Moraes diz que narrativa de que condenados são ‘velhinhas com a bíblia na mão’ é ‘mentirosa’
Ministro refutou tese levantada por Bolsonaro e aliados, que tentam contestar competência da Primeira Turma do STF para julgar caso
Antonio Augusto/STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou, nesta terça-feira (25), a ideia de que a Corte condena “velhinhas com a Bíblia na mão” pelos atos de 8 de janeiro. A declaração foi feita durante o julgamento da denúncia sobre a trama golpista que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sete aliados. As informações são da Agência Brasil.
“Eu aproveito aqui para desfazer uma narrativa totalmente inverídica, até um dos nobres advogados disse uma questão de terraplanismo, que aqui seria muito semelhante. Se criou uma narrativa, assim como a terra seria plana, de que Supremo Tribunal Federal estaria condenando ‘velhinha com bíblia na mão’, que estariam passeando num domingo ensolarado pelo Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional e pelo Palácio do Planalto“, iniciou o ministro.
De acordo com Moraes, as imagens demonstram que “ninguém lá estava passeando”. “Seja pelas imagens, seja pelas condenações, que eu peço para colocar para facilitar”, ressaltou.
O ministro apresentou dados das condenações relacionadas aos eventos de 8 de janeiro. Das 497 ações penais com sentenças, 240 pessoas receberam pena de 1 ano, 102 foram condenadas a 14 anos, 58 a 16 anos e 6 meses, e 44 a 17 anos ou mais. Os números foram usados para rebater a narrativa questionada.
Dados detalhados e perfil dos condenados
O ministro frisou que das 497 condenações, a maioria tem menos de 60 anos. “Agora, o importante aqui: das 497 condenações, só 43 têm mais de 60 anos. Se nós pegarmos mais de 70 anos, que foram imagens utilizadas, são 7 condenações. Então, de 497 condenações, entre 70 e 75 anos, há 7 condenações, e de 60 a 69, 36 condenações. Ou seja, a grande maioria até 59 anos, 454 condenações”, detalhou Moraes, que seguiu.
Ministro Alexandre de Moraes mostra dados contra a mentira dos golpistas de que a maioria dos presos no 8 de Janeiro são "velhinhas inocentes que estavam orando com bíblia na mão" #BolsonaroPreso
— Fábio Felix 🏳️🌈 (@fabiofelixdf) March 25, 2025
De 497 golpistas condenados, apenas 43 possuem mais de 70 anos
BOLSONARO NA… pic.twitter.com/Q1hGyMr6FM
“Essa narrativa que se criou, que se repete através de notícias fraudulentas, pelas redes sociais, fake news, de que são só mulheres e mulheres idosas, é totalmente mentirosa. Mulheres são 32% condenadas, homens quase 68% e como eu disse, somente sete pessoas condenadas com mais de 70 anos”, explicou o ministro.
Moraes refutou a tese levantada por Bolsonaro e aliados, que tentam contestar a competência da 1ª Turma do STF no caso. O julgamento segue em andamento, com foco nas questões processuais e nas denúncias da trama golpista.
Defesas acessaram provas
Moraes declarou ainda que advogados dos investigados em suposta tentativa de golpe em 2022 tiveram acesso total aos documentos da Polícia Federal (PF). A afirmação veio durante leitura de voto como relator. Ele respondeu a questionamentos das defesas sobre o processo.
“Não me parece que o Ministério Público tenha se utilizado de qualquer prova ou indício que as defesas não tiveram acesso. Todos os advogados acompanharam desde sempre as investigações. Para não ficar citando e cansá-los, eu fiz no voto que irei distribuir às vossas excelências cada vez que houve acesso às investigações pelos investigados”, afirmou Moraes. Ele rejeitou alegações de cerceamento de defesa.
“Foram inúmeros acessos a todas as provas e todos os documentos juntados aos autos. Os documentos que foram utilizados no fato para que a PGR oferecesse as denúncias […] Todos os documentos, todas as mídias, vídeos, foram juntados aos autos, e os mesmos que foram analisados pela PGR foram de acesso às defesas. Isso foram questões levantadas pelas defesas”, esclareceu o ministro. As provas estavam disponíveis nos autos.
Pedidos de nulidade em análise
Moraes votou contra pedidos de nulidade feitos pelas defesas. Eles apontaram document dump, termo para excesso de documentos desorganizados, e fishing expedition, que indica busca ampla por provas sem critério. As defesas também mencionaram restrição ao direito de defesa.
O relator destacou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) usou apenas materiais acessíveis aos advogados.
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