Lula pressiona União Europeia por acordo com o Mercosul e diz que tem cobrado Trump para retirada de tarifas
Presidente revelou ter ligado para premiê da Itália para destravar pacto com a União Europeia
Ricardo Stuckert/PR
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou, nesta quinta-feira (18), que atuou diretamente para tentar destravar a assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, e ressaltou que mantém cobranças frequentes ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a retirada de tarifas e sanções comerciais impostas ao Brasil.
Durante conversa com jornalistas no Palácio do Planalto, em Brasília, Lula observou que a política externa brasileira tem se concentrado em diálogo direto com chefes de Estado para preservar acordos comerciais e evitar prejuízos à economia. No caso do acordo Mercosul UE, o presidente disse ter ligado pessoalmente para a primeira-ministra da Itália, Georgia Meloni, diante da mudança de posição do país europeu em relação ao texto final.
“Na conversa com a primeira-ministra Meloni, ela ponderou para mim que ela não é contra o acordo, ela apenas está vivendo um certo embaraço político por conta dos agricultores italianos, mas que ela tem certeza que ela é capaz de convencê-los a aceitarem o acordo”, afirmou Lula.
“E ela, então, pediu para mim que se tivesse paciência de uma semana, 10 dias, de no máximo um mês, a Itália estará junto com o acordo”, completou.
Entraves na Europa atrasam acordo Mercosul UE
Lula afirmou que representantes da União Europeia haviam garantido que o acordo seria assinado ainda neste ano, com data prevista para sábado (20). Do lado do Mercosul, segundo o presidente, os termos já estariam resolvidos, mesmo com cláusulas consideradas mais favoráveis aos europeus.
O presidente disse que sempre teve conhecimento da resistência da França, mas que foi surpreendido recentemente pela posição da Itália. De acordo com ele, não há prejuízo econômico para os países europeus com a assinatura do acordo e o pedido de prazo feito por Meloni será levado aos demais chefes de Estado do Mercosul.
Ainda assim, Lula ressaltou que, se o texto não estiver pronto, não haverá o que fazer além de aguardar. “A esperança é a última que morre”, afirmou, ao dizer que pretende esperar até o sábado por uma definição.
Diante da possibilidade de adiamento, o presidente elevou o tom e afirmou que, caso o acordo não seja assinado agora, o Brasil não fará novos pactos enquanto ele estiver no cargo. Lula também relatou que a data da reunião do Mercosul foi alterada a pedido da própria União Europeia, que alegou necessidade de mais tempo para aprovação interna.
França mantém oposição e Macron pede adiamento
A resistência francesa voltou a ser explicitada nesta quinta-feira pelo presidente Emmanuel Macron, que declarou que o acordo não pode ser assinado neste momento. Ao chegar ao Conselho Europeu, Macron afirmou que busca um freio de emergência no pacto e defendeu o adiamento da assinatura.
“A Comissão Europeia fez uma proposta, o Parlamento a melhorou e aprimorou as medidas de salvaguarda do Mercosul, mas buscamos cláusulas de reciprocidade e espelhamento no acordo comercial com o Mercosul e não estamos prontos para seguir com o acordo”, disse o líder francês.
Apesar das críticas, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, avalia que o acordo é de crucial importância econômica, diplomática e geopolítica, segundo fontes ouvidas pelo sistema Broadcast.
Lula cobra EUA e diz que mantém contato direto com Trump
Além da agenda europeia, Lula afirmou que tem cobrado com frequência o governo dos Estados Unidos para a retirada do tarifaço imposto por Trump. Segundo o presidente, ele reconhece o direito soberano de qualquer país taxar produtos estrangeiros, mas discorda das justificativas apresentadas pelos norte-americanos.
“Desde o momento em que o presidente Trump fez a taxação, eu sempre defendi que é direito soberano de qualquer país taxar produtos do exterior que entram no seu país, se ele entender que aquele país está tendo prejuízo de desenvolvimento por conta das importações”, afirmou.
Lula disse que não foi contra a taxação em si, mas contra os motivos alegados. Para ele, Trump já reconheceu que as razões apresentadas inicialmente não eram verdadeiras. O presidente brasileiro destacou ainda a atuação de um comitê formado pelos ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores; Fernando Haddad, da Fazenda; e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), da Indústria, Comércio e Serviços.
“A cada 15 dias, eu estou tomando a atitude de mandar uma mensagem pessoal para o Trump”, disse Lula, ao explicar que acompanha de perto as negociações e não descarta a aplicação da Lei da Reciprocidade caso não haja acordo.
Lula diz que diálogo transformou relação com Trump
Em outro encontro com jornalistas, Lula afirmou que o diálogo direto mudou sua relação com Trump. Segundo o presidente, a conversa tem sido suficiente para evitar conflitos e manter canais abertos entre os dois países.
“Todos vocês pensaram que eu ia entrar em guerra com Trump. Trump virou meu amigo. Um pouco de conversa. Dois homens de 80 anos de idade, não tem porque brigar”, disse.
Lula também defendeu a resolução de crises por meio da palavra e afirmou que conflitos podem ser evitados com negociação constante entre líderes.
Crise entre EUA e Venezuela entra na pauta diplomática
O presidente afirmou ainda que pode conversar novamente com Trump antes do Natal para tratar da crise entre Estados Unidos e Venezuela. Segundo Lula, o Brasil acompanha com preocupação a escalada de tensões, intensificada desde agosto com movimentações militares norte-americanas no Caribe.
“Não queremos guerra no nosso continente”, afirmou o presidente, ao defender a América Latina como uma zona de paz. Lula disse que já conversou por cerca de 40 minutos com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e também com Trump, reforçando a necessidade de solução diplomática.
Para Lula, ainda há falta de clareza sobre os reais interesses por trás do conflito. “Nunca ninguém diz concretamente porque é preciso fazer essa guerra”, afirmou, ao reiterar que o caminho defendido pelo Brasil é o diálogo.
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