Presidente da COP30 cobra soluções e diz que conferência será marco para ‘ouvir a ciência’
André Corrêa do Lago pede que países avancem da negociação para a implementação de compromissos climáticos
Tânia Rêgo/Agência Brasil
O início da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), foi marcado por um apelo à ação. O presidente da cúpula, André Corrêa do Lago, afirmou que esta edição precisa “apresentar soluções” e transformar promessas diplomáticas em resultados concretos, com base na ciência e na cooperação entre os países.
Em seu discurso, o embaixador brasileiro destacou que a COP30 deve ser lembrada como um marco de implementação efetiva dos compromissos climáticos, após décadas de negociações multilaterais.
“Após anos de negociações, é o momento de focar na implementação dos compromissos que o mundo já assumiu. A COP30 tem de apresentar soluções reais”, disse Corrêa do Lago.
COP da Verdade e união pela ciência
O diplomata explicou que o governo brasileiro busca consolidar a imagem de Belém como sede da “COP da Implementação” ou “COP da Verdade”, em referência à necessidade de combater a desinformação e reafirmar o papel da ciência. Para ele, o evento deve marcar o ponto de virada entre o discurso e a ação.
“É importante que o mundo veja a união das instâncias brasileiras em torno da agenda do clima. Apesar de retrocessos recentes, as condições de vida no planeta ainda podem continuar a melhorar se agirmos com base na ciência e na cooperação”, completou o presidente da conferência.
Lula pede união global e critica negacionistas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou a mensagem de urgência, defendendo que a COP30 “imponha nova derrota aos negacionistas”. Segundo ele, a desinformação e o obscurantismo continuam sendo entraves à ação climática.
“Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam as evidências da ciência e atacam as instituições. É hora de impor nova derrota aos negacionistas. É mais barato financiar o clima do que fazer guerra”, declarou Lula.
O presidente ressaltou ainda o simbolismo de realizar o encontro na Amazônia, “o coração da luta pela sobrevivência do planeta”, e destacou o papel do Brasil na mediação das discussões internacionais. Para ele, o financiamento climático deve ser prioridade nas negociações.
“Se os homens que fazem guerra estivessem aqui, veriam que é muito mais barato investir US$ 1,3 trilhão para resolver o problema do clima do que gastar US$ 2,7 trilhões em conflitos”, afirmou.
Amazônia no centro da agenda global
Esta é a primeira conferência do clima sediada na Amazônia, região que abriga 50 milhões de pessoas e mais de 400 povos indígenas. A escolha de Belém, segundo o governo federal, tem caráter simbólico e estratégico, ao colocar o bioma no centro das decisões sobre o futuro climático do planeta. Lula afirmou que o evento deixará um legado de infraestrutura e mobilidade para a população local, reforçando o compromisso do país com o desenvolvimento sustentável.
“Fazer a COP aqui é um desafio, mas também um compromisso com a verdade. Queremos que o mundo conheça a Amazônia de perto e compreenda que desenvolvimento e preservação precisam caminhar juntos”, declarou.
Bahia destaca avanços em energia limpa
Entre as delegações estaduais, a Bahia marcou presença com o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que deve apresentar as políticas públicas que colocam o estado na liderança nacional da transição energética. O governador ressaltou que o avanço no setor tem garantido novos investimentos e geração de empregos, consolidando o Nordeste como protagonista na descarbonização da economia brasileira.
“A Bahia é hoje referência na transição energética brasileira, abrigando investimentos em eólica, solar e hidrogênio verde, e produzindo de fontes renováveis o equivalente a quase 100% da energia que consome”, afirmou Jerônimo.
Expectativas e desafios da COP30
Com a presença de delegações de 194 países e cerca de 50 mil participantes, a COP30 discute temas como transição energética, adaptação climática e financiamento internacional. O objetivo é transformar compromissos políticos em planos de ação verificáveis, capazes de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C.
Entre as principais pautas estão o “Mapa de Baku a Belém”, que prevê a mobilização de US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para apoiar países em desenvolvimento, e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, iniciativa brasileira para financiar a preservação ambiental com recursos de longo prazo. O evento segue até 21 de novembro, consolidando Belém como capital mundial do clima e o Brasil como mediador de destaque na diplomacia ambiental global.
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