Otto Alencar reafirma aliança do PSD com Jerônimo e descarta ruptura com PT
Senador diz que decisão é coletiva, veta aproximação com bolsonarismo e defende unidade da base para eleições de outubro
Wuiga Rubini/GOVBA
O senador Otto Alencar (PSD) afirmou, nesta quinta-feira (8), que o PSD da Bahia permanecerá na base de apoio do governador Jerônimo Rodrigues (PT), encerrando as especulações sobre uma possível mudança de rumo político da legenda. O presidente estadual do partido descartou qualquer hipótese de rompimento com o PT ou de aproximação com grupos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no cenário eleitoral de outubro no Estado, quando serão escolhidos dois senadores, 63 deputados estaduais, 39 deputados federais, além do presidente da República.
Otto deixou claro que a permanência do PSD na base governista se mantém mesmo diante da possibilidade de formação de uma chapa “puro-sangue” do PT para o Senado, com o senador Jaques Wagner (PT) buscando a reeleição e o atual ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), cotado para disputar a segunda vaga. Esse cenário, na prática, inviabilizaria a tentativa de reeleição do senador Angelo Coronel (PSD) dentro da base aliada.
Ainda assim, segundo Otto, a decisão do partido é definitiva e reflete uma construção coletiva, alinhada à trajetória política do PSD na Bahia. Para o senador, não há espaço para alianças que contrariem o projeto político defendido pelo grupo que hoje governa o estado, reforçando o PSD como um dos pilares de sustentação do governo Jerônimo Rodrigues no processo eleitoral que se aproxima.
Fidelidade à base e veto ao bolsonarismo
A posição do PSD na Bahia foi classificada por Otto Alencar como definitiva. Para o senador, a trajetória da legenda no estado está consolidada ao lado do PT, e não há espaço para flutuações ideológicas que envolvam a oposição conservadora.
“Nós estaremos na nossa aliança. Nós não vamos sair da nossa aliança. Já é uma coisa decidida do PSD na Bahia. Nós vamos marchar na aliança com o PT”, declarou o senador em entrevista ao portal Política ao Vivo, reforçando que a decisão foi tomada de forma coletiva e unânime dentro do partido.
O veto a palanques adversários foi enfático, focando na incompatibilidade de projetos.
“Eu não tenho como estar em palanque que tenha defesa da proposta, do projeto do Jair Bolsonaro, ou de alguém que venha representá-lo aqui na Bahia”, afirmou Otto, consolidando o PSD como um dos pilares de sustentação do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Composição da chapa de 2026 e papel de Jerônimo Rodrigues
Embora a aliança esteja garantida, a montagem da chapa majoritária para as próximas eleições ainda é tratada como um processo em construção. Otto Alencar acredita que a coordenação deve ser centralizada pelo atual governador, seguindo a tradição política estabelecida por seus antecessores.
Para Otto, o sucesso eleitoral de 2026 depende dessa liderança direta do chefe do Executivo.
“Na minha opinião, o governador Jerônimo Rodrigues deve coordenar a sucessão dele”, avaliou o senador, lembrando que o mesmo ocorreu nos governos de Jaques Wagner e Rui Costa.
Tendências para vice-governador e vagas do Senado
Ao tratar do desenho da chapa majoritária para as próximas eleições, Otto Alencar adotou um tom cauteloso e destacou que, embora existam caminhos considerados naturais dentro da base aliada, nenhuma definição está formalizada até o momento. Segundo o senador, o debate segue em aberto e depende de diálogo entre as principais lideranças da coalizão.
MDB aparece como opção natural para a vice
No que diz respeito à vice-governadoria, Otto avaliou que o MDB surge como o nome mais consistente para ocupar a vaga, sobretudo pelo critério da reeleição e pela posição já exercida pelo atual vice-governador, Geraldo Júnior. Para o senador, a manutenção do espaço pelo MDB segue uma lógica política tradicional dentro das alianças.
“Na minha opinião, é o MDB que, naturalmente, pela reeleição, deve indicar”, afirmou, ressaltando que esse entendimento é compartilhado por uma parcela significativa da base governista.
Disputa ao Senado e desafios do PSD
Ao abordar o Senado Federal, Otto destacou que o PSD trabalha para manter sua representação na Casa, hoje composta por dois senadores baianos do partido. Ele próprio tem mandato garantido até 2030, enquanto Angelo Coronel busca a reeleição. Segundo o senador, a legenda atua para assegurar a continuidade desses quadros, considerados estratégicos tanto para a força política do PSD quanto para a atuação da Bahia em Brasília.
No entanto, Otto reconheceu que o cenário se tornou mais complexo diante das movimentações internas da base governista. Entre elas, está a possibilidade de formação de uma chapa “puro-sangue” do PT para o Senado, com o senador Jaques Wagner buscando a reeleição e o atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, que deverá deixar o cargo no governo federal para disputar a segunda vaga na Casa Alta.
Esse desenho, na prática, pode inviabilizar a tentativa de reeleição de Angelo Coronel dentro da base aliada, o que amplia os desafios do PSD na composição da chapa majoritária.
Diálogo aberto e definições em construção
Diante desse contexto, o dirigente do PSD reforçou que o debate segue em curso e que nenhuma composição pode ser considerada definitiva neste momento. Otto enfatizou a importância do diálogo com lideranças centrais da aliança, como o senador Jaques Wagner (PT-BA), o ministro Rui Costa e o governador Jerônimo Rodrigues (PT), para a construção de um consenso.
“Não tem nada definido. Ainda há tempo de se definir isso”, afirmou.
Ao encerrar, o senador destacou que, antes de qualquer anúncio sobre chapas ou nomes, a prioridade do grupo é preservar a unidade política. Segundo ele, o foco segue na gestão e no fortalecimento da base aliada para chegar às eleições com um projeto coeso e competitivo.
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