Lula defende ação climática global na COP30 e diz ser ‘hora de impor nova derrota aos negacionistas’
Presidente destaca protagonismo da Amazônia, critica gastos com guerras e diz ser ‘mais barato financiar o clima do que fazer guerra’
Reprodução/Instagram @lulaoficial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu, nesta segunda-feira (10), a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), com duras críticas aos negacionistas do clima e um apelo global por ação imediata. Em um discurso incisivo, Lula afirmou ser necessário “impor nova derrota aos negacionistas”e defendeu que financiar o combate à crise climática é mais barato do que investir em guerras.
Sem citar nomes, o presidente fez uma referência indireta ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, um dos principais líderes que negam o aquecimento global e que não participa da conferência — apenas prefeitos norte-americanos estão presentes no evento, que reúne cerca de 50 mil participantes entre chefes de Estado, diplomatas, cientistas, ativistas e políticos, como o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
“COP da Verdade”: Lula defende ciência e condena desinformação
Durante o discurso de abertura, Lula afirmou que esta será a “COP da Verdade”, em oposição ao que chamou de “era da desinformação”. O presidente destacou a necessidade de combater o obscurantismo digital e de reafirmar o papel da ciência no combate à crise climática global.
“Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam não só as evidências da ciência, mas também os progressos do multilateralismo. Eles controlam algoritmos, semeiam o ódio e espalham o medo. Atacam as instituições, a ciência e as universidades. É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas”, declarou.
Lula destacou ainda que a COP30 simboliza um marco histórico, por ser a primeira conferência do clima sediada na Amazônia, região que ele classificou como o “coração da luta pela sobrevivência do planeta”.
“Fazer a COP aqui é um desafio tão grande quanto acabar com a poluição do planeta Terra. Seria mais fácil fazer a COP em uma cidade que não tivesse problema, mas a gente resolveu aceitar fazer a COP em um estado da Amazônia, para provar que quando se tem disposição e compromisso com a verdade, não há nada impossível”, afirmou o presidente.
Financiamento climático é “mais barato que guerra”, diz Lula
O presidente também criticou os altos gastos militares globais, contrapondo-os à falta de investimentos significativos em políticas de mitigação climática. Lula argumentou que a humanidade paga mais caro por guerras do que custaria resolver a crise do clima.
“Se os homens que fazem guerra estivessem aqui nesta COP, iriam perceber que é muito mais barato colocar US$ 1,3 trilhão para acabar com o problema climático do que colocar US$ 2,7 trilhões para fazer guerra, como fizeram no ano passado”, afirmou.
Para o chefe do Executivo, o financiamento climático deve ser prioridade nas negociações internacionais. Ele defendeu que os países desenvolvidos, principais responsáveis históricos pela poluição, assumam maior compromisso financeiro na transição energética global.
Amazônia como símbolo da justiça climática
Lula ressaltou o papel central da Amazônia no debate ambiental e a importância de realizar a conferência em Belém (PA). O presidente destacou que o bioma abriga cerca de 50 milhões de pessoas, incluindo 400 povos indígenas, e que é fundamental conciliar preservação ambiental com desenvolvimento social.
“A Amazônia não é uma entidade abstrata. Quem só vê a floresta de cima desconhece o que se passa à sua sombra. Quando vocês deixarem Belém, o povo da cidade permanecerá com os investimentos em infraestrutura que foram feitos para recebê-los. E o mundo poderá, enfim, dizer que conhece a realidade da Amazônia”, disse Lula.
O presidente afirmou que as obras realizadas para a COP30 deixarão legado duradouro à população local, incluindo melhorias em mobilidade urbana, saneamento básico e infraestrutura pública.
Cúpula de Belém e racismo ambiental
Lula também citou os resultados da Cúpula de Belém pelo Clima, encerrada na última sexta-feira (7). O petista destacou a assinatura da Declaração sobre Racismo Ambiental, considerada um marco histórico por unir justiça racial e ação climática em um mesmo compromisso internacional.
Durante a cúpula, o Brasil lançou o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, que captou US$ 5,5 bilhões em um único dia. O fundo financiará iniciativas de manejo sustentável, regularização fundiária, proteção de povos tradicionais e transição para energias limpas.
Entre os principais compromissos firmados estão:
- O manejo integrado do fogo;
- A garantia do direito à terra para povos indígenas e comunidades tradicionais;
- A quadruplicação da produção de combustíveis sustentáveis;
- A criação de uma coalizão sobre mercados de carbono;
- O alinhamento entre ação climática e combate à pobreza.
Tragédias recentes reforçam urgência climática
Lula citou tragédias climáticas recentes como exemplos da urgência da pauta ambiental. Ele mencionou o furacão Melissa, que atingiu o Caribe, e o tornado no Paraná, que deixou seis mortos e mais de 750 feridos no município de Rio Bonito do Iguaçu que foi 90% devastado.
“A mudança do clima já não é uma ameaça do futuro. É uma tragédia do presente. O furacão Melissa que fustigou o Caribe e o tornado que atingiu o estado do Paraná deixaram vítimas fatais e um rastro de destruição”, disse o presidente.
Belém se torna capital mundial do clima
A COP30 segue até 21 de novembro, com mesas de negociação entre representantes de mais de 190 países. O objetivo é transformar as promessas feitas durante a Cúpula de Líderes em planos concretos, com metas, prazos e recursos definidos.
O Brasil, que também preside o G20 e o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), deve aproveitar o protagonismo internacional para liderar o debate sobre o futuro climático global. Com a Amazônia como palco e o presidente Lula como uma das vozes mais ativas, a COP30 simboliza um momento decisivo para a humanidade — um chamado à ação coletiva para conter o colapso climático e garantir um planeta habitável para as próximas gerações.
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