‘Perseguição’ e ‘afronta’: a reação de políticos baianos aliados à prisão de Bolsonaro
Decisão do STF gerou reações imediatas entre apoiadores na Bahia, que classificaram o ato como perseguição
Divulgação
A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, neste sábado (22), mobilizou parlamentares baianos aliados, que reagiram publicamente e questionaram a decisão do Supremo Tribunal Federal. As manifestações ganharam força nas redes sociais logo após a operação da Polícia Federal em Brasília.
Os aliados criticaram a medida e afirmaram que seguirão mobilizados diante do novo desdobramento do caso envolvendo Bolsonaro.
“Prender Jair Bolsonaro, que é o maior líder político desse país, que enfrentou o sistema, e que está com a saúde fragilizada por conta da facada que o próprio sistema mandou que fizessem, nos causa revolta”, disse Leandro de Jesus.
Leandro de Jesus critica decisão e fala em perseguição política
O deputado estadual Leandro de Jesus (PL) criticou a prisão preventiva do ex-presidente e declarou que considera a decisão um ato de perseguição política. O parlamentar afirmou que o ministro Alexandre de Moraes conduziu o processo de forma calculada, retomando elementos que, segundo ele, reforçam sua avaliação sobre o que chamou de direcionamento no julgamento.
O parlamentar disse que a decisão representa “o ápice da psicopatia de Alexandre de Moraes”, indicando que o ato teria sido “premeditado e calculado com perversidade”. Em seguida, afirmou que Bolsonaro é “inocente” e classificou a ação como parte de um “falso julgamento conduzido por um falso juiz”.
Leandro de Jesus também retomou o atentado sofrido por Bolsonaro em 2018 e afirmou que o ex-presidente ainda enfrenta sequelas físicas do episódio. Ele declarou que a prisão “nos causa revolta”, reforçando que o ex-presidente é, segundo suas palavras, alvo de perseguição.
O deputado direcionou sua fala à família e aos apoiadores de Bolsonaro e disse que seguirá mobilizado. Segundo ele, “nós não desistiremos. Seguiremos lutando para reverter essa injustiça. E o Brasil ainda se verá livre desses torturadores disfarçados de juízes”.
Capitão Alden afirma que prisão é uma afronta à democracia
O deputado estadual Capitão Alden (PL) também se manifestou. No Instagram, ele declarou que “hoje, o Brasil acordou com mais uma prisão política”. Na declaração, afirmou que a maior ameaça à ordem pública não estaria relacionada ao ato realizado em frente ao condomínio do ex-presidente, mas a áreas dominadas pelo crime organizado.
Alden escreveu que “calar a oposição jamais será caminho para pacificar o país” e destacou que a prisão preventiva de um ex-presidente por motivação política seria “uma afronta direta à democracia que dizem defender”. O parlamentar disse ainda que “o Brasil merece Justiça, não vingança”.
João Roma Neto fala em ato desproporcional e perigoso
O ex-ministro e deputado federal João Roma Neto (PL) classificou a prisão como “injustificável, desproporcional e profundamente preocupante”. Em sua declaração, afirmou que vê “com profunda indignação mais um capítulo absurdo de uma perseguição política evidente”.
Roma avaliou que o ato seria uma tentativa de pressionar e desestabilizar Bolsonaro. Em sua fala, afirmou que a medida ocorre em um momento no qual o quadro de saúde do ex-presidente está fragilizado, o que, segundo ele, agravaria o impacto da decisão judicial.
O parlamentar escreveu que “não se prende uma ideia, não se prende um movimento que nasce do povo” e avaliou que o episódio representa um ataque ao Estado de Direito e às liberdades democráticas. Segundo ele, “Bolsonaro não está sozinho. O povo está ao lado dele”.
Roberta Roma aponta covardia e defende anistia
A deputada federal Roberta Roma (PL) também reagiu. Em seu posicionamento, afirmou que a decisão representa uma “prisão totalmente descabida”. Segundo ela, o episódio evidencia uma perseguição ao ex-presidente e à sua família.
A parlamentar declarou que há uma “perversidade nessa perseguição” e afirmou que a luta por anistia do ex-presidente é urgente. Na mensagem, disse ainda que defender a Constituição é um dever para evitar que a prática de perseguição política se repita no país.
Diego Castro diz que querem eliminar Bolsonaro da disputa
O deputado estadual Diego Castro (PL) publicou um vídeo em que afirma que “querem mat#r Bolsonaro, querem acabar com a direita” e que “eleição sem Bolsonaro é golpe”. Em sua fala, questionou a condução de parlamentares que, segundo ele, pregam união política, e criticou senadores que classificou como passivos diante dos desdobramentos envolvendo aliados do ex-presidente.
O parlamentar também afirmou que vê risco institucional na realização das próximas eleições sem a participação do ex-presidente. “Eleição sem Jair Bolsonaro não é um processo completo. Estamos falando de princípios básicos como devido processo legal e direito de defesa, que não pertencem a um grupo político, mas à sociedade inteira”, disse.
Para Diego, a decisão do STF agrava um ambiente de tensão política. “Medidas como essa passam a mensagem de que a autoridade judicial atua sem limites definidos, e isso preocupa. A reação da sociedade e do Parlamento será determinante para o que vem pela frente”, afirmou.
“Se for necessário, vamos mobilizar novamente quem apoia o presidente Bolsonaro. Há um sentimento crescente de indignação, e esse processo precisa ser encarado com transparência e responsabilidade”, completou Diego.
Raíssa Soares fala em ‘maior perseguição política da história’
A pré-candidata à deputada federal, Raíssa Soares (PL), também criticou a prisão preventiva do ex-presidente. Segundo ela, a medida reforça “um processo de perseguição política”. “Assistimos a mais um passo de um movimento que tenta impor um silêncio forçado a quem representa uma voz contrária ao governo Lula, do PT. A determinação do ministro Alexandre de Moraes afronta princípios constitucionais e o bom senso jurídico”, declarou.
Ela também criticou o fato de a ordem atingir um ex-presidente que, segundo ela, “sempre se colocou à disposição das autoridades” e enfrenta problemas de saúde. “É uma medida que ignora completamente a realidade clínica de Bolsonaro e que parece buscar empurrá-lo para uma situação de extremo desgaste”, afirmou.
“Bolsonaro nunca enriqueceu às custas do Estado, promoveu redução de impostos que beneficiou a população e, mesmo em meio a disputas políticas, respeitou o resultado eleitoral. Transformar isso em motivo para encarceramento é um desvio grave”, disse.
O que motivou a prisão preventiva de Bolsonaro
A prisão preventiva de Jair Bolsonaro ocorreu na manhã de sábado (22), quando agentes da Polícia Federal chegaram ao condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar. A ordem foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a convocação de uma vigília feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que poderia, segundo a PF, gerar risco à ordem pública.
Bolsonaro abriu a porta, ouviu a comunicação e não apresentou resistência. Michelle Bolsonaro estava no Ceará para um evento do PL Mulher e soube da prisão por telefone.
A deputada Rosana Valle (PL-SP), que estava com ela, relatou o momento em que recebeu a notícia e disse que Michelle retornaria imediatamente para Brasília.
Os advogados do ex-presidente haviam protocolado um pedido para substituição da prisão domiciliar por razões médicas. No entanto, o pedido não foi analisado antes do cumprimento da ordem preventiva.
A ação foi planejada pela Diretoria de Inteligência Policial da PF na véspera, após Moraes avaliar o risco de tumulto diante do ato convocado por apoiadores. O ministro determinou que a operação fosse realizada sem algemas e sem exposição pública, seguindo diretrizes adotadas em casos de grande repercussão.
A prisão ocorreu após sucessivas avaliações sobre o uso da tornozeleira eletrônica e descumprimentos de medidas cautelares. Bolsonaro já estava em prisão domiciliar desde agosto.
Após a detenção, ele foi levado para uma sala de Estado na Superintendência da PF no Distrito Federal, equipada com cama, mesa, frigobar e banheiro privativo, padrão usado em acomodações destinadas a autoridades.
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