quatro núcleos, conforme o perfil e o grau de envolvimento dos investigados. Os réus dos Núcleos 1, 2 e 4 já foram ouvidos em etapas anteriores. O processo mais avançado é o do Núcleo 1, que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados. Essa ação já se encontra na fase de alegações finais e poderá ser julgada em plenário ainda em setembro.
Réus que serão ouvidos nesta segunda-feira
Os dez integrantes do Núcleo 3 que passam por interrogatório nesta fase são:
- Bernardo Romão Corrêa Netto – coronel
- Estevam Theophilo – general
- Fabrício Moreira de Bastos – coronel
- Hélio Ferreira – tenente-coronel
- Márcio Nunes de Resende Júnior – coronel
- Rafael Martins de Oliveira – tenente-coronel
- Rodrigo Bezerra de Azevedo – tenente-coronel
- Ronald Ferreira de Araújo Júnior – tenente-coronel
- Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros – tenente-coronel
- Wladimir Matos Soares – policial federal
Julgamento do núcleo principal deve ocorrer em setembro
Com a conclusão dos interrogatórios do Núcleo 3, a expectativa é que o STF avance para as etapas finais dos demais processos. O julgamento do núcleo considerado central que tem Bolsonaro como principal réu está previsto para o mês de setembro e deve marcar uma nova fase na responsabilização de envolvidos na tentativa de golpe.
PF aponta que Lula foi monitorado por militares e policial infiltrado durante transição
A Polícia Federal concluiu que, entre novembro e dezembro de 2022, o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva foi alvo de monitoramento por parte de militares e de um policial federal infiltrado. Segundo o inquérito da operação Tempus Veritatis, os agentes do Exército conhecidos como “kids pretos” atuaram nas proximidades do hotel Meliá, em Brasília, onde Lula estava hospedado durante a transição.
O relatório aponta a presença do tenente-coronel Hélio Ferreira Lima e do capitão Lucas Guerellus na região, além da atuação do policial federal Wladimir Matos Soares, que repassou informações sigilosas da segurança de Lula ao entorno de Jair Bolsonaro. Entre os planos discutidos, o núcleo militar previa até o assassinato do presidente eleito, por meio de envenenamento ou uso de compostos químicos.
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